Sensação de sono, sono que dá sensação de medo.

Acordei de um pesadelo e ele ficou comigo o doa inteiro.

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Doce por fora meu amor.

– O inferno está ao meu redor.
– O que disse?
– Nada.
– O inferno está ao meu redor.
– Eu disse isso.
– Eu também.
– Aceita esse bolinho?
-Tão bonito. Deve estar gostoso. – Uma mordida. Os bichos saíram, o cheiro vazou e o verde podre caiu. – Argh, está podre.
– Não está.
– Está.
– O inferno está ao seu redor.
– Não.
– O bem também.
– Está.
– Eu também.
– Estou.
– E o bolinho está podre.
-Por quê?
– Estamos todos assim.

Cada um com seus fetiches.

– Estou cansada disso tudo Eleonor.
– Como assim querida? Você nem dormiu com ele ainda.
– Dormir? Que gentileza a sua.
– Ora essa, você quem escolheu isso Liz, foi você.
– Me passe esse cigarro.
– Não, imagina só se vou te deixar fumar, vai ficar fedendo.
– Eleonor você sabe que é uma vadia, uma ex-puta.
– O Alfredo já sabe?
– Não, e nem vai ficar sabendo nunca.
– Você gostou de dormir com outros homens.
– Mas não amei. O Alfredo eu amo, e nunca mais vou fazer esses joguinhos sujos.
– Você gosta.
– Me passe esse cigarro Eleonor.
– Você quem sabe.
– Eu sei.
– Ei Liz, desistiu mesmo? Ele chegou.

Na sala havia um cigarro com manchas de batom vermelho em cima da mesa. Um par de pernas balançavam e sorriram quando  porta se fechou. Ela pegou o cigarro, o apagou e continuou balançando as pernas.
Tudo tão normal.

Doce por fora meu amor.

– O inferno está ao meu redor.
– O que disse?
– Nada.
– O inferno está ao meu redor.
– Eu disse isso.
– Eu também.
– Aceita esse bolinho?
-Tão bonito. Deve estar gostoso. – Uma mordida. Os bichos saíram, o cheiro vazou e o verde podre caiu. – Argh, está podre.
– Não está.
– Está.
– O inferno está ao seu redor.
– Não.
– O bem também.
– Está.
– Eu também.
– Estou.
– E o bolinho está podre.
-Por quê?
– Estamos todos assim.

A história de um velho cheio delas.

Estou deitada no quarto bagunçado, um livro de lado e uma lembrança na cabeça. O Valdeci aos pés da cama dormindo fora do mundo.
O ar entra e cai uma lembrança, qual é o rosto mesmo?

O quarto era simples, as paredes de cor palha, havia num canto do quarto uma janela pequena e tão gasta pelo tempo que parecia que o ar que entrava ali era o ar do passado, um ar quente sobrecarregado, daria até pra sentir as gotas de suor se acumularem em sua têmpora.
– Você já conheceu uma mulher? – o rapaz saiu do quarto e fora transportado em sua lembrança de dias atrás. O rosto naquele momento se esquentou. Nunca havia conhecido uma mulher. Não sabia o que era ter uma mulher.
– Nunca, veja bem, meu caro amigo. – Ele sorriu de forma que seus dentes aparecessem todos, parecia um réptil sorrindo. De forma agradável. – Conheço uma pequena, ah, se Deus fossem homem… Os lábios vermelhos, a pele morena. Que linda que ela é. Quer conhece-la?
Não esperou resposta. Ele começou dizendo.
– Leve dinheiro jovem, ela estará te esperando. Marcarei o encontro pra você, leve dinheiro.
Estavam ambos tomando cerveja, sentados após o expediente.
O rapaz foi levado de volta ao quarto.
Havia do lado da cama um berço de madeira, uma criança de um ano aproximadamente dormia sossegada.
– Oh meu querido, te esperei a semana inteira. – uma mulher de beleza exótica, grandes lábios, grandes olhos. Cabelos negros e cacheados, pele cor de canela, peitos arredondados.
Deitou na cama e abriu os braços.
– Venha aqui meu bem, vejo que está acanhado. É normal. Já estive.
O rapaz tirou o colete, a blusa e todo o restante de roupa. Apesar da vergonha se sentia cheio de si, um rapaz vigoroso, em toda sua juventude.
Chegou até a cama e se deitou ao lado dela com as pernas entrecruzadas. Beijou aqueles lábios cheios, apertou os seios pesados do leite materno. Afagou os cabelos cacheados, cheirou o pescoço majestoso.
– Estou com fome meu bem. – Ela gemia alto e o fazia se sentir homem. Aquele rapaz de 15 anos. Aquele homem sem pêlos.
Ele se encheu dela e a fez se encher dele. O que era amor ? Ele estava amando.
– Foge comigo – O prazer dele o cegava. Ela Gemei entre os beijos, Gemei alto de forma que sua voz ae tornou um canto.
Neste momento a criança acordou, chorou com fome do seio da mãe.
Ele estava com fome, ainda estava.
Ela sorriu e o olhou como uma mãe olha o filho, mas o afagou de maneira que só uma mulher apaixonada afaga um homem.
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– Você trouxe querido? – Ele ainda se sentia envergonhado. Pegou o dinheiro na camisa e lhe entregou.
– Posso voltar?
– Pode.
– Quando? Mesmo dia. Todo sábado.
– O valor?
– Pra você vai ser o mesmo.
– Há outros? – Ela riu e o beijou no alto da cabeça.
– Vá meu amor, a criança esta suja. – Ele se foi e deixou parte de si para trás.

Os dias se passaram, a semana se tornou uma labuta. Todo sábado estava lá, aos braços daquela mulher estranha, que o beijava com outros lábios.
A mulher que dava si para si. Já estavam juntos naquele vai e vem ha tempos.
O amigo perguntou como havia sido.
Que amigo. Ah. Como é bom ter amigos.
– Ei meu amigo. Venho te dar uma triste notícia. Estou partindo hoje para Ribeirão Preto.
– Hoje?
– Sim, vou tentar a vida lá. Quem sabe melhoro. Quem sabe me firmo.
Se despediram por tempo indeterminado.
Já estava ha bastante tempo encontrando aquela mulher, Dalva o nome dela. E tempos em tempos a amava mais.
– Você me ama Dalva? – Ela brincou com os pelos de sua virilha.
– Amo.
– Casa comigo – Ela sorriu, tinha 30 anos e ele apenas 15. Como amar?
– Estou indo embora. Vou semana que vem. Vou vender tudo.
– O que? Pra onde vai? Por que vai?
– Encontrar meu marido. Me ajuda a vender meus móveis? Não me faça perguntas. – Ele lhe entregou o dinheiro, ela se tornara uma amiga.
– Te ajudarei. – Foi sem se despedir com o coração arrasado.
Quando já havia vendido tudo a levou a estação.
– Pra onde vai Dalva?
– Ribeirão Preto.
– Quem é seu marido?
– O Anastor – O coração daquele homem parou. O jovem já havia transgredido e agora era homem. Anastor, seu amigo. Aquele que havia lhe apresentado a própria esposa. Aquele qual confiou seus segredos. Seu Amor a própria esposa.
Seu mundo caiu.
Dalva entrou no trem com a criança e se foi. Levou com ela o coração de um jovem e deixou um trauma.
Seu primeiro amor. Uma mulher casada. Seu primeiro amor, a mulher do grande amigo.
Ele voltou pra casa e a primeira lição da vida havia sido atingida. Seu primeiro amor. Sua primeira grande dor.

A paguei a luz e guardei o livro. Eu e o Valdeci dormimos.