Coração que bate fora do peito.

– Está pulsando – todos na sala cirúrgica suspiraram como se fossem Prometeus sendo liberto da prisão que Zeus o colocou. Ao castigo eterno.
Depois vieram os sorrisos cansados. Assim que foi fechado o peito colocaram o paciente em um quarto com remédios e descanso.
– Vamos Alfredo! Abra os olhos. – O homem sorriu para a mulher que estava na sua frente.
– Bom dia. – Ela o beijou no rosto. Sem que ela percebesse ele a afastou dela.
Ele era casado com Julia há vinte anos. Mas porque não a amava? Parecia até que não a conhecia. O rosto suave, o sorriso meigo.
– Estou tão feliz que você não tido complicações. Seu corpo aceitou o novo coração bem, segundo o médico. – Claro, o novo coração. Pertencia a um homem que ele não conhecia. Pertenceu a alguém que morreu, amou, odiou.
– Sim, fico feliz. – Dois rapazes altos entraram no quarto.
– Ei paizão, está novo em folha heim! – Quem era aqueles homens estranhos? Se lembrava de quando nasceram, cresceram. E o amor?
– Posso correr uma maratona. Duas vezes! – Eles o abraçaram chorando entre risos.
No quarto reinava o amor, ao menos parte dele.
Apareceu na porta uma mulher e ela olhava a família.
Naquele coração postiço bateu uma saudade. O homem olhou a mulher. Sorriu para ela e balançou a cabeça.
Talvez lágrimas tenha caído.
A mulher se virou e foi embora. E todo amor no coração do homem se foi com ela.
– Acho que já estou pronto. – Julia o abraço e o beijou apaixonada. O fogo que ardia ela não esquentava a ele.
O coração do homem não era dele.

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