Assista a “Tango with Lions ~ In a Bar” no YouTube

Eu poderia beber até a última gota dessa música…

Anúncios

O meu corpo é parte teu.

Entre as paredes onde deixamos nossos sonhos rabiscados.

Eu te beijo, e brinco com teus sonhos.

Tire minha roupa, eu digo.

Me beije, imploro.

Refém de teu cheiro,

Um vício por tuas carícias.

Mova tuas mãos, homem!

Imploro.

No íntimo, eu choro.

Não me deixe, sussurro por dentro.

Sou louca pelo teu jeito.

Sou amante do teu sorriso.

Volte, volte.

Me beije.

Ainda continuo aqui,

Com sede da tua pele.

Com fome,

Do teu corpo.

Tudo o que quero é o teu amor, mas tudo o que eu digo é gostoso.

Aqui dentro, escondida do mundo eu me permito ser sua.

Ainda é noite, meu bem.

Estamos só.

Ninguém verá o quanto me rendo.

O quanto me dou.

Me permito ser completamente sua, onde ninguém verá que pertenço somente a ti.

Você.

Entre teus beijos escuros

Eu me aprofundo

Eu desço

Eu deito

Eu me enlouqueço

Esqueço

Entre teus abraços

Eu meio que me perco

Entre o chão

Entre o ar

Entre o ar para respirar

Vem

Vem

Me beija

As pernas

As mãos

O corpo

É arte

Escreve

Teus versos

Com teus lábios.

Há uma caixa com um gato preto dentro, nem vivo e nem morto.

Estou aqui escutando aquela música que você me mandou quando era só uma garotinha sonhadora. Você lembra? Você lembra como a gente se encaixava bem, como a gente jogava a noite inteira e contava nossos sonhos para o futuro?

Faz anos isso, antes você era uma garotinha indefesa, agora você é uma mulher forte. Você é tão forte que pegaria o mundo inteiro com uma mão só enquanto faz o jantar de família.

Mas antes de tudo isso acontecer nós juramos, juramos de sangue que nada ia nos acontecer. Nada ia nos atrapalhar, nada ia nos separar.

Até você morrer.

E o mundo que você segurava com uma só mão caiu em cima de mim e me transformou em pó, a sombra do homem que eu sempre fui.

A sombra do homem que você queria que eu fosse.

Volta Margarida com teu riso fácil e teu medo de escuro.

Te protejo.

Te salvo.

Te curo.

Tua doença te matou, te levou para profundezas da tua mente.

A música continua a tocar 10 vezes mais.

Volta Margarida, a mulher forte que você é ainda mora em mim mente e está presente sempre em meu coração.

Volta e me cura da minha solidão.

As minhas pernas longas não alcançam ao céu.

Lembro da minha infância, exatamente num sábado cedo a minha avó me sentou ao seu lado e disse:

Agora nós vamos aprender a juntar os retalhos para se tornar uma linda colcha.

E assim, retalho por retalho nós costumamos e juntamos atende tornar uma linda colcha colorida. Cheia de vida, confortável, quente, invejável. Os meus dedos pequenos ficaram doloridos, cada vez que a agulha entrou e tirou sangue, mas no fim eu fui recompensada, a colcha era minha.

Hoje, sentada no chão, rodeada de bitucas de cigarro eu me sinto em fagalhos, sem força para chorar, levantar e me remendar. Quem vai juntar os meus trapos e me costurar?

Meu coração já não bate tanto, antes mocinha, agora mulher. O que sou? Quem sou?

Minha vó já se foi, há tempos ando sozinha, perambulando pelas noite, fumando pelos becos e dançando sem vontade.

Meu coração já não é o mesmo, ele está despedaçado.

Levanto, abro a janela e olho pra baixo. Às árvores, o vento, as pessoas.

O mundo não para, ninguém para, jogados de um lado ao outro em busca de respostas.

Buscando algo invisível aos olhos e desejado pelo coração.

O que eu desejo? Me pergunto, mas essa pergunta está longe de ser respondida.

Volto a fumar e olhar ao céu, será que além dele, além das estrelas, além do sol, dos planetas, das galáxias há outro lugar?

Deixo a fumaça subir e buscar suas próprias respostas.

Ainda sim, continuo em fagalhos.

O resto do mundo dá alô, eu durmo. O natal ainda é o mesmo.

O dia todo foi comum, me levantei, me lavei, comi, peguei um livro e mergulhei, a noite, sem vontade nenhuma me arrumei, bem arrumada para quem quiser ver, fui a uma festa, sem vontade nenhuma, fiquei. Sorri, comi, observei.

Voltei, alívio, estou em casa, sozinha.

O outro dia, o mesmo, dessa vez abdiquei as festividades, sozinha fiquei e sozinha fiquei feliz.

O natal ainda continua o mesmo, um dia normal.

– Feliz natal – me dizem.

– Igualmente, obrigada. – Retribuo.

Minha educação é de berço, minhas crenças também, acredito em respeito. Esse, para mim, é um dia qualquer, marcado pela presença da esperança de melhorar.

O natal ainda é um dia de hipócritas. Se quer melhorar, comece todos os dias, então sim, esse será um dia bonito.

A cama que nós construímos no sonho.

Deitei do teu lado e mesmo assim tão distante.

As voltas que dão nossas tranças em três nos contam histórias. O passado era nosso, hoje sou só eu.

A terra é fofa embaixo da cama, às vezes me esqueço que você também está aqui, deitada do meu lado de olhos fechados e chorando.

Não chores, imploro, mas você não ouve.

Camadas e camadas de pó, poeira e estrelas.

O céu está claro, mas tudo o que eu vejo é o nada.

Perdeu a poesia, menina? Perdeu o gingado?

Deitada do teu lado, e mesmo assim tão distante me lembro, há um braço, uma perna, há um tronco, uma mente, há teu cérebro.

Mas o coração, aah, o coração é meu, todo meu!

Chegue mais perto, chegue mais perto, entre em mim e verás, eu sou sua.

8 ou 80 não importa o recipiente. 

Meus olhos transcendem o opaco que aumenta com o tempo. 

As pernas fraquejam diante do perigo eminente: a morte. 

Dos lábios rachados e finos eu canto um hino há muito esquecido: o Adeus. 

Depois das memórias perdidas eu busco o som de um beijo jovem, em anos. 

O meu peito era farto em força e cheio de sol, agora, o nada é branco e fraco. 

Os dois que vejo em você se separa entre ideias e conceitos, adeus. 

Adeus memória, meus ouvidos não são os mesmos, não entendemos adeus, só o agora. 

Estou velha, não morta. 

Estou aqui, viva. 

Meu peito chia, minhas pernas tremem, mas minhas memórias, minhas memórias são nítidas. Não leve, deixe, é meu então fica. 

Agora, na cama, na grama, na maca ou no teu colo, para sempre jovem, o espírito é livre. A alma é jovem.