Você e eu encarnando S. Freud apenas para o que convém. 

– Ele é um idiota. Tão egocêntrico ou tão decadente… Sabe? A forma como ele forma as palavras para sempre fazer ele parecer como se fosse a vítima de tudo e todos. Deus! Como detesto ele!
– Não seja tolo Léo, ele é assim, mas… Sabe? Sabe quando ele começa a cantar e toda áurea que gira em torno dele se torna colorida e brilhante como uma chama no escuro? É assim… É quase como se quando ele estivesse cantando e tocando fosse tão poderoso que poderia se expandir e expandir até alcançar as zonas negras e corruptas de meu coração, é quase como se ele pudesse me beijar, lábios e lábios, línguas e línguas e isso fosse tudo psíquico.
– Mas isso não faz um homem, você sabe que há princípios que giram em torno de nós como bolhas acessíveis aos nossos momentos e instantes de emoção. Ele utiliza só aquelas coloridas e brilhantes como uma criança mimada.
– Droga! Eu sei, droga, droga, droga!! Eu super sei! Mas é essa coisa, esse ser que mora em mim dentro de uma caverna impenetrável que só acorda quando ele canta, quando ele ri, quando ele toca. É como se eu vivesse, apenas vivesse para sentir isso.
– Você precisa de ajuda.
– Todos nós precisamos, alguns mais, outros menos. A minha ajuda vem em forma de um cara idiota com um dom enorme.
– Sou otimista por natureza, então… Quem sabe a ajuda dele vem de uma mulher totalmente controlada, mas que se transforma numa outra mulher apaixonada e um pouco tola quando ele abre a boca e canta ladainha?
– Haha, você é engraçado!
– Eu sei, sou muitas coisas.
– Sim, com certeza você é e um dia vai achar al…
– Ah, pelo amor Tereza! Chega disso, vamos fingir que nunca houve nada, vamos fingir que o agora é o agora e ontem foi ontem. Que tal?
– Você dizendo isso não vai mudar o que penso.
– Pois, minha querida isso é o seu Ego falando, e o meu Superego está me mandando embora, apesar de que meu ID queira ficar com você aqui e bom, melhor não falar, certo? Beijos querida, tomara que você seja a ajuda que ele precisa e que ele aceite.
– Você é meu herói!
– Pena que heróis não recebem salário né? Eu estaria rico!!!
– Beijos Léo…
– Beijos Tereza…
– …

Amigos, amigos, salvar-vidas faz parte. 

A faca em minhas mãos escreveria uma história em meus pulsos. 

A tinta era sangue, as lágrimas o enrendo. 

Tudo o que eu era se foi. Naquele momento partiu, o sangue jogorrou. 

Não. 

Não. 

Não. 

Foi essa palavras ditas três vezes que me fizeram ficar. 

Você disse. Gritou. 

Eu o olhei. Caí. 

Já é tarde! – gritei. Pedi para que fosse embora, ficou. 

A faca em minhas mãos contaram outra história. 

Você as tirou. 

Jurei. 

Juro. 

Você beijou cada parte do meu rosto, enquanto morto. 

Se foi. 

Voltei. 

E então, depois de tudo, ficou. 

Entre as paredes de um quarto quente. A sensação fria que fica quando você tira as mãos. 

O tempo está quente. 

O ventilador ligado. 

Meu corpo nu estirado na cama. 

Você ao lado. 

O vento é fresco, o calor se vai. 

Você ao lado. 

Cantarolando. 

O seu corpo ao lado. 

Me esquentando. 

Suas mãos, confortáveis, nas minhas costas, acariciando. 

Você tirou. 

Está frio. 

Só. 

Só frio. 

Solitário é estar com frio. 

Você voltou. 

Sua mão nas minhas costas. 

Está quente. 

Confortável. 

Estar só, mas com você. 

Não tão só. 

Não tão frio. 

Não tão quente. 

Fecho os olhos, sorrio ao dormir. 

A alma e o corpo. 

A minha alma saiu do meu corpo e pôs a vagar pelo mundo. O corpo, que é carne e ossos tornou-se só. A alma, foi para longe, onde os corpos não entram, onde os homens não tocam, onde só os espíritos vão, os sonhos. A alma voltou.

Meu corpo tão só ficou que independente se tornou. Rejeitou minha alma. Rejeitou o próprio ser que lhe aspira a vida e dá discernimento as palavras vazias. Doente, assim que ficou. Rejeitando a alma, doeu o estômago, até às tripas colocou para fora. Doeu a barriga, o intestino ficou todo dolorido. O corpo chora, a mente chora. A alma quer ir embora. Para onde? Quando é grande a distância entre corpo e alma só nos resta a morte. 

Dama de negro comlabios suaves, espero teus beijos. 

O meu corpo me rejeita. Eu choro. 

O que faço? O que faço se sou corpo e alma?