Meu sobrenome é pecado.

Estou há dias jogada. 
Me transformei numa ordinária.
Meu bordel está cheio de almas. 
Mais uma esposa abandonada. 
Outro marido perdido em meus lábios. 
Meus seios molhados de suor e gozo.
Imagina se sou feliz, imagina se quero isso. 
Minhas curvas desgastadas.
Meus caminhos mal andados.
Fui jogada pela vida. 
Moça bem vivida.
Não me use meu bem. 
Não me deixe jogada. 
Ensinei a muitos amores, a muitas dores.
Ensinei ser feliz. 
Dei amor.
Dei de mim.
Hoje não sou mais nada.
A definição de abandonada foi cravada em minha alma. 
Sou sorriso. 
Desperdicei meu cigarro.
Acabou minha festa. 
Dormi no domingo. 
Afinal, quem eu sou?
Me toque meu bem. 
Goze.
Não me deixe. 
Vá.
Fui amaldiçoada pelas palavras. 
O que foi dito não volta eras há trás. 
Meu sobre nome é pecado, mas meu bem, me chama de amor. 
Minha vida de labuta.
Sorri para trás.
O que dei não está escrito. 
Me chame de amor.
Borrei meu batom vermelho num oral com a vida. 

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Intrínseco na íntegra. Os corpos que não falam.

O suor corria no rosto de forma que as pequenas gotas fizessem cócegas na pele morena. Ela abriu os olhos e seus longos cílios afastaram com o suave arfar o grãos de terra que o vento trouxe do leste. A boca rosada se mexeu, balbuciou algumas palavras e se fecharam novamente. A compreensão estava longe.
De costas se via a longa linha de seu corpo, as curvas de sua cintura, toda geometria simétrica de forma reunida e delicada. Ela se moveu. Os longos cabelos lisos se mexeram abrindo em um leque de pura maciez deixando o aroma de pêra no ar.
– Catarina. – Disse. Quem disse? Is nossos pobres olhos que sofrem de miopia, astigmatismo, hipermetropia e tantas outras doenças não nos deixa ver o que nem os olhos sãos não veem.
– Te esperei. – Não havia necessidade de falar o que o corpo já dizia. Ela sorriu e os seus generosos lábios se curvaram de uma forma que os deixava arredondados e ressaltava o buraquinho no queixo.
– Catarina – Ela não escutava. O corpo arfou, de um lado se via a noite e do outro o dia já se fora. 
Agora ela não estava sozinha.
– Mon amor. – Brasil parisienses de forma que ela não dormiu na noite quente. Quem dorme nessas noites quando se tem amor pra dar e ganhar?

Afogar, nadar. Estando em certos braços é como estar nos braços do mar.

– Me Excite – Ela dizia. Mas seus lábios nada faziam.
Como posso eu a beijar, se ela estava lá, tão longe na água como sereia?
Os olhos semicerrados pela luz pareciam pequenos botão de rosas douradas.
Não me olhe. Ela clamava, mas suas palavras não denotavam vergonha.
Me abraça, os braços se esfregavam.
Mas ela estava tão longe de mim, estou tão frio aqui.
O corpo sensual com curvas exóticas.
Beijos, meu bem, beijos matam.
Minha mente sabia que eu tinha de resistir, mas meu corpo estava cada vez mais perto da margem.
-Você é sereia? – Eu perguntei.
Mas ela riu, levantou as pernas bem torneadas
– Eu pareço sereia amor? – As pernas me gritaram. Me apertem, elas diziam.
Eu já estava me afundando quando entrei.
– Não sei nadar.
– Eu te salvo. – Eu entrei e ela me beijou, ela me beijou e me segurou.
Ah, mas ela não sabia, não sabia que eu já havia me afogado.

Imagem
Por que tanta roupa meu bem? Fique como ao mundo todos vem.

Fotografia de: Anna Marinho.
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