O desejo nos faz um.

Queria conhecer-te a fundo.

Saber o que se passa em teus pensamentos quando olha para o horizonte e mergulha dentro de si.

Conhecer o teu redor, saber o cheiro que cheira, as cores que enxerga, o calor que sente ao ter pele com a pele. O tato.

Queria estar dentro de você.

Ser você.

Queria que fosse eu.

Saber o que penso quando olho o horizonte.

O que sinto quando cheiro os cheiros que cheiro.

Saber o calor, o sabor, o tato, de tudo o que me rodeia.

Queria que fosse eu quando te olho.

O desejo por você e o desejo de você me desejar.

Queria que fôssemos um.

O desejo de saber o que se passa dentro da sua mente.

Imerso em seus pensamentos.

O desejo me fez te desejar.

Naquele momento em que nos tornamos um só.

Eu dentro de você, no teu corpo quente, te sentindo por dentro.

E naquele espaço de tempo, quando você gozou, eu soube,

O desejo de desejar.

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Um fim e um começo.

Quando comecei o blog eu era muito jovem, muito inexperiente e no início da adolescência.

Havia dentro de mim, todo um sentimento cru que eu não sabia o que era, ou como proceder com ele além de o colocar em palavras e fazer textos.

Hoje, após anos e por fim concluir um curso técnico como o curso de Direito, eu me pergunto, onde dentro de mim se esconde aqueles sentimentos?

Ás vezes me pergunto se eu mudei, se o sentimento se foi ou se nunca houve em mim aquilo que eu imaginava ter.

Eu ainda não descobri as respostas, por anos me questionei, tentei voltar a escrever, mas não entendia que dentro da Universidade eu estava sendo moldada em um molde igual para todos, formadores de técnicos e não de criativos, o pensamento se tornou moldado em formas distribuídas à todos em forma de ABNT e “ paper”. 

Por fim, concluí meu curso, mas me pergunto, será possível voltar a pensar de forma criativa e selvagem e não de forma técnica?

Isso me assusta constantemente, ter perdido a vontade de escrever e a capacidade de transformar meu sentimento em palavras e textos e proza e poesia. Minha terapeuta me disse “Você deve trabalhar com o sentimento que têm hoje, e não com aquele que te movia em outra época, nem tudo são tristezas ou felicidades, vivemos de altos e baixos, devemos aproveitar cada um deles”. Bom, ela não disse exatamente com essas palavras, mas foi isso que interpretei e dessa forma me encontro aqui, onde comecei a mostrar meus sentimentos, espero conseguir escrever com meus sentimentos e não com a técnica que aprendi, não deixando nenhum dos lados serem dizimados e sim harmonizados.

 

Interna.

Às vezes eu penso em morrer por dentro e renascer diferente, com outra personalidade, outro jeito, esperanças e sonhos, porque os meus estão aqui, mas estão aqui há tanto tempo enraizados que já perdi as esperanças.

Mas às vezes eu sei que sou quem eu sou, e aceito, uma pena que dura pouco.

Corpo e aceitação.

Olhando os stories no Instagram me deparei com um que me entristeceu em uma escala imensurável, afinal era sobre o corpo de uma mulher que estava dizendo o quanto sempre esteve descontente com ele por ser assim, assado.

O corpo dela parece com o meu e apesar dos pesares eu tento ao máximo o aceitar, mas a forma como ela falou, como ela se expressou me impactou de uma forma que não sei por em palavras, porque pensei “É assim que as pessoas pensam quando olham meu corpo? Já que o corpo dela parece com o meu e ela própria pensa isso sobre ele.” E o pensamento não parou por aí, porque se formos olhar bem o padrão das pessoas no sentido geral é muito alto, eles querem entrar numa geometria a qual não se encaixa com a nossa. Se eu sou circular como entrarei numa forma triangular? Nesse sentido nascem as frustrações, as tristezas, o rancor, a dor. Porque nós vivemos uma vida tentando ser o que não podemos mudar. Não basta emagrecer, engordar, porque cada corpo tem sua própria estrutura, seu próprio formato de ossos, músculos, cor, textura. Certas coisas não se mudam. Entretanto o problema não é externo, é mais interno do pensamentos, ele vem de uma memória genética muito anterior a nossa, de uma época em que ter a cintura fina era uma regra tão imposta que se não usar espartilho a mulher era má vista pela sociedade. Esse problema interno está longe de acabar, mas aos poucos está melhorando.

