Século 30, a época da indecisão do amor da vida.

-Irei me abater de ti! Tu verás, assim como o sol nasce todas as manhãs e o tempo impertinente caminha sem ninguém, sim, eu me esquecerei de ti.
– Tu? Tu me amas, e não há no mundo quem olha para estes mesmos olhos que me olham agora e diga que eu não me amas! Tu me quer!
– Sim! Sim, eu te quero, eu te desejo. Mas não, amor não. Agora olhando pra estes teus lábios vermelhos falsos eu vejo a verdade. Não te amo. Insolente, acha que sabes tudo o que sabes sem ter a mim? Eu te ensinei, eu com meu amor que te amei. Mas assim como as flores florescem depois do inverno cruel, assim, como a chuva desce depois do verão ensolarado, eu te esqueci. Tu não me faz falta, tu não passa de um corpo que eu quis.
– Para! Imploro que pares com esse teu jogo, com essa tua bobeira. A única coisa que te digo que te digo então é adeus. Adeus meu amado insolente, que escreveu poemas de amor em minha pele nua. Lavou meu corpo com tua língua úmida. Me mostrou o sol nascer no calor dos teus braços. Tu estás errado. Eu te amei e sempre amarei.
– Vá, vá, vá, vá!
– Meu corpo ainda guarda as marcas dos teus pincéis.
– Você não vai? Eu irei!
– Pode ir, mas você sempre se lembrará do sabor desses lábios vermelhos falsos.
Adeus fantasia, homem fraco que acredita só em mentiras.

Minha mente não é minha, ela é dominada por você.

Você sempre deixa a roupa jogada pela casa, as calcinhas pelos cantos, a toalha em cima da cama. Mas toda vez, que brigo com você é inútil, porque você já não está aqui pra me escutar. Nessa relação entre eu e você só existe eu, porque você nunca quis existir.

Amor perdido, coração partido.

Suas mãos gosmentas passavam pelo cabelo curto dela. Ele a beijava com sua língua grossa e úmida.
– Por favor – Ela não dizia nada com clareza, apenas balbuciava.
– Calma, calma. Você é tão forte. Hum, uma delícia – Ele levantou sua cabeça pesada e deu um cheiro no ar.
Ela chorava em silêncio, com seu peito aberto e exposto para a grande língua o saborear.
– Quantas vezes eu terei que morrer? – Ela dizia chorando, o seu coração aperto pulsava naquela língua grossa.
– Todas a vezes que você se apaixonar. Ele riu e riu, lambia a ferida aberta.
– Hum, você é uma delícia. Puro amor! – Ela apenas sentia a dor em silêncio e o monstro a saboreava, um delícia. Puro amor.

Sereia-me.

Fiquei sem você
Foi então que fugi para o mar
Onde eu podia ser sereia.

Naquelas águas profundas eu senti o sabor do sal.
Era minhas lágrimas misturadas a luz da lua.
E tudo o que eu queria, enquanto mergulhava
Era um cigarro.

A sereia da barbatana azul também chorava.
Era meu, esse mar de lágrimas salgadas.