Desabafo pessoal. (Ignorem os erros )

Eu sempre me considerei uma pessoa realmente pacífica. Sempre que eu deseja o mal para alguém eu rapidamente pedia perdão em silêncio e desejava coisas boas, afinal todos somos errantes, todos temos nossos problemas, dias ruins, escolhas ruins. Eu sempre “deixei pra lá”, sempre ” esqueci”, sempre “segui em frente e não olhar pra trás”. Nunca pensei que eu, com esse tipo de pensamento do bem, tivesse algum problema. Até mesmo quando as pessoas me maltratava, ou quando me faziam sofrer. Mas hoje, hoje eu aguentei novamente e meu corpo respondeu o contrário. Eu trabalho cedo, o dia todo, canso como todo ser humano normal, e ainda chego em casa e me arrumo pra faculdade e busco conhecimento, um mundo melhor pra mim onde eu possa fazer minhas escolhas. E então, 7hrs da manhã (estou tremendo) uma moça me pergunta quem iria passar no caixa se forma ríspida, eu fui e a atendi (essa nem é minha função na minha empresa), fui educada com ela, gora nenhuma a desrespeitei, hora nenhuma eu a maltratei. Mas o mundo testa nossas defesas. Ela começou a dar piti porque o preço estava errado na prateleira e outro no caixa, minha ADM logo devolveu o dinheiro pra ela, aí ela gritou pro pai dela que aquilo tava errado, sendo que ela já havia sido ressarcida, ela foi embora e eu continuei meu atendimento. MAS ENTÃO, então que eis que o pai dela volta e pergunta quem passou a filha dele no caixa, sim, eu. Logo me apresentei e disse que eu que havia atendido ela, e ele queria meu nome, por quê? Ele disse que eu fiz cara feia pra filha dele e que ela, segundo palavras dele, é a menina mais honesta, correta, bondosa, uma gracinha de pessoa, não merece receber cara feia. Que iria tomar as devidas providências e queria meu nome, que a filha dele estuda de manhã e trabalha estagiando de tarde. Eu pensei, e eu? Eu trabalho o dia todo, pago minha faculdade (que não é barata), faço minhas despesas particulares e ainda tiro botas boas na faculdade (que não é fácil). Não dei meu nome, pedi desculpas pra ele e disse que iria me informar com minha advogada se eu poderia fazer aquilo. Ela não se apresentou, apenas o pai. Eu, tentando ser uma pessoa íntegra, logo pedi para ver ela e pedir desculpas pelo mal entendido, que eu não fiz cara feia, que eu nunca faria isso dada as circunstâncias. E ele? Ele disse um monte, nem lembro mais de tão nervosa e injustiçada que eu fiquei, eu que tento buscar um mundo melhor pra mim e as pessoas ao meu redor. Eu.
Assim que ele foi embora eu comecei a ter uma crise alérgica, fiquei severamente ruim, fiquei inchada, meu nariz congestionou, um espirro atrás do outro. Pedi desculpas pra minha ADM, mas ela me conhece há anos e sabia que eu estava correta, passando muito mal eu fui embora. Sabe o que aconteceu? Eu tive uma crise nervosa, isso nunca aconteceu comigo, eu nunca dei falta de ar, nunca parei de respirar, nunca perdi o movimento das mãos. Não antes de hoje. E foi assim, que eu descobri como o mundo é, como que não enganamos a nós mesmos, eu achando que estava bem, mas não estou. Pessoas ruins passam mais doenças pra nós do que as pessoas que tem doenças contagiosas. Elas contagiam nossas almas, nosso corpo, nossa vida. E a menina? Espero que esteja bem e um dia aprenda da maneira correta que as pessoas não são robôs, que temos sentimentos e que se alguém tem algo contra outra pessoa deve ser direto e não mandar recados, isso é feio, covardia. Tive minha lição, espero nunca mais ter outra.

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Curvas solitárias.

Ela ficou com medo de que percebessem que era solitária. Por isso, ao invés de pegar no supermercado tudo o que compraria pra uma pessoa ela levou para duas. Ela e a solidão. “Não é porque eu sou gorda, é porque sou sozinha” ela pensou enquanto olhada para aquelas pessoas de olhares sarcásticos.
O corpo dela era lindo, mas o coração… Um abismo.

Minha vida monótona.

Dormi muito, minhas unhas estão grandes, meu cabelo cheio de nós.
Minha cama entorno de teias e meu quarto já não é mais quarto.
É selva, é Mato.
Dormi muito, minha garganta já não produz som e meus olhos não enxergam muito. 
Minha pele enrugou e meus lábios murcharam.
Dormi tanto que até a Bela Adormecida acordou.

