Na noite as ideias fervilham sentimentos vazios.

Odeio quando vou tomar banho e ter que ficar comigo mesma. Ter que escutar minha mente perturbada troçando de mim mesma.
Ás vezes converso sozinha, é pior, me sinto mais doida que antes.
Recorro aos olhos tão mansos de um canino me olhando de longe, mas isso não me faz sentir melhor, a lista dos não-gosto é grande. Mais comprida que minha língua de escritora ferina.
Dizem para não me matar, mas é apenas o que nós fazemos há cada mês que se passa, vivendo.

Estranha no espelho.

Me levantei, coloquei uma roupa tão dispersa quanto eu. Me olhei no espelho e tudo o que vi foi uma estranha, ela me encarava, não sorria até que sorri. Mas juro, nunca vi sorriso tão morto. Não sei quanto tempo a fiquei a admirando, depois de um tempo fui embora. Pessoas são estranhas. Não conheço a mim própria.

Abandono ou simplesmente… ?

Eu ando tanto tempo sozinha e esses dias eu vi um cão, ele estava deitado na rua, abandonado e sozinho, eu o olhei, ele me olhou, eu sorri pra ele e falei “Olá”, ele se levantou, veio até mim, abanou o rabo e começou a me seguir.
Eu fiquei triste, na minha morada não havia espaço pra ele, queria eu poder o pegar no colo e dizer que estava tudo bem, que agora ele era meu e eu era dele.
Passou dias, e hoje, sentada aqui sozinha novamente eu descobri, sou eu essa mulher, um cão abandonado.

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O coração dói.