Conte uma mentira uma mentira mil vezes e ela se tornará verdade.

Ele estava sentado no meio da multidão , se destacava pelo cabelo cortado e bagunçado. Tinha os lábios num sorriso indiscreto e pervertido.
Todos ao seu lado se distinguiam pela sua excentricidade.
Havia, no outro lado. Alguém, cujos gostos eram discutíveis em comparação aos gostos convencionais.
Louco, a voz sussurrada com tanta sensualidade que parecia querer dizer o oposto do que significava.
Quase como se ela estivesse lhe consedendo um último desejo. O garoto, cujos princípios eram discutíveis sorriu para si um sorriso discreto. O que ele sabia era muito mais que o grupo amava. Era muito além deles.
Conserva dentro de si um conhecimento tão exorbitante que em volta de seu corpo havia um dos quatros ventos.
Ele sussurrava, sabia que a outra voz dizia.

Conhecia os outros princípios.
No grupo havia sido feita uma pergunta, o líder respondeu.
– Está errado. – Disse o conhecedor sábio.
-Derrube-o senhor! – Disse o vento Leste. Mas o homem ali sentado mantia o sorriso dele.
– Não está.
– Está!
– Percebe-o. Olhe para o ego dele. É maior até que suas entranhas. Ele está certo.
– Me entristece sua atitude. – O vento sussurrou.
– Lorde! – Gritou o homem do vento acusador. Todos o olhou, todos olhares acusadores.
– Quem?
– Eu.
– Diga.
– Você está errado.
– Prove.
– Pergunte ao vento. – O vento, pequeno vento fugiu. Foi para dentro dos pulmões do homem. Sozinho e sua vergonha.
– Tolo – Disseram. Mas ele sabia. Sabia do vento. Ele sabia da resposta correta.
Sabia que o que estava errado bastava meia dúzia para o fazer certo.
Mas isso, destaca-se essa parte, não o faz correto.
– Vento covarde.

– Louco – sussurrou a voz sensual. Ela havia chegado.
E todos os pelos se levantaram num arrepio indiscreto.

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Crê na criatura que te matou.

Me apaixonei por um fantasma. Há duas décadas atrás quando ele ainda era vivo e me fazia sentir morta.
Hoje, talvez depois de morta posso o encontrar. Cuspir em sua cara todos os vermes que engoli.
Se morri foi por ele.
Depois da valsa que bailei perdi as contas de quantas vezes.
Não terminei ainda.
Não desejei ainda.
Décadas de perambular.
Comi o pão que ele amassou.
Fantasmas não resistem a almas penadas.

Moléculas gravitacionais de um quadro sem autor. Sangue-vinho-cor.

O sangue jorrava em câmera lenta. Se escutavam as gotas caírem uma por uma. Cada uma delas era só de um.
Primeiro encharcou a roupa, até que as gotas fossem jogadas para o teto, lá ficaram retendo a si.
Dos pés escorreu o sangue vinho, e eles deslizavam vagarosamente como moléculas heterogêneas.
Do azul ao verde, amarelo ao marrom, branco ao preto, só havia os tons vermelhos.
O sangue do teto pingou, pingou tão delicadamente que se podia ouvir uma orquestra harmônica tocando até que ele alcançasse o topo da cabeça.
Molhou todo o corpo, a pequena gota havia se multiplicado naquele momento e feito um mar de sabor ferro cair ali.
Molhava-o todo. Menos aquele chão. Apenas ele e o teto.
Havia certa ambiguidade na cena. Tanto sangue no teto e nele, que não se sabe quem se feriu. Mas por que o sangue é todo em moléculas gravitacionais?
Não se espalha, aspecto que fica o óleo de encontro a água.
Os lábios brancos eram enormes e delicados. Abertos para receber um beijo, para proclamar uma palavra, para soltar um gemido, para dar prazer ou dor.
Pegue estes lábios e coloque em qualquer cena que ele se encaixaria.
É o que acontece na mente das pessoas quando se criam essas expectativas. Quase como formar uma frase em francês quando se profere em latim e se pensa em grego.
Vê a semelhança? Napoleão viu.
O sangue havia formado um vestido em torno do corpo branco. Um receptor para a obra de arte. Ele era a tela branca e o sangue estava representando seu papel de tinta e pintor.
As gotas dos pés foram subindo em milésimos de segundos para o teto. O que era rápido se tornou lento.
Pareciam flores revestidas de orvalho na manhã pós-chuva.
Quando o corpo já estava todo pintado ele abriu os olhos.
O ser sem sexo, homem ou mulher, a beleza era inquestionável. Tão bela criatura que parecia ter sido esculpida pelas mãos de um anjo.
No chão branco se via o teto vermelho.
No corpo branco se viu a beleza do vermelho. A combinação perfeita. Neste meio tempo se escutou uma melodia. Aquela suave que se da vontade de dançar sensualmente para um quarto vazio.
Aquela que da vontade de chorar e rir de si próprio. Ou melhor, aquela que se escuta quando se descobre de onde vem a ferida para todo esse sangue. E ali se viu, no peito suave, havia uma ferida aberta, e daquela ferida se vinha o som, e do som o sangue e do sangue a arte e da arte a dor.
Os olhos se fecharam e os lábios se selaram.
Todo sangue gravitacional caiu no chão frio. A música parou e se viu entre muito tempo a nuvem de fumaça subir.
Tudo o que sobrou depois que queimou.

