O sopro da luz finita. 

A luz que entrou pela janela tinha uma áurea mágica. 
De fora os pássaros cantam. 

De dentro eu choro. 

O dia que amanheceu, pra mim foi só mais um dia.

O que dói fica, o que alegra se vai. 

Já estou morta, mas ninguém viu. 

A luz que entra pela janela reflete os sonhos que perdi. 

Eu olho para o espelho e vejo só um corpo sem vida. 

Já não sinto o que sentia. 

Eu estou morta, mas ainda não sabem que morri. 

Hoje estou do lado de fora, a luz aqui é mais clara. 

Ilumina todo o espaço, mas não me faz sentir. 

As plantas que eu jogo água parecem todas mortas. 

Elas crescem e morrem. 

Eu ainda estou aqui. 

Não vai. 

Não vai. 

Eu gritei com meus olhos. 

Mas ninguém ficou, escutou. 

Estou velando meu próprio corpo enquanto ainda tenho vida. 

Depois serão só os vivos que já estarão mortos. 

A luz que entra pela janela ilumina o meu rosto. 

Já é noite e eu ainda estou aqui. 

Morta. 

Morta. 

Você vê? 

Sente o cheiro de frescor. 

O cheiro da morte que ainda resta vida. 

A luz que entra pela janela já se apagou.

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4 pensamentos sobre “O sopro da luz finita. 

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