Conhaque e cigarros, por favor!

 

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Para quem já está morto um gole e um trago não é nada.

Eu sei o que se passa na sua cabeça sem que você saiba o que se passa na minha. Essa é a minha terapia, adivinhar o teus pensamentos, os teus gestos.
Este é o meu ultimo cigarro, será o ultimo antes que eu me acabe. Dizem que me matará, acabará com meus pulmões. Pergunto-me, eles vão queimar? Essa fumaça gostosa, isso sim é bom, o cheiro denso, forte, bom acompanhado com um café, ou um conhaque? Sirva-me os dois, bem quente e forte, uma gota de café para o conhaque! Cura gripe, meu pai dizia. A mim, cura as feridas! As tossidas vieram com o tempo, mas nada que é bom de mais tem consequência, então não me importo. Agora estou olhando as tuas mãos, entrelaçadas fortemente uma na outra, você está nervoso meu bem? Venha aqui, deixe-me te dar um beijo seco com gosto de café-conhaque-cigarro, seria uma droga beijada. A sua respiração acelerada, quer sair daqui? Pois que saia, não quero a sua ajuda, a tua companhia. Arrependeu-se por me dar isso? Oras meu bem, quando se vive muito como eu o melhor nos últimos dias são uma boa dose de pura adrenalina, e nada melhor isso, o que te ajudou a morrer, é o que você diria. Pois errou! O que me matou não foram essas boas porcarias, foi a vida, foi ela que me matou, foi os homens, as mulheres e essas feridas que mesmo agora não se fecham. Cada biscoito com a sua sorte, o meu é puro azar, azar de viver. Viver foi minha má sorte, nascer. Eu sei o que está se passando na sua mente, sei o teu medo, pois saiba que ficarás sozinho! Sozinho vendo sombras em teu caminho, vendo o teu reflexo em cada gesto, você é um inútil, se priva do bom e do ruim. Me de mais um gole de conhaque e um trago de cigarro seu inútil, sirva para alguma coisa. Ah, o ultimo gole é sempre o melhor…