As gavinhas que envolvem meu coração.

Tem horas que me dói tanto o peito que minha vontade é de o esfaquear para que essa dor passe.

Torcer meu coração até que toda dor suma.

Arrancar o meu sangue para fora, assim ele correrá livremente.

Pular de um penhasco alto até que meus pensamentos me escapem.

Beber veneno fresco para vomitar meu desespero.

Cheirar gás de cozinha e encher minha cabeça com algo que não seja tristeza e solidão.

A minha dor é tanta que se uma bala atravessar meu cérebro eu poderia viver na escuridão eterna em sofrimento e pesar.

Deixarei uma corda em meu pescoço para que tire todo ar de meus pulmões.

Irei afogar no mar e não mais afogarei em minhas mágoas.

Como posso estar viva se tudo o que sinto é morte?

Estou viva na minha vida e existo para a morte.

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Esse rancor, por favor.

Eu era tão tolerável, tão calma, meu coração aberto perdoava tudo, por mil anos.

Agora eu criei um rancor do tamanho do King Kong, ele criou raízes em meu coração e cada parte de si acumula partículas de “Imperdoável”.

Faz muitos anos, mas eu já não consigo esquecer, perdoar e deixar passar.

Sinto raiva até dos filmes que vejo com pessoas ruins que são perdoadas e tudo segue em frente.

Esse monstro está aqui enraizado em meu coração e o aperta, é tão profundo, tão profundo que já perdi o controle.

Só posso lembrar e não perdoar.

O rancor se tornou um vírus dentro de mim.

Me sufoca, me enoja, e fica aqui.

Carta para um amor que já morreu.

Fazia um tempo que eu não te via. A última vez estava com o cabelo curto cheio de mechas rosas e azuis, tinha perdido a pulseira da sorte e chorava muito antes de me mandar embora, mas não chorava por mim, chorava por ter perdido a pulseira da sorte. Acho que você nunca chorou por mim, ou chorou?

Agora que te vi, nem faz tanto tempo assim, quando paro para pensar. Você ainda tem umas mechas azuis, as rosas se foram, mas o cabelo antes curto agora está longo e na barriga há uma outra vida. Nunca imaginei que ali cresceria outro ser sem ser o nosso, mas me enganei né? Você continuou a sua vida e eu a minha, mas quase sempre pensando em você. Que belo perdedor eu sou.

Continua andando de forma estabanada, mas parece mais em paz. Sorri atoa para o vento e ainda para para observar o nada. Algumas manias nunca se vão, você com seus devaneios e eu com meus cigarros e palavrões.

Mas minha mania melhorou, agora tenho dinheiro pra comprar uns melhores e aprendi umas palavras bacanas.

Enfim, só escrevi mesmo pra dizer que você envelheceu de forma suave e bela, continua linda.

Só espero que não continue a mesma, afinal, como o tempo melhoramos ou pioramos.

Lembra que eu sempre dizia que a gente ia ter filhos? Ainda sonho em ter filhos, desta vez vou olhar melhor para o futuro, devemos deixar o passado descansar em paz e seguir em frente.

Você seguiu e eu também.

Mas me responde uma pergunta, você ainda chora?

O que eu quero saber mesmo é, você já chorou por mim? Não precisa responder, não alimente meu egoísmo narcisista, se eu já perguntei lá em cima e você não respondeu ainda é porque eu não preciso saber.

Tem coisas que ninguém precisa saber, não é mesmo? Mas há coisas que acabamos descobrimos por mais dolorosas que sejam e ainda me arrependo por isso, por ter tido algo para se esconder de você, por trair sua confiança e aproveitar do seu amor. Me desculpe por isso, por tudo isso.

Adeus mulher, espero que seja muito mais feliz do que já foi comigo, espero que essa vida que você carrega venha cheia de luz.

Daquele que um dia te amou e não deu valor.

Você se lembra, não é? A raposa negra da floresta…

Bananeiras ao vento.

Neste momento, sentado do lado de fora olhando o gramado e pensando,

Hoje não quero cozinhar.

