O inferno está aqui e todos os demônios somos nós.

Andado por entre os arbustos, dobrada no próprio corpo.  Cuspia a massa amarela. 
– Onde você está?  Covarde! –  se debruçou novamente sobre o próprio corpo e cuspiu, ou vomitou? 
As lágrimas corriam pela sua face e cortava a pele delicada. 
– Venha! Não gostaria de descobrir o monstro que sou?  Não gostaria de saber quem sou?  Filho nascido do inferno!  –  Apareceu um homem ao lado dela,  sorria de forma tão suave,  se eu já tivesse visto outrora um anjo eu o assemelharia ao homem ao lado dela. 
– Ah minha flor,  chama-me de demônio,  de monstro.  Chama-se de monstro.  Mas quem és tu?  Uma hipócrita.  Vomita sobre si mesma por não querer largar quem não é!  Olha para mim,  olhe!  –  Ele vociferava de forma brutal, o rosto perfeito sem uma mancha,  linha de expressão,  marca e qualquer imperfeição.  Continuou gritando com uma calma terrível,  e era tão lindo de se ver. 
A mulher se ergueu,  nesse momento se dobrou pesadamente e tornou a vomitar e cuspir,  dessa vez eram pedaços de entranhas. 
– Seu cretino. –  Ela caiu em meio ao sangue e aos pedaços de dentro de si.  Fechou os olhos e foi desfalecendo. 
– Volte para o inferno minha querida,  a encontrarei lá.  –  Ele ergueu as asas negras e mergulhou num vôo  perfeito para dentro da terra. 
A mulher ficou caída sobre si mesma no meio da grama cortada,  suas asas cortadas sangravam, seus lábios abertos deixavam sair o líquido amarelo.  Os olhos dela ficaram abertos eternamente sobre o céu. 
O dia findou. 

Você sabia?

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Me vê como um borrão.
Pegou o cigarro amor?
Seu cheiro de suor se confunde ao meu de flores.
Somos dois amantes loucos pelo poder oposto.
Me vê em duas cores.
Cansou do colorido brega meu bem?
Jogou fora nossas fotos envelhecidas pelo tempo.
Se esquece amor, quem sou eu, velha agora?
Pegou em minhas mãos macias, usou-as para se fazer carinho.
Meu desprezo o consola como se fosse abrasador.
Chega meu bem, coloque o óculos.
Eu não sei você, mas o tempo não pertence a ninguém.
Vá dormir antes que se esqueça que un dia todos nascemos crianças.

Porque fingimos ser quem somos.

“Você está bem?” as duas o olharam. Uma chorava e a outra nada mostrava. “Estou.” Falaram juntas. “Então por quê ela está aqui?” ele apontou para a que chorava. ” Ela sou eu. “Não é, ela é o teu demônio, tua nuvem negra, teu prego no chinelo.” A outra o olhou com ódio. “Claro que não, ela só me lembra quem sou.” Ele abaixou a cabeça, ergueu a mão e tocou no rosto dele “Você é essa, quem estou tocando. Essa é você.” Ela tirou gentilmente a mão dele de seu rosto “Eu sei quem sou” Foram embora, a sombra e a dona. Talvez ela realmente sabia quem era, talvez ela realmente gostasse de mostrar o seu outro lado exposto. Se fosse tão fácil assim para os outros as sombras não seriam escuras, seriam reflexos.

A verdade além da mentira.

– Que feio meu pé.
– É mesmo!
– Ei.
– Você que disse, eu concordei.
– Eu sei, mas, ele não é nem um pouquinho bonito?
– É, bonito sim.
– Mesmo?
– Claro, se você pensar que ele que sustenta todo o teu corpo, que ele que aguenta suas caminhadas, que ele que aguenta ficar o dia todo preso no teu sapato chulezento.. É, ele é bonito sim!
– Bastava dizer que ele é feio! Aliás, os dois são feios! 

Ponto de vista, quem é quem?

– Você anda mentindo.
– Não. Claro que não.
– Olhe nos meus olhos.
– Olho!
– Como você mente bem.
– Não ando mentindo, juro!
– Está mentindo pra si mesma.
– Não estou. Eu parei.
– O que disse para ele?
– Nada.
– Mentindo novamente.
– Não estou! Droga, o que eu ganharia mentindo pra você? Não preciso. Você é o único que não preciso mentir.
– Então abra a boca Jordana.
– Não chamo Jordana.
– Como se chama?
– Madalena.
– Abra a boca Madalena, tome essas vitaminas, vai te fazer bem.
– Nunca me diz a verdade, não é doutor? Sabe muito bem que me chamo Madalena.
– Sei sim. Agora engole.
– Gostava mais de você quando era meu pai.

