Morfeu resolveu morar em meus olhos.

Tentei escrever.
Novamente eu aqui.
Falando a mesmice de sempre.
Tentei fingir.
Mas sentir não posso, se está menor do que sinto agora.
Tentei pensar em algo ruim.
Mas só consegui pensar em você.
– Bom dia.
– Bom dia! Amanhã eu volto aqui e te digo se foi bom.
Eu não tenho o amanhã.
O meu hoje foi emprestado.

Não existe título.

Se fosse pra confessar algo eu diria:
Hoje chorei. 
Mas como eu não estou confessando nada apenas digo. 

Fantasia sem precedentes.

Ficamos horas sem dizer nada.
Olhamos um pro rosto do outro.
Ficamos juntos só nos olhares.
E quando precisa dizer qualquer coisa nós continuamos a nos olhar.
Enfim nos beijamos, então todas perguntas não respondidas são faladas em línguas.
Silêncio é o nosso dialeto.
Somos peças de um jogo nosso.

Não sou uma mulher.

As pessoas são mais felizes quando não conhecem a realidade.
Destroçou minha alma que dizia ser alegria.
Arranhou do meu rosto meu sorriso bobo.
Que de mentiras pendiam ao lado físico.
– Estou cansada dessa vida!
– Que isso menina! Isso vai contra as leis de Deus. – Mas ela não entende, que não é sair da vida. É dar um tempo.
Que Deus me ajude!
Me disparou no peito uma bala sem pena.
Arrancou do meu fôlego toda aquela fadiga que me sufocava.
Como faço se sou verde e tudo no mundo é azul?
Ninguém entende minha mente.
Ninguém entende meus sorrisos.
Cansei dessa vida.
Cansei dessa rotina.
Tudo o que quero é dormir.
Como faz doutor? Sou louca?
Se no meu peito bate angústia e em vez dos sons normais é só um oco.
É  15:40 e eu ainda masco o mesmo chiclete.

Arranque dor de minha pele.

O sol que bate em ri me toca.
E ele que o sufoca me esquenta.

O corpo que me estranha o recorda.
Toda vez que olho no espelho eu o vejo.

Você.

Em meu tempo abduzido não deu tempo dos percursos.
Repudiei minha escrita.
Desde sempre, mas agora mais.
Sinto saudade disso.

Não confesso em voz alto.
Não preciso.

O ar que eu respiro é o mesmo que o inspira.
Tome cuidado.
Isso em mim pode pegar.

Não sei pedir desculpas.

Te desenharia nos meus sonhos.
Seu sorriso como uma curva aberta.
Mergulharia nos teus olhos.
Dourados escurecidos.
A todo instante o machuco com meus infantes momentos.
Sou tolo o suficiente pra não mostrar.
Talvez, o quanto o amo.
Desculpa minhas palavras, elas são tudo o que tenho.
Você vai ter que arriscar confiar.
Se eu te dar um pedaço de mim, terá que levar o outro.
São todos pedaços seus.
Se era paixão acabou.
Se foi.
O que sobra do barro quando lava é o ouro.
Meu , o amor.
Se minhas desculpas não bastam percebe então minhas singelas ações.
São todas caladas.
De mim te dou eu.
Sempre.

Coris(z)a. O escorrimento temperamental.

Minha alma se partiu em duas.
Do meu nariz escorreu meu bem.
Meus olhos perderam o foco.
Ceguei.
Chacoalhei o meu corpo por toda extensão da terra seca.
A terra molhada eu que molhei.
Há uma sombra em cima da minhas sobrancelhas.
Nela eu vejo pedaços de vidros estourados em indignação.
Cadê o tempo?
Cadê o choro?
Não choro por muito tempo.
Se ontem chorei hoje não me lembro.
Em uma esquina qualquer virei o meu corpo por virar.
Lá havia um corpo, aquele que deixei para trás.
O corpo de um estranho que um dia fui eu.
Quem sou eu?
Agora sou apenas um rosto.
Minha alma se partiu. A parte boa me deixou.
Nem a parte ruim eu não sou.
Minha falência crônica é eminente.

Meu coração grita, meus olhos doem. Só de imaginar essa cena. Qual a diferença entre um e outro? São todos amores. Também serve para cachorros.

Ele chegou em casa. Tirou o sapato e esticou os pés. Após um banho foi até o quarto, lá estava deitado na cama um enorme gato, todo peludos, cor, tamanho, formato, podíamos ver claramente a raça estampada no seu pedigree.
O homem o acariciou, beijou o nariz molhado do bichano.
Se deitou e fechou os olhos.
Dormiu sem sonhar.
Outro dia. Colocou a água filtrada para o Leonardo, gato de raça, a ração cara com petiscos de carne, arrumou a almofada de veludo e foi trabalhar.
Na rua, andando com rumo, passou um gatinho, de corpo tão magro que ali se via os ossos. Ele olhou o gato miar alto, viu o gato beber a água suja.
Os olhos tão grandes diziam
– Fome, carência, sujeira, miséria, doença. Me salva! – O homem continuou andando.
– Sai daqui gato sujo. – E lá ficou um pedaço de amor sem limites procurando a quem amar.
O dia acabou. O homem chegou em casa, tirou os sapatos, tomou um banho e abraçou o seu gato. Deu a ração cara, um beijo no nariz molhado e se deitou.
Dormiu sem sonhar.