O teu fresco na minha pele quente.

Talvez estivesse chovendo,  ou o barulho fosse só meu mesmo. Não sei.
Olhei para ela,  como a curva do seu pescoço era fina e deslizava pelo seu busto,  com seus lindos ossos se mostrando. Ela estava encostada na porta e seus olhos me seguiam,  eles me olhavam mexiam os lábios que somente eu via “Me ajude”.  Seu corpo magro e sem cor ficou parado me olhando, tudo o que eu queria dizer era que a amava e gritar ao mundo o meu amor.  “Você cai sobre mim como um vento fresco em um dia de verão” que tolice. Quanta tolice.
Senti vergonha de mim.
-Vou embora. –  A olhei sorrindo,  por que não paro de sorrir? Os olhos dela transbordaram e ela chorou,  e suas lágrimas caiam em uma tempestade tórrida. Eu queria correr e a abraçar, dizer que a amava que a queria que era minha. Mas não,  eu ri. Como eu ri. A risada veio do fundo da minha podre alma e eu ri até chorar. Eu chorei. Chorei e ri. Os olhos dela secaram, os lábios murcharam e ela simplesmente se virou e se foi. Não me viu chorando, não me viu tremendo. Não me viu implorando pra que ela ficasse. Morri. Nunca morri antes. O corpo dela se foi, o cheiro, o som, a risada,  a pele. Ficou somente eu e a podridão. Tudo o que sobrou dela morreu, morreu dentro de mim. Aquele dia choveu. Borboleta virou flor e voou.

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