Não existe uma linha tênue. É tudo a mesma coisa.

Te amei quando ninguém quis te amar.
Te mostrei os caminhos que estavam por aí.
Te acolhi, protegi, aconcheguei em meus braços.
Te fiz feliz, quando ninguém o sabia fazer.
Você, que era pequeno.
Cresceu, mostrou sua luz.
Me deixou.
Quando ninguém quis me amar.
Você, que me traiu.
Me fez sofrer como ninguém conseguiu.
Me acabei.
Sequei.
Cheguei ao estado crítico.
Cheguei ao pó.
Me doeu.
Me dói.
Você que criei.
Você que amei.
Só eu posso te destruir.
Odiar.
Mas no meu coração.
No meu ser.
Eu amo.
E quem ama salva.
Sua salvação é a sua destruição.
Você que ainda amo se perdeu.

image

Anúncios

O que seria de mim sem você? Sua ausência me dói.

Hoje encarei meu monstro.
Ele me sorriu.
Hoje me serquei de meu mal.
Ele me ouviu.
Ah, quem sou eu?
Minhas virtudes se foram.
Perdi minhas vontades.
Hoje pisei em vidros quebrados e nada mais me doeu.
Nada mais me doeu como quando meu coração se corrompeu.
Como quando me perdi.

Pense antes de fazer, nem tudo se resolve com um fim.

– Maria? Alô?! – O silêncio total do outro lado da linha foi cortado por um leve soluço.
– Eu sinto uma dor forte… Nas costelas… E… Em meu coração – as palavras sussurradas eram ditas tão baixo que mal se podia escutar.
– Maria, eu estou indo. Não faça nada.
– É muita dor. Muita. – O telefone foi jogado em algum lugar, depois disso a ligação caiu.
– Maria? Eu estou com você. – Mas palavras não bastam em um simples telefonema. Não quando a distância, a circunstância e o tempo os separa.
– Maria? – Ele entrou, o escuro dominava. A porta estava aberta, ela estava deitada na cama de bruços.
– Oh meu Deus. Vou ligar para emergência. – Ele pegou o telefone e fez a ligação.
– Não adianta. – Uma voz saiu das sombras, como se a própria Morte estivesse falando.
– Não diz nada, estão vindo.
– Não adianta. Estou com medo, muito medo – A garota tinha os pulsos cortados, de cima a baixo.
– Você não vai morrer, demora uns três dias para morrer com os pulsos cortados.
– Estou assim desde manhã. Fiz para não haver volta.
– Oh meu Deus Maria. Estou aqui. – Ele passou a mão pelo cabelo ensopado de sangue.
– Estou com medo.
– Você fez isso com as próprias mãos.
– Eu sempre estive morta.
– Mentira.
– Sim Diego, você que nunca viu. – Ela começou a respirar fundo.
– Eles estão chegando.
– Segura minha mão.
– Por que fez isso? – Ambos choravam.
– Não quero morrer.
– Você fez isso Maria, agora vai ter que morrer.
– Me ajuda – ela começou a tossir. Buscava o ar e não achava. Ele a abraçou.
– Adeus Maria. – O desespero estava em sua voz, como se ele estivesse cego indo em direção aos trilhos.
– Não… Me deixe… – Não havia sobrado nada dela, nem a sua essência, nem a sua vida. Ele chorou agarrado a um corpo sem vida há muito tempo. Nesse momento a emergência chegou. Se ele não pode a salvar quem agora poderia?

Pense antes de fazer, nem tudo se resolve com um fim.

