O seu amor está por aí.

Sente falta?
Estou tão longe.
Escutei sua voz.
Sua voz do além.
Amo-te.
Nunca te vi.
Mas amo-te.
Como nunca me amei.
Frio.
Frio.
Frio.
Quente.
Fogo.
Gelo também queima.
Nem por isso quero que neve.
Corre.
Corre que quando eu te encontrar eu vou te amar.
Ai você morre.
O meu amor sufoca.
Sufoca até matar.

Ester Sousa.

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Fica comigo.

– Que música de funeral – Ela estava apoiada fumando um cigarro e escutando a melodia de coral com cordas.
– Também acho, prefiro UBS metais mais loucos! – O cara era mais velho, devia ter uns vinte e oito. Estavam os três juntos. O outro não fumava, estava quieto, calado. Observando a ambos.
– Você gosta desses músicas de funerais. – Ele disse pra ela. O que observava.
– Não é por isso que elas ficam menos depressivas. – O olhar dela era gelado, raivoso.
– É, igual você fumando. Não te deixa menos de menor. – O cara mais velho a olhou, sem expressão.
– Você não tem dezenove?
– Não.
– Quantos anos?
– E isso importa? – Ela começou a tossir nervosa.
– Importa se eu for te comer.
– Ela tem dezesseis anos e o pai é da polícia. – O cara mais velho terminou o cigarro, deu um beijinho nos lábios dela.
– Boa noite minha criança, quando você for mais velha a gente trepa. – Ele riu e saiu de perto deles, na multidão que estava na frente já não o via.
– Você estragou tudo. – Ela começou a gritar.
– Você quem estragou. – Ele sorriu. Os seus olhos azuis se iluminaram debaixo da armação grossa do óculos.
– Te odeio.
– Então vai embora sozinha. – Ele saiu andando.
– Espeta! Você não vai me deixar aqui!
– Vou, não costumo dar carona para pessoas que me odeiam.
Ela parou.
– Não te odeio. – Ele não se virou.
– Não?
– Não.
– Eu só queria perder a virgindade com um cara bacana. Que me achasse bonita e tals.
– Você soa ridícula.
– Eh sei.
– Vem cá. – Ele abriu os braços enquanto ela chegou e o abraçou.
– Sou um cara bacana e além disso a acho linda.
– Eu sei, mas não vou dar pra você. – Ele riu alto.
– Não quero, prefiro mulheres mais velhas, como a Luísa.
– Não gosta dela.
– Não.
– Vamos embora?
– Vamos.
– Fica comigo.
– Sempre pequena. – Se foram, palavras são vazias quando o peito está cheio.
– Gosto de você.
– Eu sei.
– Muito.
– Eu sei.
– Não vou deixar você dar pra ninguém.
– Além de você?
– Talvez. – Eles riram. Nada como levar uma brincadeira a sério.

Ester Sousa.