O amor é velho como ontem.

Venha Sofia, brindar-me com teus beijos.
Não o sabes que todos meus escritos são para ti?
Minha amante secreta, cuja dança faz só nos meus sonhos.
Sofia, Sofia, não sabe que hoje é segunda-feira?
Pobre de mim que sou homem.
Sofro de amor platônico.
Tu estás presente em minha cabeça.
Mas não em minha cama.
Sofia, minha amiga, ilude-me até nos sonhos.
Aí de mim homem apaixonado, já não posso mais a ter pra mim, já se faz um ano que minha Sofia se casou com outro.
Ainda parece que foi ontem.
O amor já me amarga no paladar como meu conhaque velho na estante.

Mulher nasce com seus próprio encantos.

Uma máscara cobre os teus olhos.
Erotismo correndo em tuas veias.
Ah, os seios, se insinuando por baixo do vestido justo.
Ela, pobre menina, não sabe o quanto me excita.
O sabe e finge inocência.
Mulheres e seus encantos.
Os lábios, sorriem travessos, gostos dos cheios, os dela nem são tanto, mas me cativam de um jeito…
A pele alva me chama, parece dizer “Venha pobre homem”.
Os olhos escuros por baixo da máscara me gritam, me olhe toda.
O quadril largo balança, num doce embalar.
Vai e vem, vai e vem, assim o fazem.
Ela agora para o que faz, me olha de longe deixando-me bêbado.
Sorri novamente me mandando saborear.
Venha menina, venha até mim.
Mulher cruel, eu diria.
Ela sai do salão e vai para o jardim.
Convite feito o aceito.
A noite mal começou, somos eu e ela, uma criança.

Decifra-me. Cuidado com as vozes.

Os dedos longos e finos, tinham feridas nas pontas, as unhas sujas de sangue. A mulher estava deitada na banheira com apenas a cabeça e braços de fora. Fumaça subia indicando que a água estava quente.
Ela pegou um cigarro e isqueiro, suas mãos tremiam sem parar, tentou o acender várias vezes, até que por fim conseguiu. Ela levou a mão trêmula com o cigarro até os lábios secos e feridos, puxou forte e soltou a fumaça, o corpo está magro mostrando os ossos, a pele pálida estava cheia de hematomas e algumas feridas. Ela começou a chorar
– N-Não consigo. – Os olhos fundos se arregalaram. Ela continuou tremendo, fez uma expressão triste no rosto, como uma garotinha desobedecendo a mãe
– Eu não quero. Me deixem em paz! – Um novo hematoma apareceu no rosto magro. Lágrimas se derramaram, ela pegou o cigarro e o sugou mais forte, jogou as cinzas na água.
– Não quero, eu não posso, entenda! – A mulher olhava para três direções diferentes. Ela terminou o cigarro, jogou-o na água e sorriu, seus dentes eram pequenos, desregulados e amarelos, quase podres. Ela tinha um sorriso forçado.
-Eu odeio vocês! – Disse tão baixo como se disse para si mesma, outro hematoma, mas dessa vez um pequeno filete de sangue saiu do rosto descendo até a água e deixando o rosto limpo.
– Por que eu? Por que? – Começou a cantarolar. A mulher se levantou da banheira, foi andando pelo banheiro deixando poças de água atrás de si. Vestiu um vestido cinza sem caimento e detalhes, colocou botinas pretas e pesadas. Assim que abriu a porta o ambiente mudou, por onde andava havia portas fechadas, cada uma com um número, ela entrou em uma sem numeração, o cômodo estava escuro, tirou a roupa, as botinas, passou a mão no cabelo e entrou em outra banheira, nessa havia vermes e larvas no lugar de água, ela silenciou e olhou nas três direções distintas
– Não posso, não posso fazer! – O semblante da mulher era de pura tristeza. Um hematoma maior foi feito no braço magro, não saiu sangue, mas não foi isso que a fez chorar, sua voz tinha amargura, medo, tristeza, pavor
– Por favor, não façam isso, não façam, não a ele, não façam. – Mas as lágrimas teimaram a sair, um grito mudo saiu de seus lábios, seu rosto recontorcido em dor, seus olhos cheios de sentimentos ruins. Seus lábios secos feridos. Ela começou a arranhar a parede enquanto mexia o corpo num balanço amargurado
– Vocês prometeram – ela dizia sem vida – ele não, ele não, ele não, prometeram, ele não, mentiram, ele não – das unhas as feridas se abriram, sangue começou a pingar, as larvas e vermes se mexiam na pele na mulher, subiam e desciam, mas assim que o sangue pingou milhares se juntaram ao dedo e começaram a tomar o sangue.
– Não ficará assim, sabe por quê? Não lhes darei o que quer – ela sorriu com o rosto sombrio mostrando os dentes podres e gengivas escurecidas ao quase preto.
– Eu darei o que querem, mas não o que precisam. – Dito isso ela mergulhou nas larvas e vermes. O banheiro continuou em silêncio, a única coisa que tinha era as pernas se mexendo e as mãos segurando as beiradas fazendo ficar com as panos brancas, mas o restante do corpo estava mergulhado em vermes.
Depois de vários minutos os braços caíram e as pernas afundaram. Não havia mais força, não havia mais vida. As larvas deixaram o rosto de fora, este tinha um sorriso debochado, misto com dor, tristeza, amargura, sofrimento. Os olhos abertos não tinham vida, na boca e nariz vários vermes se ajuntaram, mas depois de um tempo as luzes do banheiro se apagaram e qualquer coisa que estivesse lá havia ido. Todos os três.

