Casa vazia em dia de chuva.

Vagando por entre minhas memórias, me deparei com buracos. O tempo entre as lembranças ora vazios, ora confusos. Me apego ao que passei, mas não consigo vislumbrar o que passará, e por um momento, por aquele momento, entre esse momento e o que se passou, eu me sinto morta.

Ao olhar no espelho, ao estar no banheiro, sentada à mesa da cozinha comendo um bolo, deitada na cama olhando o teto, fechando os olhos e tentando… lembrar.

Andar pela casa me deixou tonta, a solidão entre as paredes e o medo de estar só me apavora, aceitar o que recebo, o pouco que recebo. Aceitar o inaceitável, mas o medo, o medo faz isso. Transtorna.

Ontem mesmo, eu liguei chorando e chorando contei ” não sou nada, não tenho valor” e do outro lado escutei palavras de conforto ditas com amor e aceitas por uma incrédula e por isso eu chorei muito mais. Agora eu entendo bem “jogar pérolas aos porcos”.

Saber que se passou não torna mais real, torna ilusório o sentimento de negação. Veja bem, poderia eu estar falando do curso superior, do trabalho, da morte. O sentimento é quase o mesmo, o que muda é a razão.

Chega um momento em que se torna assim, um fantasma em vida, uma lembrança perdida e um poço de solidão. Como faz para ser adulto? Onde se torna adulto? Eu tento me lembrar, mas choro entre risadas.

E meu segredo não é segredo, é medo.

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