Sem revisão, sem edição. Cheio de erros, a essência. Um dia a preguiça e o tempo permitirem eu melhorar-ei.

[25/11 19:17] E. S.: Não há nacionalidade. Pré Segunda Guerra Mundial, havia uma mulher, cuja espécie era bruxa.
Estatura mediana, de corpo exorbitante, pele muito clara e cabelo curto, chanel.
Essa mulher que não tinha nome se chamará Valentina nesse momento.
Valentina era uma bruxa muito poderosa, tinha uma tribo inteira de indígenas negros e fortes, todos a adoravam e ela era sua deusa.
[25/11 19:19] E. S.: Valentina gostava de uma vida de luxo, dançava, bebia e se divertia com soldados. Tinha vários amantes e seu desejo nunca cessava. Porém, não podemos negar o amor que ela tinha com os seus adoradores. Ela trazia prosperidade para a tribo, trazia alegria, brincava com as crianças, tornava as caças abundantes e fazia as mulheres férteis.
Valentina era adorada por todos, tinha uma alegria infinita, contudo a sua bondade competia com a sua maldade.
[25/11 19:22] E. S.: A sua maldade lhe trazia diversos inimigos, para uma bruxa poderosa só poderá ter inimigos poderosos. Isso foi um doa motivos para que houvesse a sua morte, e no dia em que Valentina foi morta a tribo chorou, juraram caçar a mulher que a matou e a queimariam viva numa fogueira, os homens iriam a torturar.
[25/11 19:31] E. S.: Abaddon foi a mulher que a matou, sua aparência não é de grande importância, mas para nós, que a temos em nossos corações precisamos de uma base e Abaddon é ruiva, da pele dourada, os cabelos num liso revolto e sua beleza encantava a muitos e sua natureza os assustavam.
Nossa querida Abaddon era uma feiticeira que manipula a natureza e fazem os homens a amar.
O jeito retraido, a forma como seus olhos selvagens fazem as pessoas a evitar, a forma que ela ama e odeia na mesma intensidade a fez inimiga de Valentina.
Ah, meus queridos, pode o fogo e a água dominar um mesmo espaço, sem que um seque o outro? Sem que um acabe com outro?
Valentina era a vida, a exuberância, era a erupção. Em controvérsia havia Abaddon, branda, selvagem, misteriosa, pura e indecifrável.
Essa mulher que matou Valentina, essa mulher quem sofreu toda a dor que poderia sofrer. Essa mesma mulher que jurou voltar, não por vingança, não por ódio, mas pelo amor que sentia.
[25/11 19:32] E. S.: Abriu os olhos e em sua volta havia apenas terra, úmida e seca. Pela força do hábito ela respirou, puxou o ar até que enchesse seu pulmão, não encheu, ela estava morta e mortos não respiram.
[25/11 19:34] E. S.: Valentina queria gritar, mas havia tanta terra, havia tanta escuridão. Ela não tinha medo do escuro, mas não queria ficar ali sozinha.
E como estava fraca!
O que me fizeram?
Veio a face de uma mulher em seu pensamento, um ódio que lhe roeu a alma, lhe fincou os ossos. Os olhos verdes dessa mulher enganadora, a voz suave dessa cobra perversa.
Como a pode a matar? Ela, que era Valentina, cuja era adorada como uma deusa.
[25/11 19:36] E. S.: Pediu perdão para a terra pelo o que iria fazer, afinal ainda era uma bruxa, e a terra que havia a salvado com sua força.
Ela explodiu o local e deixou que uma chuva fina lavasse o seu corpo sujo e morto.
Quanto tempo havia ficado morta?
Por quanto tempo havia morrido? Ela andou sem rumo por várias partes até que achou uma estrada.
[25/11 19:37] E. S.: Passou um homem, um soldado com um uniforme estranho.
[25/11 19:37] E. S.: Deus! Será um nazista? A Segunda Guerra esta para estourar. Brutos, matam bruxas apenas por nosso poder.
[25/11 19:38] E. S.: Ela se encolheu no corpo frágil, estava tão fraca.
[25/11 19:51] E. S.: – Você! – Os olhos negros se arregalaram, Deus, ele a matará. – Volte aqui mulher, você vai morrer, está quase nua. A guerra acabou!
Como assim, a guerra acabou? A guerra mal havia começado.
– Como assim?
– A guerra, se foi de seis a sete anos! – Morri por tanto tempo? Será possível? Ora, claro que sim.
– Me ajude soldado, estou com frio. Fui assaltada PPR saqueadores, aposto que foram desertores. Me jogaram numa vala e estou a dois dias sem contato humano. – Ele tirou o agasalho e a cobriu. Estava quente e tinha um cheiro bom de relva molhada.
Ele a levou até uma cabana de madeira, muito bem equipada, aconchegante.
– Irei preparar um banho para você, quando terminar pode vestir esse vestido, é de minha… – Ele tossiu – e poderemos ir a delegacia prestar queixa, seus familiares devem estar preocupados.
