Rejeição

Tem umas coisas que não dá certo, você tem que simplesmente desistir e deixar fluir, nessa hora eu viro pro meu garçom favorito e peço que me dê meu conhaque aguado, confesso, não adianta nada, mas mesmo assim é melhor que o amargo da minha realidade, ele me olha e diz pra parar com isso, mas eu simplesmente falo que eu que pago o salário dele e mando ele me servir. Ele sabe que não faço por mal, sabe que eu sou simplesmente um fracasso num corpo magro.  Odeio rejeição.  

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Amargo.

Eu já não sei quem eu sou, já não consigo encarar essa página branca. Meu coração já não pertence a mim, na verdade acho que pertence a três ou a dois, e um deles já pertenceu por inteiro, mas ele se foi. E assim continha, todos se vão. Já não sei se quero, tudo que quero se desmancha, vira pó, e no final só eu fico ali de concreto. Já não sei o que é amor, ou dor, já não sinto nada. Quantas manhãs terão que passar para eu descobrir que sinto frio? Nem doenças mais eu pego, já me tornei um parasita sem hospedeiro, mas eu hospedo, eu virei o hospedeiro, isso está me matando. Tudo amarga, até os doces, minha língua já virou um órgão muscular sem sentido algum, sem doce, sem sal, sem picante, só o amargo, só o pó do café, sem o doce, só a água, nem o cheiro.

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Já virei um clichê próprio. Me sinto tão nua quanto meus sentimentos.

Venha aqui querido, me sirva de conhaque, sirva conhaque com cacos de vidro, faça com que desçam pela minha garganta me cortando, já que não sinto nada, já que não mereço nada, já que não tenho nada, já que só existo, também vou parar de viver.