Um sopro de dois vermes não é nada. 

Está tudo escuro. Ele é uma consciência sem corpo, deitado em seu próprio âmago. Se tivesse olhos  estariam virados e tudo o que veria seria a negritude do nada, o nada ausente de luz. Em trevas sem onde se erguer, sem corpo a doer, sem objeto a dar vazão há uma janela, nascida do nada, do pó das estrelas, do enxofre dá terra, do calor do fogo. A janela respira, inspira, respira, inspira. É uma boca, o vai engolir. Chega, chega, chega. Chegou. Ao abrir para o horizonte seus olhos fictícios o cegou, a luz o consumiu e tudo o que ele sabia não era nada. Tudo o que ele imaginou foi uma farsa. Farsa, farsa gostosa de dizer. O céu não era azul, era cinza e cheio de vapor. O campo não era verde, era cinza e cheio de erosões. O ar não tinha cheiro de frescor, era podre e envenenava. As pernas que ele conseguiu surgiu do nada, duas letras disformes que um dia serviram de nome. Os braços que ele conseguiu não eram nada, dois números sem qualquer significado. A boca que ele conseguiu era enorme, falta dentes e língua para o som. O jeito que ele andava não era nada, tudo o que teve o repeliu. Feche, feche, feche a janela. Jogue tudo fora, volte para o escuro, a luz machuca. O que ele tinha lhe foi arrancado com uma arma. 

Deitado em seu próprio âmago, era mais do que já teve, farrapos de valor inestimável.

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2 pensamentos sobre “Um sopro de dois vermes não é nada. 

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