Quanto vale um dia?

(Não sei ao certo o que seria uma história, estou realmente confusa, mas irei lhe mostrar essa. Uma história que sempre vejo, percebo. (C. Voador)

 

Existem formas de passar para o papel estórias diferente, existem formas diferentes que cada pessoa entende o que lê. O meu papel? Passar para o papel, não o fazer entender, o entender é seu, único, sua prova de saber.
Essa é uma história de tantas outras, uma história de ser, estar e transformar.
O ser é o mais difícil, o que você é? O que te faz ser? Quem é você?
O estar é o presente, é como você está, não fisicamente, não psicologicamente, um não separa o outro, os dois. Está feliz? Triste?
O ultimo, o transformar você é, você está, mas você pode mudar, como mudar?
Isso não é autoajuda, isso são perguntas nas quais não se perguntam, perguntas que deixam passar, perguntas cheias de hiatos e incógnitas.

 

– O dia está agradável. – Uma afirmativa na qual não seria respondida, assim como todas as outras, mas um habito é um habito, e hábitos são difíceis de mudar. Este era um bom habito.
A mulher sabia que a afirmativa ficaria sem comentário, e isso lhe dava uma ânsia, uma coisa que ia subindo como um vendaval, dava-lhe vontade de chegar até a menina e a sacudir, a balançar, gritar para saber qual seria a resposta. Ela já sabia, provavelmente a garota iria chorar.
Ela ia empurrando a pequena cadeira de rodas com a garota sentada, a pequena olhava para os lados e fazia sons incoerentes. O cabelo longo, cacheado e escuro estava preso em duas pequenas partes.
– Estou cansada disso. – Délia murmurou mais para si do que para a menina, que não entenderia, além do estado físico incapacitado o mental também o era.
Délia havia ido há vários médicos, tentou vários tratamentos, mas todos diziam a mesma coisa
Ela ficará assim para sempre. – O que Délia faria? Nada, estava condenada a uma vida sem graça, cuidando de uma doente incapacitada.
Ela esticou o corpo e olhou para os lados antes de atravessar a rua. Droga, não tem rampa para deficiente nesse meio fio. Ela pegou a cadeira e com dificuldade conseguiu subir até o passeio, as pessoas passavam e não diziam nada, não ajudavam, alguns olhavam rapidamente e desviavam o olhar temendo que ela pudesse pedir ajuda, outros saiam de perto.
Délia já havia se acostumado com pessoas assim, na verdade ela preferia não ter ajuda de pessoas com olhares de penas e perguntas inconvenientes.
Só tenho a droga dos 20 anos, eu deveria estar namorando agora, ou talvez estudando ou talvez numa festa. Délia sempre reclamava de tudo, sua vida não era das melhores, nem sua aparência. Ela continuou andando enquanto refletia, tinha o cabelo escuro como o da irmã, mas o seu era liso, sem vida, sem volume, apenas liso e escuro. Os olhos eram profundos e caídos, como se ela estivesse sempre triste. Os lábios pequenos e finos numa linha, com quem não diz muita coisa. O nariz grande, a pele pálida, não de uma forma bonita, a contrario, era um pálido cadavérico.
Ela continuou empurrando a menina e ás vezes dizia coisas, os médicos recomendou que ela conversasse com a menina, Delores, a menina chamava.
