Frase complemento

As pessoas arrumam semelhanças onde não existem. Se o cabelo é verde, os olhos amarelos não quer dizer, querido, que essa mulher se parece com a elfo da sua vila. 
Claro, a primeira frase seria a única, complemento des-necessário. 

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Coisas absurdas que acontecem por aí.

Celeste mendiga pedia pão aos surdos
Estes famintos jogavam dardos com cegos
Mendigo Adolfo brincava de rico
No fim Celeste com fome morreu sozinha, gripe forte, coitada
O surdo Genésio acabou também cego
O cego Alfredo que cego não era
testemunhou a morte de Celeste
No fim ele foi testemunha, Genésio realmente era rico. 

Foi e quando voltou faltava partes.

– Estou com saudades de você.
– Mas eu estou aqui do teu lado.
– Não, saudades do “você” que não existe mais. 
– … 

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Pensamentos são estranhos, o corpo fica e a mente vai. E em alguns ela não volta de todo. Não de todo.

 

Opcional.

Um segredo só é aguardado por uma pessoa, se for por duas pessoas uma delas tem que está morta. Isso está na minha cabeça desde cedo. Quando é que um cadáver começa a cheirar mal? Meu corpo tremeu nos primeiros momentos. É melhor respirar fundo, uma, duas vezes.
Eu não sei como esconder um cadáver. Um segredo só é guardado por uma pessoa. Meu coração acelera, o telefone em minhas mãos parece oscilar. Um, dois, três.
Eu não sei onde guardar um cadáver. Eu tenho que saber.
Eu não posso ter ligação, ficar sentado a tarde toda não adianta. Sangue, sangue frio.
Oi Maria, quanto é uma faxina tua? Sim, quero uma faxina geral, água em tudo! Mas eu quero uma daquelas suas meninas que você contrata, sabe? Uma dessas que nunca mais vou ver na vida e nem vai me ver? Eu estou com vergonha da minha casa, está um nojo, sim, sim amanhã cedo. –Eu desligo o telefone, minha casa está em reforma…
O quintal é um bom lugar, cresce roseiras em terra molhada. 

 

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Quanto de margaridas?

Diálogo de Louco.

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Porque loucos todos nós somos, uns mais outros menos, como um medidor de felicidade.

Ele me diz para relaxar e respirar fundo. Eu vivo fazendo isso, respirar, digo. Relaxar não é algo que se peça toda hora, tem momentos, seria falso eu dizer que o faço com frequência, até porque há quem diz que sou estressada, mas ora, devo desmentir, descaradamente até, é mentira de fato, não sou estressado, sou apenas um homem reservado.
– Vamos senhor, deite-se e feche os olhos. – O engraçado como os psicólogos criam certa intimidades contigo no primeiro momento, como poderei confiar que fechando os olhos ele irá ficar sentado na poltrona bebericando o café e com o gravador na mão enquanto me observa? Ele, pode muito bem tentar me matar. Posso imaginar várias formas, a primeira seria com o café, ele poderia colocar o líquido quente e fumegante em minhas narinas, fazendo que eu engasgasse e morresse. A segunda, ele poderia pegar a almofada ao lado e me sufocar, em consequência minha morte. Eu poderia falar também em como ele me mataria com o gravador. Mas não irei. Não por ora.
– Diga-me. – ele faz parecer a voz suave como a de um pai, aqueles pais que te colocam na cama antes de dormir e te desejam bons sonhos, mas diz que vai deixar a porta entreaberta pois monstros não gostam de claridade.
– Como foi que o senhor veio parar aqui? Conte-me sobre teu pai. – Ah, o dialogo maçante começa desde já, poderia até escutar alguém falando de uma arena gladiadora “Que os jogos comecem” e no caso, serei eu o gladiador a espera da mortal mordida do leão.
– É… Bem… O que posso dizer? Eu era um garoto normal, conversava pouco e não gostava de conversar com outros garotos.
– Interessante, interessante… Pois continue o relato. – Sinto-me arrepiar, como ele pode saber se é interessante? Parece como se eu tivesse acabado de contar o maior segredo de minha vida.  
– Não quero falar mais.
– Por quê? 
-O Senhor, está me incomodando.
– Oh sim, bom, diga-me, o que te incomoda em mim? – Agora ele irá novamente me analisar, eu poderia ser irônico e ver qual a reação dele ao dizer que é o modo de como ele é um elefante e elefantes deveria estar na savana em algum lugar remoto da África se jogando em lamas. Ou poderia ser assustador e dizer o quanto ele está vivo e eu não gostar de pessoas vivas. Poderia também ser mais sinistro e dizer que não quero falar pertos das pessoas que estão em volta dele me observando. Mas não farei isso.
– Sua voz e suas perguntas poderia me deixar ficar em silencio um pouco?    
– Sim, fique a vontade para dizer quando quiser dizer. Mas sabe, precisa de mim. – Sim, eu sei, sei também que posso ficar calado, pensando em nada, esses momentos remotos da mente em que se fixa um olhar para o nada e fica aproveitando a imensidão de coisas que existe ao seu redor, mas você não se interessa por nada. Algo me incomoda, novamente. É o silencio.
-Bom, vou dizer, eu sei que o senhor está interessado primeiramente no motivo que estou aqui, sei também que precisa manter total sigilo, eu não sou risco a ninguém a não ser a mim próprio, e não digo risco de vida, ou senão de morte. Sou inofensivo até, sou um homem de bem, mas sei, eu vejo, em toda parte animais. E sei que o senhor é um elefante e não devia está aqui. Sai daqui macacos, deixe que este elefante beba água em paz, pare de jogar galhos em mim, eu vou contar para sua mãe jacaré, saia de mim. A senhora não estava morta tia? – O melhor foi a expressão dele a me ver levantando e gritando, então eu começo a pular, depois saio correndo da sala e já na rua posso finalmente rir e gargalhar, não é que eu seja doido, posso até ser, mas essa monotonia me irrita, assim como esse vazio em mim, então eu o preencho com loucura, que louco, todos nós somos, mas eu sou mais, ou ao menos queria ser.