Diga meu nome.

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Por que já não me ama? Ou apenas não me escuta? Achei que eu estava até nas batidas do teu coração, achei que cada batida fosse um grito meu de socorro. Achei que…

Eu tenho um nome, diga ele. O sussurra, tem medo de que?
Não me evite. Eu imploro, eu grito se quiser, só não me deixe. Diga meu nome, porque tem medo? Porque não o diz? Porque olha para as paredes e chora? Não me vê quando te olho, não me sente quando te toco? Me olhe, diga meu nome! DIZ! Estou tão sozinha, está tão frio, está tão dolorido.
Tenho medo de te perder, já não olha minhas fotos, já não fala de mim para seus amigos.
Eu tenho um nome, todos o sabem, eu tenho um rosto, todos se lembram. Olha pra mim, estou te tocando, não me lembro dos teus sorrisos. Eu juro que não brigo mais contigo, eu não sei viver sem você.
Para de olhar para as paredes, olha pra mim, olha!
Estão chamando na porta, vá ver quem é.
– Quem é essa mulher? Quem? – Eu tenho um nome, diga pra ela.
Por que está passando a mão no rosto dela? Você tem que fazer isso comigo, apenas comigo. Chega de segredos, chega! Preciso te ter!
– Só mais um segundo – Estão me chamando, estão me gritando, estão me sugando.
A mulher o está beijando? Não me deixe, não me deixe. Nem lágrimas me restam, são águas que caem secas para o tempo, já não me encostam. Estão me chamando.
– Eu tenho um nome, diga ele. – O homem olhou espantado para a mulher que estava na sua frente, a ultima que dizia isso já havia ido embora há muito tempo, muito tempo. O tempo a levou, assim como a morte foi sua acompanhante.
Não havia mais frio na casa e nem cheiro de baunilha, tudo havia sumido, assim como aquela sensação de ser observado e o constante calor em seu rosto, sua bochecha.
A mulher o olhou assustada e depois sorriu, os dois saíram do apartamento e fecharam a porta, antes que ele trancasse ele sentiu uma ultima vez o cheiro de baunilha antes que ele sumisse.
Aquela mulher já não existia, não no mundo, mas continuava ali no seu coração, ou talvez não. 

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Lembranças.

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Covardia é tentar não admitir, mas é coragem lembrar.

– Eu ainda lembro de você – sussurrei baixinho. – tento esquecer ou me enganar com mentiras, mas é vivida a imagem do teu sorriso escancarado, ou dos teus olhos estreitos.
– Eu ainda lembro-me de você – Dos beijos, abraços quentes, da pele amorenada, lembrando a canela, minha morena. Das caretas. Até das lágrimas. Mas se foi com o tempo, como uma pena velha se desmanchou em minhas mãos. Eu se lembrar de você não irá trazer de volta aquilo que se foi. Saiba apenas, eu ainda lembro-me de você.
Lembro-me do cheiro exótico, poderia me lembrar aqui e agora. Fui covarde o suficiente para não jogar suas coisas foras, estão todas guardadas aqui dentro.
Eu sei, deveria ter queimado, mas ás vezes, raridade, eu me pego olhando e sorrindo. Deveria tentar outra vez, mas também sou covarde ou orgulhoso de mais para lembrar. Queria tanto… Melhor esquecer, ironia é que será algo impossível, ninguém esquece a primeira, é mentiroso quem afirma. Sempre vou me lembrar do teu cheiro, sempre serei covarde de mais para jogar tuas fotos fora, e covarde de mais para olhá-las, estão todas guardadas, escondidas. Sempre me lembrarei de você.
Se encrustou no meu peito e apertou num aconchego, mas não é bom, é saudade e saudade trás solidão, mesmo que agora minhas palavras de amor sejam para outra, ela nunca será você, e me vejo a olhando e a comparando contigo, até mesmo a pele amorenada, até mesmo a covinha disfarçada, até mesmo os olhos estreitos, até mesmo nossa intimidade, até mesmo… Covarde de mais e orgulhoso de mais, não sei. Talvez os dois, tanto faz, sei que sempre irei sofrer e olhar para a outra tentando te esquecer. 

Incerto ou certo?

Essa dor, essa dor que não sai de mim! Essa dor que me agonia e enche meus olhos de lagrimas e eu só quero gritar, me pergunto na calada da noite, na solidão da minha cama, o por quê eu?! O que eu fiz? Amei. Me disseram que o amor era lindo, uma fantasia, fogos de artifícios, arco íris. Mentira! Por que você mentiu pra mim quando disse que meus olhos eram os mais brilhantes, que meus lábios eram os mais doces, minha pele a mais límpida, meu corpo o mais suave, e eu a mais linda? Sádico o amor, ou sádico você? Sádico os dois?! Sabe o que me atingiu, o que me cortou e abalou o coração, foi ver seu sorriso, aquela sua covinha no canto que tanto me encanta, lindo e não meu. Não mais! Por que me iludiram me dizendo que o amor era o poço da felicidade? Nasci pra sofrer? Sempre me dizendo que me amava, agora eu sei que o amor nada mais é que dor. Há aqueles que amam de verdade, que não sentem dor. Quando sentirei esse amor? Ou até posso dizer que o amor tem prazo de validade, tem um fim. Presta atenção nos meus lábios doces que não mais você beijará, no meu sorriso alegre que não será mais dedicado a ti. Amarei novamente, ou amarei, porque a dor que senti, a alegria que senti não era amor, era a dor, o fogo, o tempo. Eu te amo. Te odiando e te querendo. Não, eu não mais te amo! Apenas fecho os olhos e durmo em paz, agora já posso dormir. E sonhar com uma certa covinha que ainda não decidi se amo ou odeio …