– Está ficando tão quente, não está? – Ela não se importou com o silencio, continuou falando. – Eu gostaria, de verdade, de sair, de viver, você é um peso morto, um encosto, um atraso de vida. Eu aqui nova, tenho que cuidar de você, uma garota inútil de 12 anos. Deus! – Ela se sentou num banco e deixou que o sol batesse em seu rosto, a garota tinha o olhar triste, estava do lado de Délia.
– Desculpa Dê, não foi minha intensão, talvez tenha sido. Talvez. – Ambas estavam no parque olhando as pessoas, algumas crianças corriam e várias pessoas passavam, uma indo trabalhar, outras voltando, outras caminhando apenas.
Mas quase todos desviavam o olhar de pena das duas. Alguns evitavam. Passou um grupo de rapazes, Délia olhou para eles esperançosa, um deles, mediano e moreno olhou para ela, quando viu sua irmã fez olhar de pena e desviou o olhar.
Délia suspirou conformada, era sem assim, afinal.
Trabalhava em casa, ganhava uma pensão do governo pelos pais mortos, uma para ajudar com a irmã deficiente, um bom dinheiro até, apenas para as duas.
A garota apontou para umas crianças correndo atrás de um balão verde e sorriu, começou a dizer coisas incoerentes novamente, barulhos que só ela entendia.
– Quero um sorvete. – Délia se levantou e foi até um homem com carrinho de sorvete, comprou dois. Ele lhe entregou o troco e os sorvetes, mas não olhou para Délia.
Alguns até eram legais, outros fingidos, mas na maioria das vezes eles se faziam de cegos.
– Aqui, para você. – Délia entregou para Delores o potinho de sorvete e a ajudou abrir, a garota começou a tomar com dificuldade o sorvete. Délia a ia ajudando enquanto tomava o seu.
Uma senhora se sentou do lado delas e sorriu.
– Que dia quente menina, um sorvete é a melhor coisa! – A senhora cheirava a flores. Délia não sabia o que responder, era a primeira pessoa em meses que conversava com ela espontaneamente.
– Aceita? – Sua voz saiu um tanto estranha. A senhora balançou a mão dramaticamente e continuou sorrindo.
– Não, obrigada filha, já tomei o meu! E que linda menina, como se chama meu bem?
– Ela não fala.
– Então me diga você o nome dela.
– Delores.
– Olha só, como é diferente, o da minha mãe era Dolores. O meu é Rita e o seu?
– Délia.
– Lindo nome Délia – Délia sorriu envergonhada e continuou tomando o sorvete, ora ajudava Delores.
– E você é irmã dela!
– Uhum
– E seus pais?
– Morreram – A senhora colocou a mão no peito.
– Oh, que pena, mas ao menos você a tem, meu marido morreu e nós não tivemos filhos, agora sou sozinha! – A senhora deu um sorriso triste, se levantou e deu um beijo em Delores, depois em Délia.
– São boas garotas, se cuidem, fiquem com Deus. – A senhora se foi assim como chegou, do nada.
Délia sorriu, algo nela se acendeu, não sabia ao certo o que era, mas ela sabia que ela era viva, estava viva e é viva. Podia respirar tranquila, não estava sozinha.
Sorriu para a vida, se levantou e deu um beijo em Delores.
– Realmente, uma linda garota. – O dia havia se tornado mais bonito. 

Pequena pedra.

