A velha Zaga em meus sonhos.

Em cima da coluna da velha Zaga estava prestados cem anos com modéstia no centenário.
Ela me olhou, de onde eu estava cabiam quinze passos.
– Menina! – Falou ela baixo de mais pra ser um grito e alto de mais para ser um sussurro.
– Zaga. Você aqui? Até em meus sonhos? – Quando os lábios dela se curvaram num arco pra cima mostrou de uma forma bem clara que na boca que já proferiu tantas histórias – apenas palavras não bastam – não havia mais dentes, que o tempo havia levado.
– Estou em toda parte menina. – Hum – disse ela como se fosse pensar bem antes de falar (coisa que ela não fazia por se tratar de uma mulher velha e sendo a própria Zaga, as palavras dela já tinham pensamentos próprios. – Fiquei sabendo de uma coisa.
– Coisa? Sobre o que?
– Até parece que você não sabe menina. Olha só seu rostinho, conquista aqueles velhos bobos, mas não eu, não eu…
– Não sei do que você está falando. Velha como é, só fala asneira. Caduca! – Eu disse confiante, mas nem os Tum Tum do meu coração batia com confiança.
– Caduca é? – Agora ela riu alto, o barulho me fez lembrar uma gralha. – Então, você anda escrevendo né menina. Escrevendo muito como ele. – Ela disse tão baixo o ele que precisei de certo esforço e inteligência pra distinguir tal palavra. E meu pobre coração estremeceu no momento em que o ele se firmou nos meus pensamentos e ganhou força pelas minhas correntes sanguíneas.
Antes que a cor verde ou pálida surgisse em meu rosto eu ri alto pra afugentar o medo de meu corpo. Minha risada soou tão alto que qualquer pessoa num raio de trezentos quilômetros saberia ser falsa.
– Menina! Não ria, não brinque com isso. – Disse ela num tom sério olhando sobrolho para o lado, como se alguém pudesse ouvir. Ela tentou esticar o corpo, mas os anos centenários pesaram sobre a coluna curvada. – Ele está chegando muito perto de você, isso não é bom, não, não, não, não, não!
– Só escrevo meu sentimento.
– Mentira menina. Você está é cega. Cega! – Ela olhou para a fila que estava e deu um passo. Os lábios se curvaram num arco para cima e me mostraram a gengiva rosa, quase tão suave quanto de um bebê. – Olha só, a fila está andando. Está quase chegando minha vez, eh menina, a sua vai demorar. Olha só como sua coluna é reta – ela deu uma risadinha sapeca e me piscou com o olho enrugado – ainda vai demorar muito pra você ficar com a coluna igual a minha. Muito mesmo. – Ela deu um passo pequeno e foi sumindo na minha frente. Antes que seu corpo se tornasse neblina juntamente com os outros ela me disse, num raio de sete passos. – Escreva mais sobre você menina. A velha Zaga aqui quer ler só as verdadeiras. Mesmo as ruins. – sua voz não foi alta o suficiente pra ser um grito e nem baixa o suficiente pra ser um sussurro.
Novamente fiquei sozinha, minha coluna estralou, como se aquela conversa houvesse pesado em meus anos. Não sorri, mas dei um pequeno passo em direção a minha própria fila.
– Já estou escrevendo.

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