O vestido era florido, ela o pegou e foi tomar o banho, seu corpo absorvia cada gota de água. Lavou a mente e o coração.
Familiares, não queria ir embora, mas o que diria?
Depois do banho foi focar com o soldado. Ficou dias e meses.
Chamava-o de Zorb, e não fazia perguntas.
O coração morto de Valentina estava todo tomado por aquele homem de olhos azuis celeste, louro palha, falar manso e gestos gentis.
Ela ficou com ele por meses, o seu amor crescia e todo dia amava-o mais.
Zorba, porém, tinha em seu coração Felicia.
[25/11 19:56] E. S.: – Onde ela está?
– Não sei, fugiu. Tinha medo que nos descobrissem, o pai queria que ela casasse com um coronel. E eu pobre soldado era proibido.
– Ainda a ama? – Não precisou responder, o coração, pobre coração de Valentina oscilou.
Não tinha necessidade de usar poderes naquele lugar perdido pela humanidade.
Ficou cinco meses vivendo com ele, usando as roupas da outra.
Zorb tinha atividades frequentes, trabalhava muito e ficava pouco em casa, isso entediava Valentina, sendo assim ela usou de seus poderes.
Não funcionou no soldado, como não?
[25/11 20:00] E. S.: O coração dele estava enfeitiçado por Felícia, como poderia mudar isso?
Ela buscou a mulher onde for que ela estava.
A mulher veio numa tarde, de cabelos negros, ondulados, sardas e sem sal.
– Como você é sem graça querida. – Valentina matou Felícia e a jogou debaixo da cama de Zorb, porém não foi uma morte normal. Apenas desligou os sentidos da mulher e a deixou hibernar por tempo indeterminado.
Nesse dia ela enfeitiçou Zorb para que a amasse.
Dormiram juntos e noite foi festa.
Seu amor cresceu. Valentina nunca havia sido tão humana em toda  sua longa vida de bruxa.
[25/11 20:01] E. S.: Zorb, na verdade era um híbrido, nem homem e nem lobo. Era ambos.
[25/11 20:01] E. S.: Participava de uma alcatéia com várias híbridos e todos se resguardavam.
[25/11 20:05] E. S.: Um dia Zorb corria como lobo na floresta e escalava uma montanha quando um enorme lobo negro o jogou no chão em uma altura de sete metros.
– Enfeitiçado!
– Como assim? O que você está fazendo? – vários lobos o olhavam e rosnavam para ele.
– Andou com bruxa.
– Nunca – Ele mostrou os dentes e se abaixou.
– O seu cheiro todo é de bruxa.
– Não tenho contato com humanos. A não ser com… Droga!
-Mate-a.
– Esmague-a. – Eles uivava e gritavam em uníssono.
Os olhos azuis de Zorb se tornaram cinza, ele havia se tornado outro. Tinha uma missão, não iria perder sua parte na alcatéia por uma mulher, uma bruxa !
[25/11 20:05] E. S.: Bruxa!
[25/11 20:08] E. S. : Foi para a casa sorrateiro.
– Valentina! – gritou.
Ela veio correndo e pulou em seus braços.
-Como é difícil te esperar Zorb!
– Desculpa querida, mas estamos reestruturando o país. Houve uma guerra meu bem! Onde estava nesse tempo todo? – Uma fincada forte apareceu no coração de Valentina.
– Desculpe, sou grudenta. Vamos para o quarto. – Ela era uma bruxa, mas não deixava de ser mulher.
Ela passou a mão no corpo dele e o puxou para o quarto, beijava-o com fome. Com vontade.
Os dois estavam famintos, jogaram as roupas longe e a cama virou o ninho de ambos.
[25/11 20:09] E. S.: Zorb dormia profundamente quando algo se mexeu e acordou Valentina.
[25/11 20:10] E. S.: Felícia saiu de baixo da cama e gemia de dores no corpo.
– O que aconteceu? Zorb? O que você está fazendo com ele? Quem é você?
– Você devia estar “morta”, como o encanto pode ter acabado?
[25/11 20:11] E. S.: – Morta? Como assim? – Os olhos da mulher se viraram e tudo o que havia era uma órbita branca. – Quem devia estar morta era você, eu te matei!
[25/11 20:11] E. S.: -Abaddon! Te mataram? Não creio que se reencarnou nesse corpo sem sal. Que mulher feia.
[25/11 20:12] E. S.: – Zorb é meu.
– Seu? Ele nem se lembra de você, nem da outra. Quando esta comigo ele é meu.
[25/11 20:12] E. S.: A risada de Abaddon soou por todo o quarto.
[25/11 20:13] E. S.: Zorb acordou com o barulho. Esfregou os olhos e se surpreendeu com as mulheres se encarando.
[25/11 20:24] E. S.: – Felícia? Você voltou? Por que me abandonou Felícia? – Ela havia subido na cama e o beijava o corpo.
– Que saudade de você meu bem. Fui enganada, meu pai obrigou -me. – Valentina cheia de ódio e paixão começou a beijar Zorb e os três se beijavam.