– Melinda – o homem suava nervoso -tem certeza? – A mulher alta de cabelos curtos rentes à cabeça sorriu fazendo os olhos brilharem.
– Vitor, se eu estou nessa, se eu entrei nessa, desde antes, desde agora é porque eu tenho a mais absoluta certeza. Não precisa ir comigo. – O homem louro passou a mão no cabelo e suspirou frustrado.
– Mel, começamos isso apenas para acabar com sites de pornografia infantil, isso que você quer fazer agora é loucura.
– Loucura Vitor? LOUCURA TER CRIANÇAS AÍ NAS RUAS, NAS CASAS SENDO ESTUPRADAS, SENDO TORTURADAS? ACHA QUE ESTOU LOUCA? ACHA? – Ela começou a gritar com ele, correu até o homem e o abraçou.
– Confie em mim Vitor, precisa tirar apenas uma pedra pequena para causar uma avalanche, eu sou a pedra pequena Vitor, eu vou causar a avalanche.
– Você sabe, esses homens, isso não é apenas crianças, isso envolve mais, você se tornará uma figura pública, você correrá riscos. Irá haver rejeição. Não quero te perder. – A mulher beijou a bochecha do homem e passou a mão no cabelo louro palha.
– Vitor, confie em mim, estou disposta a morrer, não que eu seja suicida, confie em mim. Você me conhece há anos. – Ela sorriu para ele, pegou a bolsa, vários folhetos na mão e mandou um beijo de longe.
– Eu te amo Vitor, vamos conseguir isso. – O homem se sentou no chão do apartamento, era mais que um galpão velho que Melinda havia decorado de várias formas únicas. Ele ligou o computador onde havia mais de três monitores, duas CPU e começou o seu trabalho
– Seus desgraçados filhos da mãe vamos acabar com isso agora! – Ele iniciou o processo de destruir sites de pornografia infantil. – Sou a droga de uma pedra grande seus porcos.