Traumatismo escandaloso.

– Mamãe a Elena está com fome! – A menina de cabelos escuros e rostinho angelical sorria.
Uma mulher alta estava mexendo na panela, havia tanta preocupação no seu rosto que parecia ser impossível caber qualquer outro sentimento ali.
Mas ela sorriu pra a menina. Tirou aquela máscara e colocou outra.
– Já está quase pronto Melissa! – A cozinha estava clara e quente, lá fora o vento batia com uma densidade pesada de calor.
A menina balançou a cabeça até que os cachos se soltasse. Ela saiu correndo e sumiu de vista.
A mulher, que Deus a perdoe, chorou todos os lagos.
Cortou o dedo e o sugou. Terminou de cozinhar o feijão e desligou as panelas.
– Elena está chorando porque a mamãe está chorando.
– Não filha, diga pra Elena que a mamãe se cortou. Não é nada grave!
– O almoço está pronto? – A menina se encolheu num canto e abraçou as pernas. Ele chegou até a mulher e bateu com força no rosto.
– Está? – Gritou.
– Está sim! – Submissa.
Ele se sentou e esperou que ela colocasse o prato na sua frente.
Então comeu.
– Elena está triste.
– Cala a boca menina doida! Elena o que?! Não existe Elena! – Ela chorou em silêncio e abraçou a mulher.
O que havia acontecido?
Toda essa história dançava em frente a um espelho, mostrando uma menina pálida e uma mulher de branco.
De seus pequenos lábios não saiam nada.
Mas de sua cabeça a história sempre repetia.

Traumatismo escandaloso.

– Mamãe a Elena está com fome! – A menina de cabelos escuros e rostinho angelical sorria.
Uma mulher alta estava mexendo na panela, havia tanta preocupação no seu rosto que parecia ser impossível caber qualquer outro sentimento ali.
Mas ela sorriu pra a menina. Tirou aquela máscara e colocou outra.
– Já está quase pronto Melissa! – A cozinha estava clara e quente, lá fora o vento batia com uma densidade pesada de calor.
A menina balançou a cabeça até que os cachos se soltasse. Ela saiu correndo e sumiu de vista.
A mulher, que Deus a perdoe, chorou todos os lagos.
Cortou o dedo e o sugou. Terminou de cozinhar o feijão e desligou as panelas.
– Elena está chorando porque a mamãe está chorando.
– Não filha, diga pra Elena que a mamãe se cortou. Não é nada grave!
– O almoço está pronto? – A menina se encolheu num canto e abraçou as pernas. Ele chegou até a mulher e bateu com força no rosto.
– Está? – Gritou.
– Está sim! – Submissa.
Ele se sentou e esperou que ela colocasse o prato na sua frente.
Então comeu.
– Elena está triste.
– Cala a boca menina doida! Elena o que?! Não existe Elena! – Ela chorou em silêncio e abraçou a mulher.
O que havia acontecido?
Toda essa história dançava em frente a um espelho, mostrando uma menina pálida e uma mulher de branco.
De seus pequenos lábios não saiam nada.
Mas de sua cabeça a história sempre repetia.

Sua mente, puramente impura que o guiará até as imagens que as palavras proporcionam.

Puxou meus cabelos até que minhas raízes fossem arrancadas.
Dele explodiu em gozo sementes em meus galhos.
Um sorriso germinou-se em meus lábios.
A sensação de prazer era tão quão um vento frio batendo em um rosto quente.
De onde eu via apenas enxergava sua cabeça.
Sua respiração presa em suas mãos.
Implora que inspire.
Do fundo a superfície saiu um grito lastimável.
Não era se não amor.
Paixão em brasa que consumiu minhas palhas.
Que as estrelas do céu maior que o sol caibam em mim.
De tanto prazer eu explodi.
Um gozo branco e suave que tinha sabor de amargo.
Como pode tal líquido cheio de vida ter gosto ruim?
Não deveria ser tampouco doce.
Das minhas raízes sobraram o cansaço.
Suspirei em vão, não havia luz nem escuridão.
Apenas eu, o calor e ele.
O vento frio veio noutro dia.
Naquele denominado lembranças , ou talvez seja só quarta-feira.
Nem no meio nem no fim.
Quase uma esperança.
Esperar que o fim chegue.
Os dias são todos iguais.
O diferente são os nomes.
Minhas raízes não crescem mais.
Maldita denominação. Venham que sejam escravos.
Terei apenas sementes.
O mesmo vento.
Dia igual.
Ele puxou com tanto gosto que não me importei com a dor.
Não é que dizem que a dor e o prazer estão na mesma direção?
Ou sejam iguais compartilhando um só corpo.
Senti os dois.

