Coração que bombeia tinta.

Cortei os pulsos e a dor me rasgou de todas as formas possíveis. O arrependimento me mataria mais rápido do que a perda de sangue se possível. Gritei para ninguém ouvir. Meus pulsos rasgados sangram coloridos. Quem disse que sangue é vermelho? Mentira. Meu sangue verde, amarelo, vermelho, azul, rosa, roxo, preto, branco, lilás, laranja, tantas cores, pouco sangue.
Dentro de mim houve um turbilhão. Nada de memórias, nada de imagens, só dor. Tudo ilusão. Não há banheira para eu me deitar e morrer boiando com um cigarro apagado, mal de mim que não fumo. Não há espelhos para que possa me ver chorando. Ainda bem, minha maquiagem borrou e meu batom já se foi.
Quem disse que cortar os pulsos não dói? Dói mais que viver. Dói mais que amar. Dói mais que sofrer. Ah, se eu soubesse que esse remorso iria me domar eu teria pulado da sacada, assim não sofreria horas e horas antes de partir. Antes de morrer. Meu sangue sujou todo meu carpete persa. Que desperdício. Um sangue colorido tão bonito!

Ester Sousa.

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