– Maria? Alô?! – O silêncio total do outro lado da linha foi cortado por um leve soluço.
– Eu sinto uma dor forte… Nas costelas… E… Em meu coração – as palavras sussurradas eram ditas tão baixo que mal se podia escutar.
– Maria, eu estou indo. Não faça nada.
– É muita dor. Muita. – O telefone foi jogado em algum lugar, depois disso a ligação caiu.
– Maria? Eu estou com você. – Mas palavras não bastam em um simples telefonema. Não quando a distância, a circunstância e o tempo os separa.
– Maria? – Ele entrou, o escuro dominava. A porta estava aberta, ela estava deitada na cama de bruços.
– Oh meu Deus. Vou ligar para emergência. – Ele pegou o telefone e fez a ligação.
– Não adianta. – Uma voz saiu das sombras, como se a própria Morte estivesse falando.
– Não diz nada, estão vindo.
– Não adianta. Estou com medo, muito medo – A garota tinha os pulsos cortados, de cima a baixo.
– Você não vai morrer, demora uns três dias para morrer com os pulsos cortados.
– Estou assim desde manhã. Fiz para não haver volta.
– Oh meu Deus Maria. Estou aqui. – Ele passou a mão pelo cabelo ensopado de sangue.
– Estou com medo.
– Você fez isso com as próprias mãos.
– Eu sempre estive morta.
– Mentira.
– Sim Diego, você que nunca viu. – Ela começou a respirar fundo.
– Eles estão chegando.
– Segura minha mão.
– Por que fez isso? – Ambos choravam.
– Não quero morrer.
– Você fez isso Maria, agora vai ter que morrer.
– Me ajuda – ela começou a tossir. Buscava o ar e não achava. Ele a abraçou.
– Adeus Maria. – O desespero estava em sua voz, como se ele estivesse cego indo em direção aos trilhos.
– Não… Me deixe… – Não havia sobrado nada dela, nem a sua essência, nem a sua vida. Ele chorou agarrado a um corpo sem vida há muito tempo. Nesse momento a emergência chegou. Se ele não pode a salvar quem agora poderia?

Um instante de valorização se torna um amor incrustado em nós.

Como sei onde está minha cama no escuro.
Sei onde estão os teus lábios de olhos fechados.
Como sei que suas mãos afagam minhas curvas.
Sei que você me sente sua.
Como sei que te amo até distante.
Sei que somos juntos.
Como beijo teus lábios de amor.
Beija-me até debaixo do cobertor.
Sou sua.
De olhos fechados.
No escuro.
Na cama macia.
No chão gelado.
Somos eu e você.
Sem segredos.
Somos nossos íntimos.
Distantes e seguros.
Sou sua.
É meu.
Por todo tempo que Deus nos deu.

Chuva que sai de dentro da gente.

– Vamos sair daqui, esta chovendo.
– Não está – ambos olharam para cima. Havia uma mulher debruçada sobre o parapeito e chorando dolorosamente.
– Choveu sim, e o tempo fechou. – Saíram de baixo da tempestade e foram em busca do sol.

Pi pi pi, você adoeceu! Procure ajuda médica.

Devíamos ter um dispositivo que quando estivéssemos doente dissesse “Ei humano, você está doente, mas não se preocupe, você não sentirá dor, ficará apenas com o dedo roxo e a língua verde. Assim que a doença for curada os sintomas desapareceram! Melhoras!”
Porém nem tudo são flores ou cores verdes e roxas.

Pagar com aquilo que tem não é um bom preço.

Por mais que vivemos e lutamos bravamente nós morremos. E morrer é a única sorte que temos. Mas somos humanos, e somos fracos, e queremos viver. E somos tão inúteis que por mais que nós tememos a morte mesmo assim matamos para sobreviver.
Egoístas. Inúteis. Fracos. Errantes.