Passou-se um tempo e Zorb olhou para Felícia.
– Vai embora.
– O que?
– Você me abandonou Felícia, podia ter ficado comigo. Não quis. Vai!
– Zorb? – Ela tinha lagrimas nos olhos e o rosto feio se inchou.
– VAI! – Um grito misto de um rosnado surgiu nele. Valentia sorria para Abaddon.
Felícia se foi em lágrimas.
– Desculpe isso, eu não a amo mais. Não posso amar alguém que mente pra mim. Mesmo que me dói.
Valentina sorriu para ele e beijou o rosto vermelho.
– Vamos andar. – Ambos foram andar pela floresta , o dia já havia se findado, o por do sol deixara o céu vermelho e roxo.
– Onde está me levando?
– Vai ver. – Valentina sorria, andaram por vários quilômetros e as pernas de Valentina já se cansaram.
– Chega. – Ela se sentou em uma pedra, olhou de perto e viu uma suástica desenhada.
O coração disparou.
– Onde estamos indo?
Zorb continuou em silencio e foram andando.
Passaram por uma antiga casa destruída pela guerra, havia uma bandeira vermelha com o mesmo símbolo desenhado.
– Zorb? – Ele continuou a puxando.
– Você é uma bruxa. – Valentina sentiu seu coração parado pesar.
– Como assim Zorb?
– Eu sou um híbrido, não percebeu? – Ela se assustou.
– Híbrido? Lobo?
– Sim.
– Vai me matar?
– Vou. – Ela começou a chorar.
– Por que Zorb? Eu te amo tanto.
[25/11 20:24] E. S.: – Eu não a amo Valentina, nem poderia.
[25/11 20:24] E. S.: Ele a levou para um ligar onde não havia natureza, onde o fogo havia consumido tudo e só restara um circulo de pedras.
[25/11 20:27] E. S.: Zorb a jogou dentro do círculo.
Em uma língua estranha começou a invocar palavras.
– Não faça isso Zorb. – Ele a ignorou.
Valentina o olhou com ódio e na sua própria lingua gritou.
Invocou de algum lugar palavras que o mundo desconhecia.
– Não devia fazer isso Zorb. – Apareceram homens negros, altos, como os corpos seminus manchados de brancos em desenhos tribais.
[25/11 20:28] E. S.: – Meus amados – Ela acariciou os homens e os abraçou.
– Me magoou tanto. Fui morta, fui enganada. Meu amor foi em vão! Façam a justiça meus amados. Meus adoradores. Façam!
[25/11 20:30] E. S.: Os homens negros pegaram As lanças, o fogo, pegaram o lobo e o queimaram.
[25/11 20:30] E. S.: Ele ouviu e seu corpo formou em cinzas.
[25/11 20:32] E. S.: Valentina chorou, voltou para a sua tribo sem parte de si.
[25/11 20:32] E. S.: Abaddon apareceu para ela gritando e chorando.
[25/11 20:32] E. S.: – Por que o matou Valentina?
– Ele sabia como me matar. Sabia realmente como.
[25/11 21:08] E. S.: – Eu te matei.
– Não, você matou meu corpo, parte dele. Mas ele iria matar a minha essência.
– Vou te matar novamente.
– Não vai, sou uma bruxa. Uma poderosa bruxa. – Abaddon tinha lágrimas nos olhos.
– Eu o amava.
– Eu também. – Juntas foram visitar o corpo de Zorb no cemitério dos corpos. Era uma lugar com milhares de cavernas e precipícios.
– Vamos o ver. – Entraram na caverna dele. Não havia corpo.
– Você o matou?
– O matei.
– Ele era um híbrido. Oh! Será que ele se tele transportou?
– Sim – Ficaram felizes.
– Mas agora ele ira te matar – Abaddon olhou tristemente para Valentina.
– Não, ele me ama, não sabe não amar.
Foram embora do cemitério das almas, cada um no seu rumo e ambos caminhos davam no mesmo objetivo.