Medo

Neste momento sinto tanto medo que não respiro, fico apenas paralisada no quarto escuro debaixo de coberta.

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A falta que me faz minhas partes que faltam.

Nasci inteira.

O corpo cheio.

O tempo veio.

Me sinto destroça.

Me sinto quebrada.

Os homens vieram, levaram meus cacos.

Os homens gritam e guerreiam entre si.

E eu continuo faltando os pedaços.

Homens, mulheres.

De ambos os lados.

O que querem de mim se só me sobraram poucos cacos?

O que nasce no meu mundo não são sorrisos.

Esse mundo em que habito, tem longos rios rubros e grossos onde infinitos seres habitam.

A terra está cada vez mais podre, se abrem feridas eruptas e se transforma em carne viva.

As poucas florestas que há são todas escuras e secas.

Esse mundo está morrendo, está cheio de tumores e escuridão.

O sol que o cerca perde o brilho.

Por dentro onde deve ser fértil está cheio de bolhas.

Esse mundo em que habito, nasceu fadado a morte.

Pequeno e finito está doente há tempos, o sol está cada vez mais escuro.

O mundo é o corpo e o corpo sangra.

O mundo é o corpo e o corpo tem alma.

A alma do corpo está sedenta de algo.

Onde está o alimento que ela espera?

O corpo é o mundo.

O mundo está morrendo.