Há muito tempo houve uma evolução na terra, bem, é o que diriam. Ela evoluiu e para pior. A luz solar foi a única que nos restou, a lua se converteu em sangue. Chegou os fins dos tempos e não sabemos mais se é dia ou noite. O sol explodiu e essa luz que nos restou é fragmentada, ela vem e vai sem constância no tempo.
Somos um povo pequeno, os sobreviventes. Os que matam para sobreviver. Ou se mata ou morre. A comida está escassa, a água que nos era vida agora nos é morte. Envenenada. Sobrevivemos daquilo que achamos. Não há terra, não há criações. Há apenas nós, os sobreviventes no mundo das trevas. Com o nosso egoísmo nos sobrou apenas duas tribos, a nossa e a deles. Eles são os piores, se somos ruins imagina eles, que matam e comem a própria carne, abusam de suas mulheres, escravizam as suas crianças. Nesse mundo podre nos restou uma dignidade, nos manter unidos, em toda a dor, miséria e fome. Se formos matar para sobreviver que matemos em prol de algo.
Nossas mulheres são guerreira, e nossa prioridade. Nossas esperanças foram depositadas em seus úteros em forma de crianças. Escondemos todas elas, a cada bebê que nasce nós o mandamos para um abrigo, que se formam um total de sete.
As trevas não é o pior da vida. Somos nós.