Hoje eu consigo ver que quem tem que aceitar o meu corpo sou eu, quem tem que o amar, sou eu. Porém o problema é tão intrínseco que se torna um processo doloroso de aceitação, por mais que eu seja esclarecida, por mais que eu entenda a situação, porque não basta eu querer, a minha memória genética está muito presente, assim como meu passado e certas frases que escutei quando crianças, por exemplo “menina gordas não dançam balé”.

Esses traumas estão enraizados e trabalhar neles é um processo gratificante, porque no final eu sei que ao me livrsr deles eu estarei libertando meu amor próprio.

Mas e as outras garotas? As bulémicas, as anoréxicas, as depressivas, as suicidas? Não é só a indústria televisiva que as tornam assim, mas pessoas ao nosso redor, essa frase acima que usei de exemplo eu não escutei na TV, eu escutei da minha mãe, será que não devemos mudar nossas falas? Esse é um processo em conjunto, muito ainda se tem que aprender.

No final não é aceitar, é amar. Aceitar soa como tolerar, não devemos tolerar, devemos amar.

Felicidade contemporânea.

Felicidade é uma projeção num plano espectral. A partir do momento em que nós decidimos o que queremos e qual caminho percorrer nós projetamos a felicidade num plano inexistente e abstrato, sempre buscando, sempre querendo, sempre sofrendo no presente com a justificativa de uma felicidade no futuro.

Mas esse sentimento abstrato é algo que criamos de forma inalcançável, como um deus o qual buscamos respostas, esperanças e apoio para justificar nossos atos, a esperança pode ser concreta, mas o sentimento abstrato nos faz sempre querer mais, esperar mais, assim ela nunca chega e sempre presente a infelicidade.

Quando somos crianças e aprendemos a entender o “NÃO” em nossas vidas dizemos “Quando eu crescer não vai ser assim”, não vai, será pior, porque será real e aqueles sonhos são inalcançáveis, mas não a felicidade quando tangível, quando se auto aceita, se ama.

Porém não é tão fácil, viemos de uma geração frustrada, que consegue tudo facilmente ou rapidamente, diferente dos nossos pais e seus pais e seus pais, a frustração se torna depressão e a depressão mata, sempre em busca de um culpado, o seu sofrimento é sua pena, a sua culpa e o seu remorso é o seu carcereiro e com o tempo a felicidade se torna distante, porque não há o amor próprio, a auto aceitação, “eu me amo por quem sou” e fica apenas o “eu irei me amar por quem me tornarei”, veja bem, inalcançável, intangível, distante daquilo que deve ser, o hoje.

Felicidade é analisar as circunstâncias atuais e tentar melhorar o presente, descobrir o melhor dentro do agora e trabalhar com o que tem, mas sempre se tornou marketing, porque o sentimento do “eu sofro agora porque herdarei o paraíso” te faz sofrer e não busca melhorar, porque o passo mais doloroso é a aceitação, é buscar ajuda e dizer que realmente precisa ser ajudado, mas é doloroso, é vergonhoso e isso torna sofrido, moroso e lento, porque a felicidade se encontra longe, num plano distante deixado para o amanhã.

Ser feliz é aceitar o hoje, mas aceitar é sempre um passo deixado para o amanhã.

Medo de ir, medo de voltar.

O sopro do ar frio mexia com o cabelo negro fazendo que as ondas se emaranhancem uma na outra, a pasta em uma mão e na outra puxava o casaco para perto de si.

– Lúcio, aqui, querido! – A bela mulher vinha em sua direção com um sorriso que iluminava todo seu sorriso.

Ele sentiu um aperto no peito e sorriu para a morena enquanto caminhava em sua direção para fugir do frio.

– Como você está, querida?

– Oh, você sabe, todo o trabalho duro, as horas sem dormir, ter que cuidar da casa nas horas vagas e as horas extras.

– Meu Deus, Rute, falando assim me sinto até por ter vindo te encontrar no seu dia de descanso.

