História para dois, whisky para um um.

– Vejo que veio me visitar outra vez.
– Eu sempre disse que viria.
– Sempre me esqueço de esperar você. Talvez numa próxima vez em que vier eu já não esteja aqui.
– Hum, como se tivesse muitos lugares pra ir.
– Ora, sou velha, mas ainda me lembro muito bem como dirigir!
– E pretende roubar um carro? Que velha malandra!
– E você um garoto impertinente. O que veio fazer aqui dessa vez?
– Você me adora aqui sua velha malandra! Não aguenta ficar sem ver meus sorrisos.
– Ora, faça-me um favor seu garoto insolente!
– Não ria de mim sua malandrinha!  Sempre diz que está com sono na melhor parte da sua história.
– Lembrar dela me dá sono. Trouxe o que eu te pedi?
– Ainda serei acusado de te matar!
– A única coisa que whisky mata em nós são nossas amarguras. Já viu russo morrer de tanto beber? Nenhum! Meu pai bebia igual louco e nunca sofreu nenhum dano.
– Lembro que você me disse que ele morreu congelado em um rio.
– Sim, mas nunca de beber. Talvez estivesse bêbado, mas o que o matou foi o frio.
– Você é uma velha engraçada. Vai continuar a história.
– Vou. Sempre continuo.

Ester Sousa.

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