– Você vai sair pra caçar?
– Vou.
– Vou junto. – Olhou pra mulher que vestia uma capa tão pesada por sobre as roupas justas e grossas que lhe parecia um vestido.
– Você não vai.
– Vou.
– Vai? Vai mesmo? – Ele a segurou pelos ombros e olhou em seus olhos, nunca alguém havia focado tão perto dele. Os olhos dele pareciam olhos de serpentes.
– Você vai? VAI? – Ele chegou perto do ouvido dela. – Já foi estuprada?
Passou a língua pelo pescoço nu e puxou os cabelos presos. Por mais medo que ela sentia ela não demonstrou.
– Não.
– Quer ser?
– Se precisar para ajudar a tribo eu aceitaria. – Ele sorriu com os dentes a mostra e ela não viu nada, nenhum sentimento.
– Você é tão estúpida que nem serviria pra ser estuprada. – Ele chegou perto do pescoço e cheirou fundo – você fede. Você é magra como uma gralha. Você é suja. – Ele a soltou e a deixou no lugar que estava. Virou as costas e foi. Ela não chorou, vivia em um mundo em que não se permitia produzir lágrimas. Mas o rosto pequeno foi de encontro a parede várias vezes, até que sua testa se partisse e deixasse o sangue fluir livremente.
Não que ele fosse um monstro, ou que tivesse ódio dentro de si. Ele era um sobrevivente, aprendeu a matar para sobreviver. Aprendeu a torturar, aprendeu a passar fome. Aprendeu a não sofrer. Um ser humano que não sente nada se equivale a um monstro. O que nos torna diferentes de outros seres é a capacidade de sentir e mostrar. De falar e agir. Ele não sentia, não mostrava, não falava. Era um animal e só agia.
A garota sentou no chão e cuidou das próprias feridas, fechou os olhos e se abraçou. Por mais que houvesse fragmentos de luz solar o tempo nunca mais seria o mesmo. Não existia calor, o frio não é psicológico.
Antes que ele saísse alguém veio gritando e balançando os braços.
– Um dos refúgios foi invadidos. Pegaram nossas mulheres e crianças, mataram todos.
– Ainda estão lá?
– Estão.
– Junte os fortes e os bons. – O homem mirrado, maltrapilho e de dentes podres sorriu.
– Só temos fortes e bons senhor.
O homem, cujo era chamado de capitão não disse nada.
Foram ambos de encontro aos outros, no caminho outro mensageiro veio com uma nova. Mais dois refúgios haviam sidos destruídos.
O tempo mudou do nada, como se estivesse compilando com os outros, contra eles.
– Senhor, olha o céu. – Aquilo que era a capa escura sem estrelas, nuvens ou luz tinha um pano pesado sobre si e entre o céu havia espada de fogo lutando. Os raios chegaram em meio ao caos.
– Chuva?
– Destruição. – Veja bem, nesse mundo no qual se encontravam mal havia terra e ele era dividido em espaços de entulhos. Cada lugar tinha um ponto de acesso, eles usavam as cordas para subir ao mais alto possível. A última vez que choveu foi em aproximadamente 590 anos, e a chuva havia dizimado quase toda vida terrestre, durado por meses sem fim.
– Juntem tudo, todas providências. Levem para as cordas. Vamos subir.
– E os refúgios?
– Só o Pai pode protegê-los. – Cada um tinha um propósito e todos foram de encontro a eles.
– Parece que sua missão foi cancelada. – A mulher ferida veio de encontro a ele com papéis nas mãos. Eiras. Ele olhou e nada disse. Na testa dela havia um corte profundo. Se percebeu o corpo não disse nada.
– Foi você.
– Oras, sabe que ninguém tem poder de mandar chuva.
– Não. Sabe do que estou dizendo.
– Não sei – Os olhos dela não tinham sentimentos, mas os lábios diziam tanto que as palavras proferidas não expressaram tanto.
– Eu nunca mataria ninguém.
– Mentira. Foi você, não foi? Como soube da localização?
– Quando um homem quer algo e lhe é dado com agrado ele não precisa pegar a força. É melhor dado. Conseguimos o que queríamos.
– Sabe o que é feito com traidores?
– Uma chuva vem aí capitão.
– E você comigo. – Ele puxou a menina pelos braços finos e a arrastou.
– Junte todos. Peguem os refugiados, mulheres e crianças. Coloquem todos nas cordas. Vamos – Em pouco tempo todos estavam reunidos nas cordas, começaram a subir juntos, quando tiraram os pés do chão o céu caiu e água.
– Eles estão aqui do lado.
– Eles?
– Sim. – O capitão ainda mantia a pequena traidora no seu encalço. Segurava com força para que ela não fugisse.
– Chegaram, apenas três. – O rapaz que disse isso saiu de perto do capitão. As cordas grossas estavam lotadas de gente.
Cada passo na corda uma camada de tempo. Estavam subindo uma espécie de montanha imensa, com milhares de metros e cavernas.
– Chegou três homens altos, carecas e com profundas cicatrizes.
– Achamos os coelhinhos perdidos. – Os outros dois homem riram
– O que querem?
– Comer. Matar.
– O mundo acaba hoje.
– Pra vocês acaba agora. – O capitão sorriu. Olhou para a menina que tinha os lábios vermelhos trêmulos.
– Você buscou a própria sorte. – Sussurrou pra ela. Antes que houvesse mais palavras ele a soltou, correu até o líder dos homens e o matou.
– Somos todos guerreiros. Vocês estavam mortos antes de chegar. Vocês dois avisem seu grupo pra não chegarem perto de nós. Queremos trégua.
– E como acha que vai aceitaremos? – o capitão jogou a menina pra eles.
– Oferta de paz. Ela está em idade fértil. – Os dois homens sorriram e passaram a mão nela.
– Por ora aceitaremos. – Todos olhavam o capitão. Ele virou para cada um e disse.
– Cada um caça a própria sorte. Os traidores serão traídos. – Em meio a sorriso pequeno ele olhou nos olhos dela.
– O que vale a sua vida por todas que destruiu? – Os homens sumiram nas sombras com a mulher de corte no rosto.
Sabia que eles voltariam, não se importou. Nasceu para matar.
Com a chuva caindo continuaram a subir as cordas em busca de continuar com suas vidas. Em busca de viver.

Estou doente de amor.

Deite do meu lado e me veja gemer, aí como dói todo meu corpo.
Vem aqui pro meu lado e me dê um abraço.
Meu espirro transborda germes e baba.
Aí como amo você.
Minha garganta toda inflama quando digo o seu nome.
Aí que dor.
Estou doente de amor.
Quem me pegou de jeito não foram seus afagos.
Foi a gripe alérgica e todas essas bactérias.
Quando vejo que não meu nariz transbordou.
Como sou fraca e doente de cama.
Aí como dói esse amor.