Pássaros, eu.

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E ela olhava para as gaiolas com pássaros coloridos e ficava tristonha, mas mal sabia que era sua própria gaiola, que seu coração era o pássaro tristonho.

 

 

Ser preso em sua mente com mentiras
Ser assim sozinho e carente cercado por elas, mentiras
Ser eu, ser você, tanto faz, tem uma hora que de tudo se cansa e hoje eu canso de sofrer
Quero sair daqui, sabe sair de mim, tentar fugir ou não sei, qualquer coisa, aceito até abraços frios
Anda tão sozinho e envolto em tantas mentiras que me pego imaginando se quando me dizem que estão com fome é verdade
Ontem a noite eu vi um pássaro, e a cada passo eu me peguei imaginando voando, pra longe de mim, pra longe de ti
Seja feliz, seja feliz
Foi assim que o pássaro gritou quando ele voou, foi assim que eu sorri quando percebi que as coisas se resolvem, que o mundo está aqui e tudo o que importa é isso, esses sorrisos
Mesmo eu não sabendo quem eu sou.

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Gelado.

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Não será o fogo que te aquecerá o coração quando ele já está submerso em inverno.

Essa neve que cai tão branca, tão indiferente ao que sinto por dentro, será que minhas chamas as colorem? Por onde ando, por cada passo, sente o movimento? É a vida, a vida, você vive ou você existe? Essas flores, tão congeladas, criando uma camada fria pra se proteger do mundo, do vento forte, assim as faz manter aquecida, tão distante, mas tão bonita. É assim que devemos ser? O que é pra você o Belo? É o externo? O interno? É os olhos de quem vê, ou o coração de quem sente. Dance com a chuva branca caindo em ti, com pequenas plumas geladas, isentas da dor. Onde estão os seus medos? Coloque nessa caixa de sugestões, coloquem nesta manta de retalhos, retalhos de paixões. Venham até mim medos, venham com seus sussurros gelados, noturnos, escuros. Onde está sua fome? Lágrimas, elas deviam alimentar almas, assim elas caiem, tão silenciosas, em seu mundo, sem saber o que acontece no mundo. Venha, recolhe-as, deixe-as quietas, desfrutando da chuva, chuva fria de solidão. Estou parecendo um doido aqui dançando, rodopiando? Não posso mais ser criança? Diga-me, mostre-me onde está escrito, onde está a lei, lei de abolição, vamos abolir a dor, solidão. Esses sussurros, são secretos, são diletos, diletos de paixão, não conte a ninguém, mas antes de ir, antes de partir, arranque-me essa dor, tire-a de mim, ou se tirar estará tirando parte de mim? Conte-me não segredos ou conselhos, fale-me das neves, do gelo. Como flores no inverno cercada de frios, resistem ao inverno, resistem ao frio para desabrocharem na primavera.