Meu sobrenome é pecado.

Estou há dias jogada. 
Me transformei numa ordinária.
Meu bordel está cheio de almas. 
Mais uma esposa abandonada. 
Outro marido perdido em meus lábios. 
Meus seios molhados de suor e gozo.
Imagina se sou feliz, imagina se quero isso. 
Minhas curvas desgastadas.
Meus caminhos mal andados.
Fui jogada pela vida. 
Moça bem vivida.
Não me use meu bem. 
Não me deixe jogada. 
Ensinei a muitos amores, a muitas dores.
Ensinei ser feliz. 
Dei amor.
Dei de mim.
Hoje não sou mais nada.
A definição de abandonada foi cravada em minha alma. 
Sou sorriso. 
Desperdicei meu cigarro.
Acabou minha festa. 
Dormi no domingo. 
Afinal, quem eu sou?
Me toque meu bem. 
Goze.
Não me deixe. 
Vá.
Fui amaldiçoada pelas palavras. 
O que foi dito não volta eras há trás. 
Meu sobre nome é pecado, mas meu bem, me chama de amor. 
Minha vida de labuta.
Sorri para trás.
O que dei não está escrito. 
Me chame de amor.
Borrei meu batom vermelho num oral com a vida. 

Psicólogos em toda parte, principalmente na família.

Me dizem que estou com depressão. Que há algo de ruim envolta de mim. Me diz, como posso eu saber a verdade? Como posso eu sorrir quando só se acumula amargura em meus lábios. Como posso eu falar se já não me vem as palavras? Como posso eu fazer algo se só quero sonhar? Ora, me deixe dormir, deixe que o sono eterno me preencha, deixe-me ficar sem sorrir.