Sua mente, puramente impura que o guiará até as imagens que as palavras proporcionam.

Puxou meus cabelos até que minhas raízes fossem arrancadas.
Dele explodiu em gozo sementes em meus galhos.
Um sorriso germinou-se em meus lábios.
A sensação de prazer era tão quão um vento frio batendo em um rosto quente.
De onde eu via apenas enxergava sua cabeça.
Sua respiração presa em suas mãos.
Implora que inspire.
Do fundo a superfície saiu um grito lastimável.
Não era se não amor.
Paixão em brasa que consumiu minhas palhas.
Que as estrelas do céu maior que o sol caibam em mim.
De tanto prazer eu explodi.
Um gozo branco e suave que tinha sabor de amargo.
Como pode tal líquido cheio de vida ter gosto ruim?
Não deveria ser tampouco doce.
Das minhas raízes sobraram o cansaço.
Suspirei em vão, não havia luz nem escuridão.
Apenas eu, o calor e ele.
O vento frio veio noutro dia.
Naquele denominado lembranças , ou talvez seja só quarta-feira.
Nem no meio nem no fim.
Quase uma esperança.
Esperar que o fim chegue.
Os dias são todos iguais.
O diferente são os nomes.
Minhas raízes não crescem mais.
Maldita denominação. Venham que sejam escravos.
Terei apenas sementes.
O mesmo vento.
Dia igual.
Ele puxou com tanto gosto que não me importei com a dor.
Não é que dizem que a dor e o prazer estão na mesma direção?
Ou sejam iguais compartilhando um só corpo.
Senti os dois.

Do verde ao maduro.

Os dias se tornaram iguais.
Como se as horas não passam.
Retóricas parecem nomes de equações matemáticas.
Um jogo de números.
Minha sanidade espera.
E se espera esperança.
Ficar sem ter o motivo que me levou.
Algo maior que sono.
Hoje meu pássaro não canta.
Não busquei conhecimento em outro.
Das cinzas renasceu a planta.
Do pó ao pó.
Vou procurar onde, se só tem entulho eu teu coração?
Eu diria nunca, mas a sonoridade de para sempre me fascina.
Estúpido.
Seco e voluptuoso.
Já dormi sentado ontem.
Já não espero hoje.
Os dias são iguais.
As horas brincam de passar.
O tempo muda o poeta, mas o poeta não muda com o tempo.

Está quente fervendo, minha voz denota pimenta.

Me olhei no espelho.
O que vi me agradou.
Uma cara safada num sorriso inocente.
Olha como mordo meus lábios.
– Me ajuda professor? – Olha como minha voz inocente não condiz com meus lábios sacanas.
Me olhei no espelho, o que senti me agradou.
Quero você pra mim.
Posso ser sua aluna?
Me ensina suas artimanhas.
Adoro soletrar palavras quando meus lábios estão ocupados.
Com os teus.
– Sei soletrar prazer. Escuta. P-R-A-S-E-R. Ups, acho que errei.
Olha para minhas mãos, como são macias.
Me olhei em você, o que vi me agradou. Sua cara de prazer.
Tenho uma sede que não se sacia.
Tenho você. Nas palmas da minha mão.
Nas curvas do meu corpo.
Só preciso de você.
Olhando pra mim. Me ensinando. Me castigando.
Não sou só eu, eu?
Minhas metades não se conhecem.
Eu e ela somos só eu.

O pensamento ganha forma depois que jogamos concreto e argila. Ou seria verdades?

– O que é isso?
– Cocaína.
– Você ainda está nessa?
– Ela que está em mim. – Pausa para a tosse ensanguentada – Ela é minha vida.
– Cara, você está bem? Está tossindo sangue tem dias. Para com isso. O Manu morreu mês passado. Sabia que a Leca está internada? Overdose.
– Se tu for ficar falando de mortos vai a um cemitério conversar com um coveiro. Me deixa.
– Você vai morrer.
– Sabe quem vai morrer? Você!
– Haha, que ironia, você que está com a droga.
– Eu vi. Eu vi ontem. Sabe o que mais vi? A Leca vai morrer hoje. Já morreu.
Sabe quem mais quer morrer? Eu. – Outra pausa. Dessa vez é porque ele estava sozinho. Não havia ninguém ali no chão. Apenas ele, a cocaína e seus fantasmas.
– Já foi. – Assim é melhor. Então ele pega uma pedra, carinhosamente crack.