De mãos dadas.

Entre nós duas, alguém terá que morrer.

Teu choro, excruciante.

Teu sorriso, falso, sem sentindo, sem destino, sem cor, nem vida.

Entre nós duas, eu irei te comer.

Tirarei do teu seio, tua carne e teu sangue.

Banharei entre teus gritos e regozijarei dos teus sonhos.

Irei comê-los.

Irei dançar.

Irei te abraçar e dizer que te amo.

Te darei carinho e farei que me ame.

Depois, te deixarei.

Sangrarei teus desejos e rirei da tua dor.

Entre nós duas, alguém terá que morrer.

Farei com que me abrace, enquanto eu arranco tua esperança.

Farei com que sorria, enquanto eu te esfaqueio.

Porque, entre nós duas, eu estou morrendo.

E você, você morrerá no meu lugar.

Solidão, desalmada,

Vazio, inderrogável.

Entre nós duas, farei que você morra.

Entre nós duas, estou morrendo.

Das suas feridas, eu sangro.

Da tua dor, eu choro.

Dos teus sonhos, espero.

Dos teus sorrisos, minha alegria.

Entre nós duas, você me mata.

Se eu morro, você morre.

Entre nós duas, as duas morrem.

Eu choro pela tua dor, que é a minha dor.

Entre nós duas, eu espero.

A nossa morte.

Liberdade.

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