O amor de quem se ama.

– Então, adeus? – Eles olhavam nos olhos um do outro. Sete anos juntos.
– É, adeus. – Ela sorriu meio sem jeito. O coração estava despedaçado.
– Foi bom.
– É, foi bom – se abraçaram de um jeito apertado, o coração de ambos doía, mas nenhum falou nada.
– Sabe que eu vou sempre te amar.
– Eu também. – Meio sem jeito ela saiu andando, ele a olhou. Não tinha o que dizer, o amor estava ali e nunca acabou, nunca vai acabar. O adeus de quem se ama é apenas uma vírgula, o ponto final fica pro depois.

Odores indesejáveis.

– Está sentindo?
– O que?
– Esse cheiro de podre.
– Limpe a casa.
– Limpei três vezes já. – Ela se agarrou junto a ele. Um corpo esquelético apareceu ao lado da cama.
– Não foi o suficiente querida – o corpo esquelético disse sorrindo sorriu torto. Só ela o via, ele passou a mão no rosto do marido da mulher e sorriu novamente mostrando os dentes brancos e pequenos. O homem ao lado da mulher desfaleceu, ela o sacudiu, gritou, mas ele não acordou. O esquelético já havia ido embora, assim como o cheiro de podre.
A mulher se levantou, pegou o telefone e ligou para a ambulância, horas mais tarde já sabiam da morte, ela não chorou, parecia robótica. Ela olhou para o lado e sentiu o cheiro de podre novamente, dessa vez ao lado de um menino.