Eu desejo, eu desejo, de todo coração… 

Os saltos ricoteavam pelas paredes, um lugar todo branco, cheio de luz. Mas fedia. Fedia a fumaça de cigarro, cerveja velha jogada nos cantos, alma podre. Claro, não sei que cheiro tem alma podre, mas posso imaginar. – Você não vem? – Olhei pra mulher que estava em minha frente me guiando, eu devia ter-lhe dito que eu não queria ir há muito tempo, mas do que adiantaria? Talvez um sorriso debochado, um olhar de piedade e umas condolência como se minha mãe estivesse morta. Não, prefiro não. Continuamos andando, de fora o lugar era lindo, cheio de árvores, cheio de pássaros, e de longe se podia ver o mar. Ó bela Escócia, de dentro de mim não sais. – Seu quarto é esse, mas caso prefira nós podemos trocar. – Eu não vi necessidade, qual fundamento em trocar um quarto branco por outro branco, além do mais a paisagem era magnífica. – Estou bem aqui. – Ela concordou, me deu umas instruções qualquer e se retirou. Fechei a porta e a traquei.                                  Sempre que eu fecho meus olhos e vejo meu sangue escorrendo pelos meus braços, meu pescoço. É assim que imagino minha morte, cheia de sangue. Estou tão cansado que quando abro a boca pra falar sai apenas um suspiro. Queria morrer. 

Abro a porta da varanda e ando pelo jardim, quando será que irei? Odeio não ter mais nada pra pensar. – Você deveria manter sua mente desligada. – Havia uma sombra no chão, mas apenas isso, mais nada. – Quem é você? – Uma risada fraca dançou ao meu lado, ela e a sombra. – Me chama tanto e não sabe quem sou? – Resolvi sentar na grama e deixar o sol bater em mim. Minha profunda tristeza me carregou para outro lugar dentro de mim. Pra loucura. – Você não deveria duvidar tanto de si, principalmente do universo que nos cerca. Você deveria abrir os olhos. – Meus olhos abertos ou fechados continuavam a mesma coisa. Eu olhei para a sombra, um corpo belo. Cheio de curvas. – Tudo bem Sombra, me leve contigo. Me faça confiar. Me faça vivo. – Novamente a risada, dessa vez mais alta. – Te mato. – A sombra, finalmente, deu lugar a um corpo sólido, uma bela mulher. Ela veio em minha direção nua e com um belo sorriso, me abraçou e o calor tomou meu corpo, não o calor da paixão, mas outro calor. Fechei meus olhos e me fundi a ela. Ela me beijou e cantou uma canção pra mim. Esqueci tudo, de onde eu era, pra onde eu ia. Finalmente sumi. 

– Foi uma morte limpa. Incrível o mundo. O pobre homem veio fugir da depressão e do suicídio, mas quando estava aqui morreu, e o mais incrivel, morte natural! – O policial olhou a mulher e balançou a cabeça. – O mundo, senhora, é realmente um mistério. Olha bem a cara do morto, morreu sorrindo. 

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