O mesmo sentimento em palavras diferentes.

Aqui do meu lado tem uma voz, ela me diz o que quero escutar
Aqui do meu lado tem uma sombra, ela me esconde.
Aqui do meu lado é só amargura, o tônico forte que me deixa com náuseas.
O meu combustível poroso.
O calor me fervilha as ideias, me deixa a mercê do vento.
Ele não sopra, ele não me refresca.
A sombra que me esconde tem um quê de fumaça vulcânica, ela me sufoca.
O meu coração me acusa de não amar, ele está gritando, ele está gemendo.
O meu mundo é preto e solitário, só eu vivo nele.
Nem a chuva quente lá fora já me sustenta, devo me calar.

Figurante de sonhos.

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Inercia da vida.

 

Hoje eu acordei figurante do meu próprio sonho. Descobri que a muito tempo eu deixei de ser protagonista. Eu já me contento com suco amanhecido e café frio. Mesmo café não sendo meu preferido. 
Hoje eu não sorrio mais como sorria antes, mas isso não é de todo mal, assim não acumulo rugas e não preciso comprar cosméticos para estas. 
Eu amo aos poucos, hoje menos, amanhã mais. Na verdade é apenas uma enganação, não amo nem a mim mesma. 
Me tornei uma mulher rancorosa com o passar dos tempos, e novamente não me importo, assim eu sofro menos, assim não amo ninguém, assim eu fico tranquila com minhas decepções. 
Seria mentira eu dizer que não sinto saudades, aquela época era de fantasias fora da realidade, eu acreditava em tanta coisa boba como “feliz para sempre”, sendo que o para sempre pode ser amanhã, ou pode nem existir. 
Eu apenas durmo com o sonho de não mais acordar, de não mais ter que ver o sol quente atrapalhando minha visão, a chuva úmida acabando com meu cabelo e ossos, o tempo seco ressecando meus lábios e esse cheiro enjoativo das flores do vizinho. 
Hoje eu acordei figurante e sonho (meu único sonho) é de não precisar acordar amanhã. Talvez seja isso minha vida, apenas ilusão, me perdi a muito tempo, tempo demais para recuperar fragmentos.