– Não seja bobo, você sabe o quanto eu gosto de exagerar. Bem, é aqui, chegamos, entre.

Os longos cachos pesados cheiravam a coco com baunilha e quando ela passou por ele sentiu um leve aroma cítrico. O cheiro não era o mesmo, com os anos ele mudou, como era mesmo quando jovem? Fazia tanto tempo.

– Lúcio? Não está me escutando, parece até que viajou para longe.

Ele sorriu para ela e passou a mão no cabelo para tentar colocar os fios no lugar.

– Às vezes certos cheiros são nostálgicos.

– Isso sim, outro dia eu estava em uma praça e senti um cheiro que me lembrou dos meus tempos de escola, ficou uma sensação no peito, um aperto no fim na boca.

– Ah, já senti isso antes, é como se houvesse perdido algo.

– Exatamente!

– Bom dia, posso ajudar? – Uma moça jovem veio com um cardápio e entregou a ambos.

– Bom dia, querida, vou querer uma vitamina de morango, mas sem açúcar, por favor, vocês tem stevia?

– Sim, com stévia, e para o senhor?

– Vou querer um café grande, leite e esses bolinhos aqui, hum, bolinhos de chocolate, são bons?

– São os melhores, senhor! – Ela sorriu e recolheu os cardápios.

– Bem, onde estávamos?

– Em sentimentos nostálgicos.

Ela sorriu, passou a mão no cabelo e continuou a falar sobre amenidades e coisas do seu dia a dia.

Ele olhou para ela e sentiu uma dor no coração, de repente tantos “e se…” Vieram em sua mente que o arrependimento deixou um gosto ruim na boca do estômago.

– Então, Lúcio, conta-me o que quero saber. Está casado? Ah, faz tanto tempo em que éramos jovens e aventureiros, lembra-se da época que acampamos na primavera e ficamos molhados o tempo todo?

– Por insistência sua, devo te lembrar!

– Foi mesmo, mas naquela época eu tinha uma paixonite por você e não via a hora de você perceber.

– O que? – Ele passou a mão pelo cabelo num gesto que já se tornava repetitivo, a moça veio com seus pedidos e deixou na frente deles.

Rute corou suavemente sobre a pele achocolatada.

– Ora, vai me dizer que não se lembra?

– Eu, bem, eu não sabia, nunca soube!

– Mas como não? – Ela pegou um de seus bolinhos e tomou a vitamina.

– Ah, essa vitamina está horrível, açúcar que é bom, mas o médico proibiu.

– Por quê? Você sempre foi tão saudável.

Ela sorriu timidamente e colocou as mãos na barriga.

– Bem, não é por mim, é pelo bebê.

O coração de Lúcio tornou a se partir.

– Você está grávida?

– Não sabia? Você nunca fica atento a nada, fico imaginando como pode ser advogado, deve perder todos os prazos. – Ela sorriu e pegou outro de seus bolinhos.

– Mas por que você nunca chamou minha atenção, já que gostava de mim?

– Bem, eu era boba e acreditava que os homens deviam tomar a iniciativa, já que você nunca tomou eu pensei que não gostava de mim.

– Mas eu gosto! Digo, gostava. – Ele tomou um gole de seu café.

– Você não devia comer esses bolinhos, devem ter açúcar.

– Ah, mas quando é assado não importa, né? A química faz todo o trabalho.

Ele sorriu, não achava que era bem assim, ela sempre fazia isso, quando era proibida de algo achava outro caminho que melhor lhe agradava.

– Pois bem, eu devia ser a advogada e não professora.

– Você é professora universitária, acho que está melhor que eu.

– Não seja bobo, Lúcio!

– Quantos meses?

– Anos, você não sabe? Assim que me formei em publicidade eu me especializei para dar aulas, fiz aquele mestrado que eu te disse uma vez no churrasco do Pedro.

– Sim, me lembro, você estava tão empolgada. – Ela balançou a cabeça enquanto comia mais um de seus bolinhos, ele sorriu.

– Mas eu não perguntei do trabalho, perguntei da gravidez.

– Ah, claro, verdade, como sou boba. Estou de três meses. E você, filhos?