Melinda deixou a bolsa no carro, colocou o celular no bolso e pegou os folhetos. Ela não conhecia ninguém disposto a lutar, iria começar sozinha, os outros viriam com o tempo.
– Vamos lutar contra a pedofilia. – Melinda gritava e entregava os panfletos. Ela havia colocado uma placa perto de si “Ajude a combater esse mal, junte-se a nós contra pedofilia”
Pessoas passavam e ignoravam Mel gritando e entregando o panfleto, alguns paravam e lhe davam dinheiro, ela dizia que não, que queria que lessem o panfleto. Não adiantava. Ela já havia passado o dia todo entregando panfletos.
Ela ligou para Vitor para saber se ele estava bem, ele estava enojado, havia entrado em um site, estava difícil sozinho.
Estava vindo um grupo de adolescentes em direção a Melinda, ela suspirou alto.
– Ou tia, o que tu tá fazendo aí? – Ela sorriu mostrando cordialidade a eles.
– Estou tentando fazer as pessoas aceitarem os panfletos e verem que existe crianças neste exato momento sendo estuprada, sendo torturada… – Os olhos dos garotos se abriram
– E como tu faz isso? – Melinda sorriu alguém estava interessado.
– Bom, eu entrego os panfletos falando para as pessoas cuidarem mais de suas crianças, manterem elas perto, lutarem para que esses sites possam ser derrubados, meu namorado ele hackeia os sites e os destrói, coisas assim. São dicas, são pequenos gestos, pequenas coisas. – Os meninos começaram a se cutucar e falar entre si.
– Vamos ajudar então senhora! – Mel sorriu agradecida, entregou panfletos a eles.
O dia passou rápido com eles ajudando ela, as pessoas continuavam pegando, ou dando dinheiro, algumas a abraçava, outras contavam casos de histórias de família.
Um homem passou com sua filha, ela mostrava várias coisas a ele, mas ele falava ao telefone e não prestava atenção nela, Melinda chegou até ela e sorriu, uma oportunidade louca.
– Olá meu bem, está dando passeio com o papai? – A menina a olhou desconfiada, mas logo fez beicinho
– Ele não esta nem aí pra mim, só fica trabalhando. – A mulher pegou na mão dela e a levou até o banco, perto do pai.
– Fica aqui, onde possa ver o teu pai, vou te comprar um sorvete, pode? – A menina sorriu mostrando a falta de dentes e ficou balançando a cabeça e dizendo “Sim, sim , sim!” Melinda logo voltou com o sorvete e entregou a ela.
– Já volto, vou falar com seu pai, fique com meus amigos.
Ela chegou perto dele, cutucou seu ombro, ele a olhou irritado
– Sai fora, quero comprar nada não. – O corpo de Melinda se encheu de raiva.
– Sua filha sumiu senhor. – O rosto do homem ficou transparente.
– Como assim? Marcela! – Ele começou a gritar e olhar para os lados.
– Um homem velho a levou senhor. Não viu? Sabe o que eles fazem com garotinhas como ela? Eles a dão banho, a limpa, coloca num quarto rosa, cheio de brinquedos, ligam uma câmera, então, só então eles a estupra. – O homem começou a ficar ofegante, não achava sua filha, por mais que ela estivesse ali na sua frente, a garota estava se divertindo com o sorvete e caretas dos garotos.
– E depois eles a torturam, eles deixam ela no quarto, diz para que os chame de papai, eles a veste com vestidos Lolita.
– Sua bruxa, cadê minha filha? Para com isso!
– A culpa é sua senhor, sabia? Você está aí falando no telefone, não está dando atenção a ela. É sua, ela será estuprada e a culpa é sua, e é quase impossível a achar, sabia?
– Cala a boca! Marcela! MARCELA! – Os olhos do homem se encheram de lágrimas, ele olhava para todos os lados, quando viu a garotinha veio em sua direção sorrindo
– Olha papai, essa moça me deu sorvete
– Poderia ter remédio no sorvete senhor, sabia? – Melinda continuou falando para ele, várias pessoas pararam e olharam, os jovens continuavam gritando
– LUTE CONTRA A PEDOFÍLIA, PEGUE O PANFLETO E JUNTE-SE A ESSA CAUSA – As pessoas pegavam panfletos e olhavam, depois ficavam olhando para cena na frente.
– Não seria um homem só que faria isso com ela, seria vários, ela nunca seria a mesma, nunca mais. – O homem ficou vermelho, jogou Melinda no chão e começou a bater no rosto dela
– Cala a boca sua estúpida, ela é uma criança! – Melinda ria entre as pancadas
– ELA NUNCA SERIA ACHADA, NESSE MOMENTO EXISTEM MILHÕES DE SITES PORNOS, NESSE MOMENTO EXISTE MILHOES DE USUARIOS ONLINE. SABIA? – O homem cego continuou, até que umas pessoas o tiraram de cima dela.
Melinda se levanta com dificuldade, cospe o sangue de seus lábios, uma mulher veio com vários panos e remédios para ferimentos
– Isso homens e mulheres é o medo de um pai de perder uma filha, e os que já perderam? E os que lutam para achar? O que vocês fazem? Ajudam? Lutam contra? NADA! Eu dei apenas um sorvete para essa garotinha e ela poderia me dizer até onde mora, imagina senhores o que esses homens fariam com os seus filhos? ESTUPRARIAM, SEQUESTRARIAM, TORTURARIAM E ENTÃO, SÓ ENTÃO MATARIA E O CORPO NUNCA SERIA ACHADO, apodrecendo em uma vala perdida, só Deus sabe onde jogado.
Acha que é idiotice lutar por isso? Acha? Eu sou apenas uma pedra pequena, sou apenas uma, mas eu vou lutar! Eu vou lutar e ajudar as pessoas a acabarem com esse mal, serei a pedra pequena, mas serei a que fica no sapato causando ferida aos pés desses malignos e um dia causarei uma avalanche! Seja uma pedra pequena, lutem! – Melinda começou a tossir e se sentou, envolta várias pessoas batiam palmas, o homem abraçava a menina chorando, policia e ambulância já havia chegado ao local, assim como repórteres.
Melinda continuou sorrindo entre ferimentos e lágrimas, ela já havia provocado um pequeno deslocamento nas pedras, ela sabia que de uma a uma isso acabaria, só tinha que continuar lutando.

Curso de preparação á dor, ou á vida?

