Doutores espelhos, não os escute para conselhos.

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Dentro de mim reflete.
Dentro de mim reflete nos meus olhos.
Dentro de mim grita.
Dentro de mim grita pra fora.
Mas fora, realmente fora estou calada.
Estou com a cabeça erguida,
enquanto aqui dentro se abaixa e chora.
Dentro de mim brilha,
Dentro de mim brilha virtudes.
Aqui fora se apaga,
Aqui fora se apaga minhas mentiras.
Não tenho fronteiras quanta beleza.
Não tenho, não tenho.
Dentro de mim transborda,
Dentro de mim transborda riqueza.

 – Você já tentou mudar o corpo? Academia?
– Ah, mas isso iria realmente mudar aqui? – Ela coloca a mão no peito.
– Claro, iria, te deixaria mais confiante.
– Eu tenho confiança.
– Então por que está aqui?
– Por que todo mundo precisa de alguém pra conversar.
– Todo mundo?
– Eu.
– Tentou mudar o corte do cabelo?
– O que isso mudaria?
– Te deixaria mais bonita.
– Para quem?
– Para as pessoas, pessoas gostam de ver beleza.
– Já sou bonita.
– Hum.
– Aqui e aqui. – Ela aponta o coração e a cabeça.
– Pode ser mais.
– O que estou fazendo aqui?
– Pegando uma opinião.
– Mas você está apenas piorando.
– Estou dizendo a verdade, olha pra você. É feia, gorda…
– Não para umas pessoas.
– Sua mãe?
– Cale-se.
– Ninguém vai se interessar pelo seu interior se não gostar do seu exterior.
– Não quero ninguém.
– Quer. – Ela chora.
– Não preciso. – O espelho a olha, com as mesmas lágrimas, com o mesmo corpo, com o mesmo rosto. Mas ainda sim, ainda sim parece sorrir, debochar-se dela.
Ainda que as duas chorem, ele está lá, lhe dizendo palavras tão cruéis. Cortantes quanto laminas samurais.
Todos precisam. – Ela se virou, olhou a privada e vomitou. Quanto tempo será que o conteúdo de dentro demora a também se entornar para fora dela?