Sinto inveja de mim há três dias quando eu bebia cerveja e mexia no ritmo da música, eu estava feliz?

Sentados aqui, sem vontade de levantar eu olho o nada cheio de Bananeiras e lembro da música

Mesmo se ela tocasse agora eu não dançaria, aquele cara de três dias atrás se foi e quem ficou foi eu e a monotonia.

As catástrofes que me rodeiam.

Eu acordei e estava em auto mar.

Por um momento me senti atordoada, mas depois que parei para pensar tentei lembrar “afinal, o que fiz para vir parar aqui?”

Tomei meu remédio e me deitei, foi quando as ondas me embalaram.

As ondas se formaram numa única onda gigante e me levou, me afogou, me desesperou.

A noite toda foi tempestade.

A noite toda esperei algum monstro invisível comer meus pés.

Já é dia, não há tempestade, mas ainda estou aqui deitada na cama deixando as ondas me levarem.

Tentei me levantar, mas uma onda maior que eu me afogou.

Estou afogando, afogando.

A água é o meu catalisador, mas por quê ainda me sinto assim tão suja?

Tento me levantar da cama, sei que as ondas vão passar e só voltarei mais tarde quando for me deitar novamente.

Saio do mar e vou para a praia, onde o furacão me espera.

Olhando no espelho eu vejo a verdade.

O mundo se instalou no meu estômago, volta e meia se revolta.

Quando sobe em ventania, quase leva meu coração.

O mundo que se instalou no meu estômago é tão grande que pesa meus sonhos.

Minhas costas doem, meu intestino se contorcendo e eu não posso fugir, porque o que está me matando vive dentro de mim.

O monstro está em mim e se transforma em mim.

Eu choro, eu grito, mas ele persiste e fica.

Alguém me socorre, mas pedir em silêncio é pedir um milagre.

Não tem resposta.

O mundo que mora em meu estômago está se desmanchando e criando o caos.

Voltei onde tudo começou e descobri que já se faz 21 anos.

Será, que apesar de tudo o caos sou eu?

Guarda-trecos não guardam meu coração.

Abri minha bolsa marrom e minha depressão me engoliu buraco adentro.

Fiquei sem chão, pensando em tudo o que fiz.

Aquela sou eu, aquele pedaço de carne?

Onde me enfiei? Onde estou?

Você disse que iria orar por mim.

Vejo que não orou, porque se então eu não estaria nesse buraco cada vez mais fundo, cada vez que olho estou caindo, estou sem chão.

Meu coração se partiu em cinco e cada vez que conto se torna sete e até a última vez que olhei já estava em trezentos e oitenta.

Não se regenera mais.

Estou perdida.

Nessa bolsa não tem um maço de cigarro, só maquiagens, papéis, óculos escuros, hidratantes, agenda, óculos de grau, medicamentos, nem dinheiro tem.

Odeio cerveja, mas vou beber, beber, beber, beber.

Beber para não sofrer.

A ironia que o destino me reserva é tão grande que mesmo bêbada eu choro.

Ainda estou caindo.

Ainda estou perdida.

Fechei minha bolsa.

Mas a depressão saiu de lá e me engoliu.

Agora estou aqui, presa nessa gelatina de sofrimento.

Se chorar, posso morrer.

O tanto que te amo é maior do que controlo.

Amar é tão difícil, que pesa no cotação. Nos tornamos refém do cheiro, da presença, da voz, da opinião. Nos tornamos viciados em tudo o que aquela pessoa faz e isso trás medo, será que eu devo depositar tanto sentimentos assim em alguém? Devo me entregar tanto assim a alguém? E é isso que estou fazendo, me entregando, amando tanto que chega a doer, o medo de perder, o medo do abandono. O que devo fazer? Devo abandonar primeiro? Devo afastar até esse sentimento passar? O que devo fazer? Meu coração chora para ficar, meu cérebro grita para correr, mas no fim quem manda é meu corpo, afinal, ele é sedentário.