Estou dando voltas no meu carro há meia hora. Briguei novamente com o Paulo, estou cansada dele já, infantil, irresponsável, não sei se quero ele como pai dos meus filhos.
Que lugar é esse! Não há saída, droga, vou voltar o carro. Melhor acender luz alta, está muito escuro. O que é aquilo? Uma menina? Uma criança? Essa hora? Duas e trinta e oito da madrugada.
Meu coração se aperta diante ao quadro na minha frente, mas quando olho melhor eu vejo um homem. No rosto da menina há um misto de prazer, medo, vergonha, nojo. Ela me vê, seus olhos se enchem de água, aquele homem nem ao menos percebe isso. Meu coração continua acelerado. Eu chego com o carro mais perto, trouxe meu esprei de pimenta, é uma loucura, penso rápido. Paro o carro com a luz direcionada neles, coloco meus óculos escuros e minha jaqueta de couro preta, ótimo, pego o celular, deixo no 911 só pra garantir.
– Hey, sai daqui sua vaca. – O homem diz com a mão nos olhos para desviar a luz forte. Eu dou uma risada alta, mais de nervosismo do que confiança, mas pareceu chamar a atenção dele. A menina olha desesperada paras os lados, o homem médio, gordo, grotesco levanta a calça e me olha com cara de tesão. Nojo.
– Saia daqui você. – Pego o celular e finjo falar ao telefone – Capitão? Traga mais dois carros. Certo, irei apreender o sujeito. – CSI ajudou.
– Você é tira? Por favor, eu não estava fazendo nada de mais, ela é só uma vadia. Puta barata. – O homem treme, eu seguro com força o esprei, como se ele fosse meus super poderes de herói.
– Vire-se para a parede e coloque as mãos onde eu possa ver. – Meu coração parecia esta na boca. O homem se virou, não havia saída, para fugir tinha que passar por mim.
– Você menina, entre no carro. – A garota que parecia ter 12 anos abriu a porta tremendo, ela parecia ser forte, outra havia fugido.
O homem aproveitou a oportunidade, veio correndo até mim e me deu um soco forte no olho direito, tropecei para o lado e consegui me segurar.
Droga, ele fugiu. Eu comecei a tossir com um sorriso nos lábios, me sentia uma desgraçada sortuda. Entrei no carro e comecei a chorar, a garota tem apenas 12 anos, ela estava fora de casa, essa hora, sendo estuprada, ou prostituindo.
– Dona? A senhora tá bem? – Eu parei de chorar, havia me esquecido que ela estava no carro. Meus óculos havia voado com o soco, não me importei na droga dos R$ 500,00 que eu havia pagado neles.
– Estou sim, vamos sair daqui. – liguei o radio e deixei a música calma pairar no ambiente pesado.
– Qual seu nome menina? – Eu disse depois de um tempo, ainda não havia me recuperado
– Ne chamam de Manu dona. – Ela parecia mais forte que eu
– Ele a machucou? – Ela parecia envergonhada.
– Não dona, já estou acostumada.
– Ele te estuprou menina? – A garota começou a tremer e o rosto rasgado pelo mundo maligno ficou corado demonstrando traços de sua infância perdida.
– Não dona, eu faço isso pra ajudar em casa, mãe tem mais 7 filhos, não tem o que comer. – Meu coração disparou, apertou, meu estômago revirou, minha alma se partiu.
– E quantas se… – Minha voz cortou, era nojento de mais dizer isso em voz alta, triste demais – Fazem isso?
-Só eu dona, sou a mais velha. – Eu não sabia o que fazer, meu coração gritou “ajude eles, salve eles, chame a polícia, mande prender aquele pedófilo porco” mas eu sabia que não adiantaria, as crianças seriam tomadas da mãe, a mãe passaria fome, ou se mataria, o homem não seria achado, faria isso com mais crianças. Eu comecei a chorar, não sabia o que fazer.
– Está com fome Manu? – Novamente o rubor nas faces tingidas pela vida.
– Estou sim dona. – Eu pensei em Paulo, pensei em como ele era infantil, em como ele era irresponsável, pensei em como eu o conhecia, em como ele me amava, em como ele era gentil, bondoso, trabalhador, educado.
Não existe essa de certo, existe essa de amor, ele não tem regras, e existe a vida, ela é paga as duras penas. Manu lidava com a vida, eu lidava com o amor. Coloquei o carro numa avenida movimentada e entrei num Drive-tru.
Ficamos em silêncio por um tempo, depois eu fui perguntando onde ela morava, como era os irmãos, acho que um herói não faria isso, isso era o que chama de vínculo. Juro, nunca vi uma pessoa comer tão rápido, tanto e tão sorridente na vida. Eu estava em frente a uma criança faminta, talvez uma pequena mulher. Deus ajude que ela esteja sem doenças e sem outra criança na barriga.
Pedi dez para viajem. Lembrei de Paulo e pedi mais dois separados.
A madrugada seria longa e meu coração conturbado nunca mais seria o mesmo. Percebi que a criança-mulher ao meu lado era mais forte que eu. A vida ensina bem aos preparados. Mas quem nasce preparado? Como se prepara? Preparar não é uma escolha, muito menos um regozijo, preparar é uma pena, preparar é ser marcado. Não nasci preparada, hoje iniciei o curso de preparação, acho que reprovei na primeira matéria, minha professora? Uma criança-prostituta esfomeada, Deus nos ajude, nos ajude!

