O meu amor é maior que nós.

Seus longos cabelos me cobriam como uma cortina negra e sedosa. Ele me olhou por sobrolho e sorriu. Meu corpo estremeceu por onde seus dedos passavam, como sentir trilhas de eletricidade se expandido em mim.

– Coloque uma música, amor.

– Não consigo – Saiu como um choramingo reprimido.

– Claro que consegue.

– Não com você por cima.

Ele riu, eu chorei. Meu coração se rasgava toda vez que eu o via, toda vez que o cheirava. Meu coração se rasgava apenas por amá-lo.

O longo cabelo liso e preto se enroscou pelo seu corpo, ele se virou e piscou para mim.

– Não posso ficar por muito tempo, tenho que trabalhar.

Mais uma fisgada em meu coração e eu poderia morrer agora mesmo.

– Entendo.

Soar chateada não me faria forte. Me levantei também.

– Não precisa colocar a música, tenho que ir.

– A casa é sua.

– Sim, fique a vontade.

Me vesti, não deixei tempo para que ele respondesse.

Sai correndo, sem que ele percebesse. Meu coração disparou, meu corpo gritava querendo voltar, meu coração chorava querendo voltar.

Meu cérebro também queria voltar.

Eu corri.

Me sentei numa escada de um edifício qualquer, fumei um cigarro enquanto chorava, tentei levantar e ir trabalhar. Mas meu corpo estava travado. Meu corpo chorava, amar dói o corpo e a alma.

– Elisa? Não vou trabalhar hoje. Você resolve essas pendências pra mim? Só hoje? É, pois é. Não, tudo bem. Qualquer coisa eu te ligo! Abraços, você é uma amigona!

Me levantei, sacudi a poeira, estiquei o corpo. Iria voltar pra casa.

Abri a porta, estava uma bagunça.

Sentei na cama, dormi.

Acordei com as costas doendo.

– Você demorou acordar.

– PQP!

– Ei, fale como uma pessoa normal.

– O que está fazendo aqui?

– Sabe, me dei conta que eu gosto de você já faz tempo.

– Certo.

– Eu tenho medo de me machucar.

– Todos temos. – Meu coração estava parando.

– Olha, eu gosto de você.

– É, você disse.

– Você vai ficar só dizendo isso?

Meu rosto estava quente, molhado.

– Não chore periquita.

Eu comecei a rir e chorar, meu coração estava se inchando.

– Periquita?

– Posso morar aqui?

– O que?

– Você sabe, morar juntos, dividir despesas…

– Mas você tem seu apartamento…

– Mas só tenho você e você é tudo o que eu preciso.

– Posso ficar?

– Sempre.

Meu coração se juntou e cresceu tanto que explodiu. Os corpos nus, minha cortina. Meu coração, meu amor.

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