A morte veio por trás e me deixou um recado. 

Fechei os olhos por um momento e senti alguém me atacando. A faca entrou e rasgou todas as camadas da minha pele. A última camada a ser atingida foi a espuma do colchão. O meu coração batia descompassado. Minha respiração estava acelerada. Era isso? Fácil assim? Eu havia morrido? Estou morta? Morri sem saber quem me matou. Morri sem saber quem havia penetrado tão firmemente, tão corajosamente, tão impiedosamente a faca em minhas costas. Eu estava de olhos fechados. Via as costas do meu assassino, sentia teu rastro, mas teu rosto não tinha nome, teu rosto não tinha forma. Morri como uma indigente, mas o único desconhecido era meu assassino. 

Agora, de olhos ainda fechados, estou em outra porta. Escuro as vozes, os passos, sinto o cheiro, percebo o som, o lugar, as pessoas. Os olhos ainda nublados. Quem é o meu assassino? 

Virei para o lado respirando com dificuldade, o lugar escuro, a mente fechada. O coração acelerado. Vejo fumaças e sombras ao meu redor, o corpo de uma mulher, ela vira, seus olhos se fecham ao sorrir. Ela está nua, se sente bem consigo mesma. Ela sabe que é bela porque ela escolheu ser bela. Ela se vai assim como chegou, sombras e fumaça. Estou sozinha, o quarto escuro, a mente fechada, o coração descompassado. Abro os olhos, não há ninguém, se eu morri só eu senti. Agora de olhos abertos olhando para o lado eu vejo, o assassino me encarando de olhos abertos e arregalados. Consigo dormir. 

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