Segredos em camadas.

Todo mundo tem segredo, Joana escondia os dela nos cabelos. Nunca os lavava, e todo segredo guardava nos fios prateados. Dependendo do segredo os fios ficavam da cor da emoção. O cabelo de Joana era todo colorido, fio dourado, vermelho, azul, verde, rosa, marrom, amarelo, laranja, rosa, roxa, violeta, vinho, branco. Cada segredo era único, e cada fio era longo. O cabelo de Joana era desgrenhado, era liso e enrolado, nunca tinha forma certa, os segredos, afinal, eram cabeludos! Ah, mais Joana era triste, os olhos sempre caídos numa tristeza profunda, os lábios sempre despendidos num triste sorriso amargo, a pele, oh coitada, era tão pálida quanto diversos defuntos. Joana vivia triste, a única alegria que ela tinha eram os cabelos em segredos, e ela não gostava deles, mas segredo é segredo, e Joana tinha que guardar. Um dia já tão triste que não queria mais viver, ela resolveu
– Ó triste vida, caso eu vá os segredos irão comigo, quem irá se importar? Cada segredo é único, é uma forma de vida, um parasita que te suga até você não ter mais vida. 
Então Joana resolveu, pegou uma tesoura enorme e cortou os fios coloridos, mas segredo é segredo, não adiantam os cortar, eles não vão simplesmente sumir. Então os fios coloridos e incertos voltaram a crescer. Joana chorou e choraram, os olhos grandes ficaram como rios profundos, as bolsas de olheiras ficaram transbordando lágrimas como bolsas d’água, e a coitada da Joana? Já não sabia o que fazer com tantos segredos, já não queria mais viver, Joana e os segredos parasitas. Então, ela cansada de chorar, cansada de ser triste resolveu fazer algo, foi até um lago verde mar e não se preocupou em despir, entrou naquelas águas geladas e lavou os cabelos com furor
– Deixe que meus segredos corram livres em águas profundas. – Então o cabelo de Joana que antes era vivo se tornou escuro como a noite, sem segredo e sem desordem, ficou apenas um cabelo normal e escuro. Joana sorriu que os lábios subiram fazendo o rosto se encher de linhas, e desde esse dia Joana joga os segredos para o vento, porque segredo é segredo, e não precisa de lugar especifico para ficar guardado, só basta jogar para vento.  

 

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Depende dos olhos que veem. Os daltônicos também se tornam artísticos.

 

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Sinta e entenda.

Tente entender, 
Tente sentir.
Ás vezes, por incrível que pareça
essa é a solução,
se pensar de nada adianta,
use o coração.
Ferramenta essa onde ninguém serpenteia,
Terra de mistério que só Deus conhece.
Sente isso? 
Pare de pensar. 
Por um momento, 
um momento se quer, 
escute a vida, 
ela clama baixinho, 
ela canta baixinho, 
está em tudo, em todos
Sinta, é mais que entender. 
Pare de tentar entender. 
Pare de buscar saber, 
ao menos agora. 
Viva as proporções. 
Tente sentir, 
as cores…