– Não, nenhum.

– Casado? – Ele sorriu.

– Quase, mas não deu certo, sabe como dizem, ela era boa demais para mim.

– Bom, nem eu, na verdade o pai do bebê e eu nem namoramos, sabe como dizem, uma noite é o suficiente.

– Sim, mas às vezes nem muitos anos o são.

– Ei, Lúcio, vamos nos manter em contato, sempre estamos apenas nos falando por redes sociais, é tão formal.

– É sim.

Ela tomou a vitamina e ele pediu mais café, não havia mais bolinhos, ela comeu todos.

Ele se levantou para ir ao banheiro e quando voltou não a encontrou em lugar nenhum. Seu telefone tocou.

– Ei, Lúcio, eu tive de ir, não fique chateado comigo, ok?

– Está tudo bem?

– Sim, sim. Lembra que estávamos falando de nostalgia? Deu apenas um gosto ruim na minha boca e um aperto no estômago, bom, nos mantemos em contato.

– Sábado eu tenho ingressos para aquele espetáculo que está tendo na cidade, quer ir comigo?

A linha ficou muda um instante.

– Não posso… Tenho que ir, abraços! Desculpe sair assim, sem avisar.

– Tudo bem, se cuida, abraços!

A linha ficou muda. Ele se lembrou, com um gosto ruim na boca, há muitos anos atrás, no acampamento, ele disse que gostava dela, ela riu e disse que também gostava dele, que não poderia ter um amigo melhor.

Rute sempre foi boa em propaganda, mas como publicitária ela deve saber, propaganda enganosa é crime.

O egoísmo auto Imposto na monogamia do amor.

O amor é um percurso abstrato sem dimensões capazes de se mensurar, seria nosso egoísmo próprio e cultural provar o amor a uma só pessoa, sendo que por ser abstrato e imensurável pode ser destinado a mais de uma pessoa de diferentes formas? O que é o amor se não aceitar e sentir cegamente sem o norte da verdade por trás da personalidade? Ao amar alguém separamos as qualidades dos defeitos ou vivemos num eterno auto flagelo de costume e carência sem conseguir dizer não e deixar aquela pessoa amada ir embora.

O amor doentio também causa aversão, se torna ódio, dor, amargura e por fim, talvez, a morte.

O egoísmo está em nós ou no amor, de não querer que aquele ao qual amamos não ame mais ninguém.

Amar é enlaçar e deixar às rédeas curtas e dizer “me ame, apenas eu”.

O egoísmo é cultural e em constante metamorfose, amar apenas um e não a todos.

Seria essa uma evolução para o pior ou melhor?

O amor, deve ser real?

Será que eu não sou amada?

Será que sou uma pessoa que siga o amor de todo mundo,

E nunca é o suficiente?

Será que o amor do mundo é a abstrato, chato, residual, inexistente ou é tudo?

Será que sou assim, tão volátil?

O que é o amor, o maior amor do mundo?

Será que meu coração é um buraco e não há espaço para armazenagem?

Existe amor entre nós, entre eles, entre vocês?

O que o amor é se não invenção do próprio homem?

Será que fui corrompida pela vida?

No momento é como caixa oca que transforma meus lábios em Arcos e fecha meus olhos para o escuro, sozinha e sem nada.

8 ou 80 não importa o recipiente. 

Meus olhos transcendem o opaco que aumenta com o tempo. 

As pernas fraquejam diante do perigo eminente: a morte. 

Dos lábios rachados e finos eu canto um hino há muito esquecido: o Adeus. 

Depois das memórias perdidas eu busco o som de um beijo jovem, em anos. 

O meu peito era farto em força e cheio de sol, agora, o nada é branco e fraco. 

Os dois que vejo em você se separa entre ideias e conceitos, adeus. 

Adeus memória, meus ouvidos não são os mesmos, não entendemos adeus, só o agora. 

Estou velha, não morta. 

Estou aqui, viva. 

Meu peito chia, minhas pernas tremem, mas minhas memórias, minhas memórias são nítidas. Não leve, deixe, é meu então fica. 

Agora, na cama, na grama, na maca ou no teu colo, para sempre jovem, o espírito é livre. A alma é jovem.