Dialeto de loucos, ou você sabe ou você é lúcido.

– Você devia parar de andar de madrugada sozinho. Vai que alguém ruim te encontra?
– Não é sempre que tenho sorte.
– Você é terrível.
– Terrível é o cheiro do seu cigarro, me dá?
– Problemas de sono?
– Também, é mais um problema de memórias, sabe?
– Sei, bom, acho que sei.
– É você? O que faz aqui de madrugada? Ainda mais sendo mulher, os malas não perdoam.
– Na verdade eu só venho quando te vejo.
– Ah é como você me vê?
– Você sabe Antônio.
– Como sabe o meu nome?
– Você também sabe como eu sei. Aqui, outro cigarro. E é o seu preferido.
– Quem é você?
– Você sabe Antônio, não faça isso com você mesmo.
– Droga, eu não sei.
– Tenho que ir embora, amanhã nos falamos. Por favor, apaga a luz quando entrar, você sempre deixa a luz acesa.
– Você me beijou.
– Sim, beijei.
– Por que?
– Porque eu posso te beijar.  Beijar é um tipo de conversa, só que mais íntima, mais secreta, mais gostosa.
– É melhor você ir embora, eu não te conheço bem pra ficar te beijando.
– Tudo bem, beijos Antônio. Apague a luz viu!
– Cada louco, quem é essa? E ainda me beijou. Antônio, mas eu não me chamo Antônio. Ou me chamo? Droga, droga, droga, droga! O cigarro acabou, é melhor eu ir, vai que a sorte me encontra.

Ester Sousa.

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