Penitencia de corpos.

“Me ame? Me beije?” Joguei mais uma cabeça ao chão, cabeças rolando, nessa depressão. “Me abrace? Me faça sua?” Braços rolando ao chão sem o calor que lhes fora negado por mim em um passado não tão distante. Frios e sem mãos. Ando pelos corpos despedaçados que um dia me amaram. E eu os despedacei, os rejeitei. Não é o amor não mais que um só corpo? Não são as ânsias dos beijos do que cabeças soltas rolando pela depressão até o outro corresponder, amar? “Me olhe?” Arranco os olhos com os dedos longos e secos e os engulo. Engoli os olhares de amor para que dentro de mim ficasse visível e se enchesse de paixão. Não aconteceu, minha maldição, um dia neguei, humilhei e rejeitei e agora vivo sozinha rodeada por corpos que me amaram, me amaram e eu destruí. “Me de um carinho, me passa suas mãos e me faça cosquinhas?” Tirei os dedos daquelas mãos jogadas para se perderem na vida e joguei ao chão. Caminhei por entre os corpos mortos e despedaçados que um dia me amou e me implorou por amor, aqui estou eu agora, querendo carinho, e só tenho memórias e corpos mortos. Empurrando os corpos mortos, despedaçados, decapitados, sem vida, sem amor, e este me rodeando, me penetrando me mostrando que esta aqui, ao meu lado e eu não o alcanço, sinto a fome de amar, é dolorido, sinto a ânsia de beijar amando, de ter o corpo amado, não posso amar. As cabeças parecem me sorrir com lábios tristes, com sorrisos mortos, sem olhos, eu os engoli, ou os joguei por ai. Minha maldição irá viver comigo sempre, e sempre não poderei reconstituir esses corpos, não com meu amor, que este, eu não tenho.  Tirei minha roupa, roupa feita por depressão e tristeza, emaranhada na minha alma e no meu rosto cadavérico sem emoção, amor, que lágrimas se secaram, um rosto lindo, que não será mais desejado, a beleza o consumiu, e me fiz nua para olhos que não irão ver, mãos que não acariciarão, lábios que não beijarão, braços que não abraçarão. Mergulhei no rio de sangue, sangue de amor. Não é mais o sangue que o amor em líquido, não mais que o sangue que os carinhos derramados? Mergulhei e me afoguei nas lembranças, nas memorias e no cheiro, ah o cheiro, cheiro de coração partido, estes que mergulham ao meu lado e sempre me perseguirão nas memórias passadas e no futuro proposto. Os corações me perseguindo, me rodeando, neles, neles que se encontraram o amor que virou raiz e eu a arranquei, joguei aos cães, me punindo, os perseguindo e eles fogem de mim, como se eu fosse um monstro. Não sou?! Coloco a cabeça para fora e vejo meu mundo de sangue, rodeado por corpos decapitados, despedaçados, sorrisos tristes e sem amor. Minha maldição, maldição do amor. 

Anúncios

Foi e quando voltou faltava partes.

– Estou com saudades de você.
– Mas eu estou aqui do teu lado.
– Não, saudades do “você” que não existe mais. 
– … 

Image
Pensamentos são estranhos, o corpo fica e a mente vai. E em alguns ela não volta de todo. Não de todo.

 

Um pedido, um clamo por socorro.

Image
Em coração de mulher abandonada, habita adagas.

 

Estou tão triste, tão triste.
Eu grito por socorro,
ninguém me ajuda.

É essa a dificuldade do poeta,
 todos acham que a alegria nele habita,
que sentimentos de papel são sentimentos vazios.

Eu te digo, pois agora,
 é tudo mentira.
Essa mentira que em mim se aloja
 trás águas a esses olhos vazios.

Eu clamo por ajuda,
mas nem as paredes me escuta
cada grito é uma lástima
jogadas para o tempo perdido.

Estou apaixonada,
confesso, é esse meu motivo
mas minha tristeza não é de agora
ela vem desde que eu era só uma mocinha.

Ajuda-me homem belo,
que vejo beleza nas palavras
meus olhos são cegos
para toda essa beleza de fora.

Estou tão sozinha, tão sozinha
bebida já não me ajuda
ela apenas reforça minha memória
me faz ver em toda parte
aquele sorriso perdido
sorriso que já não me namora.

Eu peço, clamo, imploro,
mais uma vez apenas,
ah, mentiras e mais mentiras,
clamarei todos os dias
que um dia você volte.

Esse é o defeito das mulheres,
todos pensam que é pelo período do mês
mas eu bem sei que essa minha falsa alegria
é tristeza, é amor não correspondido,
não é embriaguez.

Ajuda-me meu caro leitor,
você que vai ler essas palavras
se lembre de que em cada verso
existe uma rima com dor.

Pense bem em minhas palavras,
meus dias estão tão vazios
meu coração está tão ocupado
em lembrar a todo instante
que o que eu vejo,
o que eu sinto,
é tudo, tudo um grande abandono.