Em tempos de terapia.

Sob um sol quente, andei desnuda, com os pés ao chão, e a alma crua.

De longe vi um homem, gritei por ajuda,

“Ei!”, Se ele me ouviu, não ligou. Continuei andando, me arrastando, a passos lentos, sedenta.

De longe vi um homem, gritei por socorro,

“Ei, me ajuda!” , Desnuda, desidratada, os lábios sangrando, as pernas tremendo, e a pele castigada pelo sol, gemia baixinho, “me ajuda, estou sofrendo”, com descrença ele me olhou, com escárnio ele sorriu, virou o nariz para o sul, e disse, numa voz ríspida ” Isso é emocional”.

O sol continuou alto, em todo seu esplendor, não me impediu de caminhar, agora com o corpo cansado, os pés com bolhas, fui andando, sem rumo, buscando ajuda.

Lá longe, bem no horizonte eu vi um homem, nas mãos um cálice na mão e um cigarro, é um homem no meu caminho solitário.

Gritei por ajuda, “ei, me ajuda, tudo dói”, no longo caminho que percorri, perdi as mãos, mas as pernas me sustentava até onde ele se encontrava.

As palavras saindo entre as baforadas de cigarros, ele mal me olhou, “isso é psicológico, procure ajuda”

Cá aqui estou, desesperada, desnuda, desnutrida, machucada, sem as mãos, pedindo socorro, mas sigo mesmo assim, um passo depois do outro, ao longo do caminho.

Lá longe, vejo um grupo, todos sorrindo e gesticulando, eu gritei,

“Ei! Me ajuda!”, Das pernas ficaram só as coxas, me arrastei. Alguém disse algo ao outro, que riu e gargalhou, ninguém me ouviu. Sob o sol, aqui estou, me arrastando pelo caminho.

Já longe, desesperada, sem expectativa de chegar ao destino, veio um vento afiado e me estripou.

Aqui estou eu, desesperada, desmembrada, estripada, o sangue lavando a terra, o sol queimando a pele, os carniçais me rondando, vejo lá longe, um homem. Reuni todas minhas forças e gritei, “Meu corpo já não me sustenta mais, te imploro, me ajuda!”, Ele me olhou nos olhos, passou as mãos em meus cabelos, sorriu com complacência e me disse, bem baixinho “Coitadinha, precisa de terapia. Tome este cartão, um bom psicólogo, amigo meu”. Entre as minhas tripas, ele deixou um cartão pequenininho e branquinho e foi-se embora.

Sob o sol, o vento e os carniçais eu sucumbi.

“Só posso estar louca.”, E com a alma desnuda, eu parti.

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