Dor que paira em órbitas oculares. Planetas fora de Plutão.

Ela estava pintando as unhas há horas.  – Suas unhas estão feias.  –  Quem disse isso?  Ela. 
Continuou pintando até que os dedos estivesse todos pintados.  Seus olhos secaram, ela pegou o lubrificante ocular e pingou nos olhos secos. 
Jogou o esmalte na parede e fechou os olhos.  Gritou, gritou até que sua garganta doesse.  Chorou até que seus olhos secasse. 
Não adiantava ela gritar, ninguém escutaria.  Ela queria sorrir, não, não queria. Mas sorriu. 
Suas paredes estão todas pintadas de esmaltes, de várias cores eu os vejo, mas ela apenas os vê em tons de preto, branco e cinza.  Deitou na cama quebrada do lado de um cadáver. 
– Quem é?  –  Perguntou a mesma voz. 
– Você –  Ela chorou silenciosamente, seus olhos secaram.  O colorido havia acabado.  Então, sem mais, ela pegou o cabo do esmalte e furou suas órbitas.  Sangrou diante de todo aquele caos, seus olhos vazaram.  Mas nem assim, mesmo assim, ela não viu vermelho, eram tons de preto. 
Ela não pode fazer mais nada, pegou uma corda e enrolou no pescoço.  Seu corpo ficou pendurado, olhando para o outro corpo, que também era seu. 
– Então ela disse ” Senhor, afinal é crédito ou débito?”  –  Nesse momento todos riram, e ela se forçou a rir mecanicamente.  Mesmo que dentro houvesse só sangue e cadáveres.  Será que eles não percebem, ela está morta! 

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