Conversa á dois.

-É assim mesmo. É normal, nossos pais nos criam para sermos aquilo que eles querem e quando não somos eles se rebelam, até que se dão conta do que somos e nos aprende a amar novamente. O que é lindo. Uma pessoa aprender a amar a outra. Eles nos amam desde o momento em que estamos no útero, é um amor que nasce. É algo que se cria do nada, não se aprende como o amor de homem e mulher. Esse amor é algo que se aprende. Mas os de pais, eles nascem, brotam. E quando eles descobrem que somos pessoas diferentes eles tem que nos amar novamente pelo que somos, o que somos? Vai me amar quando descobrir meus segredos? 
Eu sei, fica tranquilo meu bem, tudo vai dar certo. Tudo, o mundo é nosso, se Deus nos ama ele nos vai ajudar. Crê Nele que Ele tudo pode.

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Não deixe que a preguiça seja maior que a vontade.

Tem pessoas que gostam de assistir novela, tem pessoas que gostam de filmes. Tem os que vão ao teatro. E tem Marcelo. Ele assistia Leticia, atriz da vida no décimo andar. Ele morava ao apartamento do prédio á frente, décimo segundo. Sabia da vida dela o suficiente. Acordava ás Seis horas, voltava ás Treze horas, depois voltava ás Dezoito horas novamente, então fica em casa e geralmente não saia mais.
Era alta, magra, tinha os cabelos muito curtos, a pele morenada, olhos profundos e entre o mel e o verde, uma mulher muito bonita, mas não ligava tanto para a beleza.
Hoje, sexta-feira, ela se levantou, abriu a janela e esticou o corpo para a vista de fora ornada de carros, prédios, pessoas, casas e comércio. Marcelo trabalhava em casa, mexia com computadores, era um pouco caseiro, até muito, talvez.
A mulher, cujo nome havia descoberto em certa ocasião que passava perto dela e escutou uma senhora a chamando e sorrindo. Pura sorte, diz ele.
Leticia saiu do quarto, e Marcelo aproveitou a oportunidade de pegar café, ele havia parado com o cigarro, sua bica ficava seca de vontade de dar um trago, paciência.
Leticia voltou, hoje ela estava pensativa. O amor platônico ainda hoje existia, desses que o coração se aperta ao ver a quem se ama. É concreto? Só o amante o pode saber, só ele quem sofre grande dor.
Ela fumou um cigarro, por um momento Marcelo achou poder sentir o cheiro, o sabor. Por um momento apenas. Três anos a conhecia de longe, amor a primeira vista, mas Marcelo era covarde, fraco, se escondia atrás de uma janela, uma desculpa esfarrapada. Leticia ás vezes o olhava, de longe ela sabia que era admirada, não se importava, se coração estava vazio.
Marcelo a olhou uma última vez antes que se fosse, o barulho do trânsito estava alto, as pessoas falando, tudo se juntou numa massa de som subindo até o andar dele. Assim que Leticia desceu as escadas o sinal fechou, por um momento quase inexistente tudo se silenciou, Marcelo tomou um pouco de café, olhou um carro de longe. Três longos anos amando daquela forma, como um telespetador com sua musa ao longe ficava a observando.
“Coragem homem, ela não irá cair de paraquedas na sua janela”, mas palavras vazias não movem montanhas, ou ao menos homens covardes.
O carro virou uma esquina e quase atropelou Leticia, ela caiu no chão e se arranhou, o coração de Marcelo parou, será que veria aquela a quem amou de longe morrer? Será que seria covarde ao ponto de não se mover? Marcelo deixou o café de lado, se levantou e se foi, correu escada abaixo, sumiu na esquina que dava para a onde Leticia havia caído.
Talvez, por um momento o medo de a perder foi maior que seus medos, talvez ele foi até ela, talvez. Existem tantos talvez que as pessoas se esquecem de viver e ver se serão concretos. Talvez seja apenas medo, mas medo não é desculpa para não viver. Até crianças crescem e perdem o medo de escuro. Claro, nem todas.

O homem e o tempo.

O relógio passa rápido para ele que o olha a cada segundo. Não entende que o tempo não respeita os homens, apenas a si mesmo, ou pensa querer acreditar nisso. Ele prefere guardar como um segredo para si mesmo, um segredo de todos, que os olhos tão ágeis capta nas pessoas, a essência. Os sentimentos são diferentes para cada um, para ele também, ele não os tem, é uma incógnita para si próprio e vive tentando desvendar “Por que sorrir?” e ele ficava tentando sorrir, queria sorrir, ele o faz, mas não há vida no teu sorriso, ele não o sente.
O relógio continua lento e preguiçoso, os segundos passam rápidos. Mais um tempo sem sentir, ele se pergunta “Quanto tempo leva pra sorrir?”. Sem o sorriso ou os sentimentos o tempo continua sem esperar por ele. 

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Quanto tempo leva pra ver o tempo?