Não leia, isso é só baboseira de uma pessoa de… A… Lou.. 

Tirei uma foto sorrindo. 

Meus olhos me olharam acusadores. 

– Mentira! 

O sorriso era falso, o olhar triste ainda está aqui. 

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Divagando sobre minha dor. 

Vomitei. 

Meu Deus, como vomitei. 

Mas podre por dentro está minha alma. 

Meu coração não sai, por mais que eu vomitei. 

A dor persevera diante dá minha clemência. 

Suplico.

Só um instante. 

19:25 deitada num quarto escuro. 

A ansiedade bateu na minha porta e mexeu com minhas entranhas.

 Com ânsia de vomito eu andei, sentada no banco eu chorei.

 Ninguém viu. Ainda bem.

 O meu coração parou na terceira batida. Agora ele é uma mancha escura que não para mais. Bate-bate. 

Cada suspiro é uma facada. Alguém me disse que ficar de cara feia envelhece. 

Meus lábios são um pedido mudo de socorro. 

Ninguém percebe. 

Alguns minutos é tudo o que preciso. 

Paz. 

As dores que o tempo deixou nas minhas juntas. 

Sentou numa cadeira e fumou. Sempre odiou o cheiro do cigarro, o sabor. Já que estava sozinho aproveitou cada fumaça. Uma regalia. Os lábios escuros, dentes amarelos, gengivas roxas. Um luxo! Se dissessem para ele que um dia fumaria ele iria rir. Diria “Baita mentira”, mas não era. Coração estava preto, pulmão não funciona direito, tosses catarrentas, uma solidão que só. 

– Canta uma música pra mim! – Riu, que pedido sem senso, estava sozinho. 

“Olha meu amor, você está sozinho…” – alguém cantou. Que calafrio, quem era? Ali naquela caixa estava só ele. Seria um fantasma? Mas que fantasma de voz doce. 

– Quem é? – Dessa vez apenas o silêncio, ou melhor, a ausência de som. Sua mente já não era mais a mesma, estava lhe pregando uma peça. 

– Senhor Carlos?! Fumando escondido?? Que fantasma mais sem noção. 

– Some diabo! – Mas não era assombração, era real. E ela não foi embora. 

– Vamos senhor Carlos, está na hora de tomar seus remédios! 

– Me deixa estrupício! Tô morrendo mesmo! Remédio é pra quem sabe que vai ficar vivo! – Antes que lhe pegassem o cigarro, deu uma última tragada. Ah, que nojo esse vício, mas não tem melhor. Se tem é mulher cheirosa. 

Singelo pedido. 

O seu nariz sensível se entrega aos aromas. O cheiro de lavanda e alecrim inundam a sala enquanto a brisa suave da manhã bagunça seus cabelos. Quem é essa mulher de pele escura e olhos profundos? Ela sorri, se eu fosse outro juraria que ela me ouve. 

– Café? – Pergunta a moça, mas ela diz que prefere chá, a moça que entregou logo sai para buscar. Sentada com as costas eretas, o olhar vago ela encara as árvores no fundo dá casa. 

– Lindo seu jardim. – Os lábios foram feitos no mais lindo molde, feitos para saborear apenas frutas maduras. 

– Plantas nos cativam e tomam nosso tempo como se nada fossem. – Ela concorda “como se nada fossem” repete, cada sílaba é dita como se tivesse bebido água depois de muita sede. 

– O que veio fazer aqui? – Pela primeira vez ela o olha. O homem do outro lado, sorri, tranquila e relaxada. 

– Adoro o cheiro que sua casa tem. Alecrim e lavanda. -Se levanta, no momento em que a moça entra com a bandeja de chá. ” A senhora já vai?“, Pobre moça, está confusa. 

– Tenho que ir. Hoje o dia está muito bom para ficar dentro de casa. – O homem se levanta, sorri para ela. Sempre assim, vem todos os dias, senta, pede o chá e vai embora. 

– Sabe? Acho que você quer que eu peço sua mão em casamento. Você vem em minha casa todos os dias e diz que a adora. – Ela riu de forma suave. Seu corpo parecia dançar com vento. 

– Eu adoraria, mas por favor, não fique só com a mão, seria constrangedor. – Ele a acompanhou até o lado de fora. Se linda por fora, imagina por dentro? A beleza está nos olhos de quem gosta. 

O dia estava ótimo para uma caminhada, ele disse. Ela concordou, não foi embora. A natureza tem seu próprio tempo. 

Uma moeda com dois lados desiguais. 

Tem doze horas que estou deitado tentando dormir. A sensação é estar dentro de um caixão selado, mesmo estando vivo. 

Dentro de minha cabeça só há minha voz,  ela é distribuída em corais. 

E grita grita grita. 

Moro sozinho em casa e isso me faz refletir, se eu levantar agora e ir ao banheiro quem vou encontrar no espelho?

 Minha voz dentro de minha cabeça canta uma música que só minha mente distante entende, mas ela já não está mais aqui. O que significa? 

Levanto da cama e alguém me segue. 

É só minha sombra. 

Me tranco no banheiro. 

Outro estranho. 

– Vai embora. – Se essa é minha voz de quem é a voz na minha cabeça? 

– É minha. – Quem é esse no espelho?