Bela dos olhos de morte.

O grito dela feliz enchia a cabeça que já estava pesada. O seu cabelo escuro e longo descia pelas costas nuas, ela continuou gritando. Tão feliz,  tão Alegre. Foi nesse momento que ela percebeu que ele já não sorria mais.
– O que foi?  –  Você. Ele queria fugir dela, pra longe,  pro outro continente.
– Nada, continue comendo –  Sorriu. O sorriso rasgou os lábios dele e cortou suas bochechas, será que ela sabia que estava destinada a matar?
Ela falava sobre como o dia era lindo, como estava feliz, como as frutas estavam gostosas, como gostava de panquecas.
Ele se levantou e foi ao banheiro. Neste momento já transpirava, tamanha era sua dor, seu desespero.
Como fugir? Como ir embora.
Ela apareceu na porta juntando suas sobrancelhas grossas e escuras numa pergunta silenciosa.
– Estou bem, acho que foi a massa que não estava fresca e me fez mal.  Pode ir, eu já vou.
Fadada a matar, ela era isso. 
Ela não se foi, ao contrário disso. Andou sensualmente como uma moça anda sem saber que está sendo sensual.  O abraçou com seu perfume esmagador leve como uma brisa. 
-Estou aqui com você. Sempre estarei. –  Mas não estaria, pois ele já cuspia sangue e se jogava no chão numa louca convulsão.
– Não me ama? –  Não.
– O que é  o amor, se não amar a si mesmo? – Ele morreu. E ela ficou ali com os lábios ensanguentados e os olhos verdes abertos absorvendo aquele sofrimento.
A risada foi alta, ela se levantou e da com envolta do cadáver jogado no chão.
O corpo dela vibrava em êxtase e ela sorria.
O matou, o matou, não foi?
O matou.
Mas ele já estava morto.
– Ele já estava morto! – Ela Gritou e dançou. Fadada a amar, matar e sorrir.
Ela se foi, com os lábios tingidos de vermelhos e os olhos brilhando.
Pouco tempo depois o acharam no chão.
– Morreu de que?
– Morte natural. –  Não havia nenhuma mulher no banheiro, nem perfume, nem dança. Só aquela gente sem sonhos e esperanças.

O teu fresco na minha pele quente.

Talvez estivesse chovendo,  ou o barulho fosse só meu mesmo. Não sei.
Olhei para ela,  como a curva do seu pescoço era fina e deslizava pelo seu busto,  com seus lindos ossos se mostrando. Ela estava encostada na porta e seus olhos me seguiam,  eles me olhavam mexiam os lábios que somente eu via “Me ajude”.  Seu corpo magro e sem cor ficou parado me olhando, tudo o que eu queria dizer era que a amava e gritar ao mundo o meu amor.  “Você cai sobre mim como um vento fresco em um dia de verão” que tolice. Quanta tolice.
Senti vergonha de mim.
-Vou embora. –  A olhei sorrindo,  por que não paro de sorrir? Os olhos dela transbordaram e ela chorou,  e suas lágrimas caiam em uma tempestade tórrida. Eu queria correr e a abraçar, dizer que a amava que a queria que era minha. Mas não,  eu ri. Como eu ri. A risada veio do fundo da minha podre alma e eu ri até chorar. Eu chorei. Chorei e ri. Os olhos dela secaram, os lábios murcharam e ela simplesmente se virou e se foi. Não me viu chorando, não me viu tremendo. Não me viu implorando pra que ela ficasse. Morri. Nunca morri antes. O corpo dela se foi, o cheiro, o som, a risada,  a pele. Ficou somente eu e a podridão. Tudo o que sobrou dela morreu, morreu dentro de mim. Aquele dia choveu. Borboleta virou flor e voou.

Vida que segue e a minha parada.

Fico me perguntando, o que eu vim fazer nessa vida? Fico pensando nessas mulheres que lutaram contra opressões e opressores de seu próprio tempo, mulheres que nasceram para além do tempo. Lutaram em guerras, foram espiãs, foram guerreiras, mães, esposas, conselheiras. Essas mulheres que nasceram pra vencer. Ai me pergunto, e eu? O que vim fazer? Serei só mais uma vida entre tantas vidas, sem guerra pra lutar, sem país pra salvar… E eu? Mas penso apenas na vitória que aquelas mulheres tiveram. Eu não vejo o sofrimento pelo qual elas passaram. E eu? Eu estaria preparada pra sofrer em prol da vitória dos outros? Em prol de conseguir algo melhor, para logo mais morrer? Estaria eu preparada pra esse sofrimento? Ás vezes penso que sim, então já penso que não. Sim ou não? Não ou sim. 20 anos já é muita coisa pra nada.