Antagônicos.

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Os meus balões transformam em mim primavera-outono o ano inteiro.

Balões antagônicos voam do meu estomago, uma pequena voz diz que são rosa, mas meu daltonismo agudo me grita azuis.
Por favor, não vá embora, eu imploro, mas outra voz se deixa ir, e os balões saem de mim, são rosas eu sussurro para meus olhos defeituosos, e a beira d’água eu choro, são rosa.
As luzes brilham para mim, venha para casa, ela diz tão suavemente, venha para mim, ela dança veemente.
Os balões antagônicos voam longe de mim, eu digo antagônicos, virados do avesso, num mundo disperso onde minhas mãos não alcançam, onde escadas caem.
Por favor, antagônicos são meus amores, platônicos eu diria, são como balões coloridos, eu não vejo, caem pelos lados, eu não sinto, tudo é azul, tudo são cinza, dois céus me rodeiam, duas paisagens me cercam, é preciso, a consciência grita, é necessário, ela diz, é ao contrario, eu sussurro, mas no fim são antagônicos, os bolões vão voar.
Cada semelhança é uma esperança de que tudo vai voltar, solto os balões para os céus, não sei em qual vai parar, deixe-os ir, balões foram feitos para voar, vão murchar um dia, em dois céus, em um de mim, em um canto qualquer, são antagônicos meus balões, são desertos meus amores, por favor, saia de mim daltonismo, deixe-me que veja as cores, deixe-me que voe com meus balões, deixe-me que sinta meus amores, deixe-me que rasgue, deixe-me sentir sensações.
São rosas eu sussurro uma ultima vez, antagônicos meu balões, eu sei que vejo azuis, sei que são azuis.
Cores rosa antagônicos deveriam ser sinônimo de paixão. Minha mente perturbada devaneando, devaneando, devaneando, são rosa eu sussurro.