(…)

Odeio a forma como começo destruindo tudo. 
Eu tento, me convenço. 
Mas maldição, consciências não enganam crianças. 

Eu não suporto quando ás vezes penso nisso. 
É todo momento, e em todo momento quero mais. 
Droga, maldita hora que fui pensar nisso sobre isso. 

Tenho tanta coisa pra falar, mas é tanta coisa em lacunas. 
Lacunas deviam ser músicas, músicas para toque suicida. 
“Não vá, ainda há lacunas a serem preenchidas!”

Será que eu desistiria de pular? 
( … )

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Time.

Me lembro de tanta coisa, me lembro de nada. São coisas que fazem parte, são coisas que você sonha tanto, mas tanto que parece que vivenciou. E quando acorda somente dói, dói por não ter sido capaz ou talvez por ter passado de mais, o tempo.

Quando você espera mais que o tempo.

Se ontem você me dissesse adeus
não me preocuparia em fugir,
Mas foi hoje que você me pediu em segredo,
Lamento não conseguir resistir
Meus lábios vermelhos te afeta?
Nada mais justo que o sangramento em m’alma
Devo ter pagado penitencia
Por ter matado e amado
Se hoje você voltasse
Eu não teria mais 60 anos,
E juntos, talvez, dançássemos
Até o outro ano.

Espero que meus lábios vermelhos lhe afete,
Assim como teu chapéu despendido pro lado me prende
Sou solitária sem teu sorriso delicado,
Me faça sua cama,
Deite-se comigo,
Me ama?
Ele se foi, 60 anos que espero.

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Por onde ande não tenho o que perder.

O homem e o tempo.

O relógio passa rápido para ele que o olha a cada segundo. Não entende que o tempo não respeita os homens, apenas a si mesmo, ou pensa querer acreditar nisso. Ele prefere guardar como um segredo para si mesmo, um segredo de todos, que os olhos tão ágeis capta nas pessoas, a essência. Os sentimentos são diferentes para cada um, para ele também, ele não os tem, é uma incógnita para si próprio e vive tentando desvendar “Por que sorrir?” e ele ficava tentando sorrir, queria sorrir, ele o faz, mas não há vida no teu sorriso, ele não o sente.
O relógio continua lento e preguiçoso, os segundos passam rápidos. Mais um tempo sem sentir, ele se pergunta “Quanto tempo leva pra sorrir?”. Sem o sorriso ou os sentimentos o tempo continua sem esperar por ele. 

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Quanto tempo leva pra ver o tempo?

 

Tempo

Hoje olhei o tempo
e ele me olhou.
Nós viramos íntimos,
ele riu pra mim,
então ele chorou. 

O tempo não é gentil com gente atrevida
ele não é manso com gente preguiçosa.
Hoje o tempo é ontem, 
Hoje o tempo é amanhã.
O tempo é tão estranho
que ele nunca é agora. 

Tempo.

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Quando se olha muito tempo para o relógio os ponteiros não se mexem, e então já não se sabe mais se é luz ou escuridão.

Estou há horas parado aqui, não tenho coragem de olhar ao relógio para saber bem quais horas são. Desde que cheguei eu sentei e esperei. Não sei ao certo o quanto mais terei que esperar. Esta tocando uma música no piano, eu não sei quem, não quero olhar. Você já perdeu alguém? Não, não quero ser dramático, mas não se sabe a dor o quão forte ela é até ela chegar. Alguém passou a mão no meu ombro e deu leves tapinhas.
Você é ligado com uma pessoa com um fio de aço, e esse fio está conectado ao teu coração, e ele passa por tua carne, e esse fio é revestido de carne e sangue, ele cria vida, esse fio já são vocês dois. Já os conecta como um só. E então alguém vai e corta o fio e te separa dessa pessoa. Ah, não cortou apenas carne, cortou um membro teu, cortou parte tua, cortou tua proteção.
Não sei quanto tempo estou parado aqui, sei que a mesma música toca a bastante tempo, ou serão pouco? Não sei, é difícil dizer. Sabe como é esquecer o sorriso mais bonito da tua vida? Não, não saberia, não se nunca tiver sentido. É como estarem dias numa cela e então ser libertado e sentir raios solares são algo parecido, e então te colocam na cela escura novamente, e novamente você está sozinho. Esse era meu maior medo, ficar sozinho, e ele se tornou realidade.
Alguém me oferece chá, como eu poderia beber chá numa hora dessas? Quando eu tenho filhos pra criar, quando terei que ser pai e mãe? Quando terei que ser sozinho?
Começou a ficar frio de repente, acho que é inverno, não sei ao certo, nem tenho vontade, já não tenho alma ela se foi e estou vazio, sou um recipiente sem utilidade, sem vida.
Tenho que esperar a resposta, e então é assim que uma faísca de vida se ilumina dentro de mim, mas me lembro de que esperanças são para tolos e eu não posso me permitir ser tolo. A faísca se apaga e tudo se envolve em escuridão novamente.
O meu estomago está doendo, tem quantos dias que não como? Dois? Talvez, não sei. Não que eu queira morrer, mas chega um momento que a dor é maior que a fome, a dor é maior que a vontade.
Respiro, alguém trouxe biscoitos, eu pego um, mas eles tem gosto de papelão na minha boca, são secos e pontiagudos, machucam mais ao meu coração que ao meus lábios. Jogo fora.
Quanto tempo se passou? Dias talvez? Um ou dois?
Me liberte, me liberte dessa prisão emocional, cuja minhas mãos estão atadas a espera de uma resposta.
Eu escuto algum pássaro cantando, nunca ouvi canto mais triste, ele se embala com o piano de uma forma tão suave que se tornaria adaga e arrancaria meu coração. Que coração?
Passos, alguém vem vindo, olho para os pés, afinal estou sentado em um canto qualquer no chão. Pés de homens. Olho para cima e vejo a expressão fechada.
– Não será hoje, não hoje. – Ele se vai novamente, e aquilo que eu achei que já não teria mais volta aparecer, meus olhos transbordam e deles saem sonhos e esperanças, todas morreram todas. Não hoje, mas sei que pode ser amanhã.
– Mas eu tenho filhos pra criar – Eu murmuro, e do que adianta? Olho para o relógio, e os ponteiros do relógio nunca mexem quando você olha pra ele. Será que é isso que está acontecendo comigo? Me levanto enfim, tenho filhos para criar e não serei eu o tolo, não hoje. Não agora. O relógio não se mexe, será que ele parou no tempo ou eu parei?