Memórias de uma velha fraca, como eu, do coração.

O meu corpo nu não era o suficiente para ele, o homem queria também o meu amor.
Aquilo que não posso dar, que me foi tomado entre os becos escuros da vida. – Ela tirou o cigarro dos lábios, o que tem com cigarros? – Na época que eu cantava em bar e meu amante era a bebida.
Morri meu querido, em pensar e achar que meu amor próprio me valia.
Mas o amor daquele homem nada mais pra mim que foi passagem de trem. Emocionante nos primeiros dias, mas depois se torna cansativo, o deixei ir e levar com ele minha bagagem velha. – A risada ecoou pelas paredes velhas do quarto. – O meu corpo nu não foi o suficiente, o homem quis me dar uma aliança. Eu aceitei. Na verdade ganhei segurança, amor, meu bem, há muito tempo rejeitei. – Quem dirá que essa velha um dia já rejeitou o que as mulheres de hoje sonham para a vida? – Me passe aquele álbum. – O peguei – eu já cantei até no Plazza meu bem, os homens me desejavam, hoje nada sou que um corpo velho. – Ela me sorriu maliciosamente enquanto estávamos escutando a música inebriante dançar por nossos corações, e quem sabe, trazer recordações para a mulher idosa na minha frente e as paredes velhas ao nosso redor. – Eu o amei. – ela disse depois de muito tempo me surpreendendo – ele se foi, como todos outros, fiquei sozinha num beco escuro enlameçado da vida. Ao menos – ela completou depois de tragar o cigarro – eu fique com a riqueza que ele tanto amou, mais que eu, mais que si. – Sabe por que ele se foi? – Meneei a cabeça – eu não podia lhe dar filhos, ele os queria mais que seu amor por mim. Filhos.  – ela completou com o mesmo sorriso nos lábios, sem malícia, apenas uma memória distante, dolorida. A música continuou e a voz tão linda estava ali na minha frente, chorando as lágrimas tão reprimidas pelo tempo. O pior de tudo foi que ela também o amou.

1+1=1/2 mulher.

Você sabe a verdade, se esconde dela. Finge que não entende, mas quando te contam chora e diz que não sabia.
Não se faça de inútil, desentendido, mais um ponto negativo que me enoja.
Tenho duas escolhas, mas como sempre, opto pela inexistente.
O meu jeito grosso não vai te fazer fugir, apenas meu sentimento, desculpe querido, mas já me tornei meio mulher.

Tem bem que vem para o mal, tem mal que vem para bem.

Ela me dizia que era morta, que tudo que tocava morria
Chorava compulsivamente 
Um dia eu a abracei, disse que ficaria tudo bem
Mas o meu coração se arrancou, criou asas e voou, 
Parou em tuas mãos azarentas 
Eu que havia morrido, ela havia me roubado a vida
Sem que eu houvesse merecido
Tive que aceitar aquela morte 
No meu destino cruel fui entregado, aquela mulher solitária havia me amado
Eu a olhei num dia qualquer
– Das tuas mãos mortas nascem vida. 
Ela sorriu e me abraçou, foi um fim não heroico
Mas foi o suficiente para sorrir, 
Ela na verdade havia me revivido. 

Image
Mesmo que se passe depois de um sonho, ela vive e nasce em flor.

 

Tente ver além do que lhe mostro.

 

 

Em meus braços se aconchega
Deita toda pequena
Diz que não gosta tanto de mim
Seus olhos desmentem

 

Jogada no sofá me rodeia
Pede um copo de chá
Só fiz café, eu digo
Diz que odeia

 

As pernas suaves feitas para meu aprecio
O corpo puro feito para o meu amor
Já não é mais uma menina
Desde que te fiz mulher

 

Você é tão fria
Ás vezes não a entendo
Onde vou você sai
Diz que precisa de um tempo
Mas depois você volta
Volta e me beija

 

Do jeito rebelde não entendo
Personalidade um tanto quando excêntrica 
Devo continuar tentando te entender ou só amando? 

 

Percebe-se que uso gerúndios, 
Meu sinal de amor eterno, sem que tu perceba. 

Image
Não precisa legenda quando diz mais do que vê.