Do outro lado do espelho. 

Os meus olhos fitaram aquelas águas azuis e transparentes e me senti fixada no embalar do vento carregando meu suspiro e meu cansaço. “Você não devia estar aqui”. Não me assustei, essa voz me persegue onde quer que eu vá, uma voz tão cansada que quando fala suspira entre os respiros e inspiros. Eu não disse nada, minha voz eram cordas mal tocadas e um guinchado que seja eu teria que me afastar. 

Aqui, você pode ver, os meus pés tocam as pedras grossas, sente o frio da água e o contraste do sol na pele. Em algum lugar no céu, quando olhei para as nuvens pesadas eu vi alguém tocando  echoes e senti meu coração apertar. “Estou morrendo, morrendo nesse lugar que não me pertence”. A água se tornou gelos e cortaram os meus pés, o sol se tornou sombrio e me deixou com frio, o vento já não me acariciava e quando passou por mim cortou minha pele, ora, nem minhas lágrimas ousavam sair. 

Eu abri os olhos, tudo escuro onde eu estava, meu corpo doía de ambos os lados, meu cabelo era um ninho de ratos. O cheiro acre do quarto me acusava de várias coisas e tudo o que eu sentia era um vazio imenso, um nada me esperando do outro lado. “Está na hora de seu remédio”. Agora sim, estou no lugar certo. Um emaranhado de mentiras e medos. 

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