O todo lugar, de lugar nenhum.

Abri os olhos para todo aquele branco que me cercava. A palavras haviam fugido de mim e eu não poderia gritar.

Era mais enraizado do que eu poderia expressar, a vontade de correr e sair daquele lugar. Estéril. O branco predominava por todos os lados que eu me deparava. Dei vários passos e encontrei algo diferente, um buraco. Pulo, não pulo. Pulei.

O buraco era uma poça pequena que me deixou olhando para o céu, um céu branco e sem cores que me deixou querendo gritar.

Abra os olhos. Olhe ao redor.

De um lado, havia o branco, do outro, havia um cinza, e por fim, havia o sangue.

O sangue era de todas as cores e nada e ele pingava por todos os lados. Fugi.

Depois, de um tempo andando, meus passos se transformaram em ecos e gritaram repetidas vezes, “toc-toc-toc”. Corri. “Toc-toc-toc-toc-toc-toc-toc”. Acabou. Era um círculo infinito que deixou meus olhos maiores que meu rosto e meus cílios eram borboletas que batiam as asas para a brisa com cor verde e som de dúvida.

O sentimento da brisa me fazia chorar, e logo eu, que não sabia nadar, estava me afogando em mágoas.

Aquela correnteza feita de lágrimas e aqueles olhos gigantes que eram borboletas, me levaram até outro lugar, antigo, cheio de fios entrelaçados e cada pedaço era uma memória, e cada nó era algo que se esqueceu. Havia muitos nós. Meus olhos já não eram borboletas e já não havia lágrimas para chorar.

Aqui o tempo estava seco, meus lábios secos selado. Meus braços pesados e meu peito apertado, sufocado, agitado.

Puxe um nó. Pegue uma lembrança, que tem grossas cordas açucaradas, mastigue, engula e veja. É tão doce que dói a garganta. Lembranças, porventura deveriam ser sonhos que já se concretizaram? É agridoce e apimentado. Os fios me cercaram e me puxaram para baixo, até que eu estava soterrada em todos aqueles nós embaraçados. A sala me engoliu e eu caí em um Dó Maior e me perdi em ¼ de tempo.

O que era acelerado foi parando em pequenas mínimas e separados por semínimas e eu respirei. Respire, pensei, aqui, é uma vírgula.
Fácil. Fácil, calma.

Havia, naquele lugar, um longo corredor de apenas um passo. As paredes de vidro transpareciam as palavras que nelas grudavam, e o vento, tão singelo, passava com a força de um furacão, e as levava, todas palavras, num rio emaranhado, de frases e exclamações.

Tentei puxar algumas delas, mas todas elas, estavam perdidas para mim, de tantas paredes, de tantas palavras, muitas iam e poucas chegavam. E aos poucos se via o outro lado: o branco voltou, já não havia nada. O mesmo lugar onde tudo começou.

Ao mesmo encalço eu olhei para o lado e a vi, uma placa simples, com tinta preta, escrita à mão, anunciava “Saída”. Eu fui andando, à passos pequenos, até que parei, não importa o lugar em que eu olhava, eu via sempre a mesma coisa: uma mulher igual a mim, os mesmos gestos, as mesmas roupas, o mesmo cabelo. Sou eu, um espelho. Me leve de volta para casa.

Aqui, neste lugar perdido, eu reconheço: Andando por minha mente, perdida em meus desejos.

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