Eu estou sozinho, e não adianta olhar para qualquer lado. Almas penadas sentem medo de vivos.

Sinto que estou definhando aos poucos.
Como uma morte lenta que vai entrando em seu corpo sadio e aos poucos consome sua saúde.
Não a morte que deixa teus familiares, amigos e íntimos chorando aos cantos, murmurando, amaldiçoando, clamando e inertes.
Não, é uma dor que rasga a alma com uma lâmina de fogo crua e cruel, que faz você temer a cama e os teus sonhos.
Tua consciência lhe aponta com o dedo magricela e morto.
Entende minha morte?
Entende minha dor?
Não. Não entende.
Ontem fiquei horas olhando para o vazio que vazio quase estou.
A morte me sussurra com teu frio no meu ouvido, e ela me deixa tão gelado que me faz sentir que minha hora chegou.
Onde está minha esperança?
Eu devia ter esperança?
Por que?
Você vai segurar minha mão na segunda feira quando eu não respirar?
Meu caminho torto irá dizer “cansei, cansei de te trilhar”
Me ouve cantar!
Me ouve chorar.
Deixe que mostre que choro Pai.
Deixe que vejam que sou homem de carne e osso.
Já não aguento mais esperar, não é medo, covardia ou qualquer que for tua acusação.
Você me abandonou e é tua culpa minha morte precoce.
Me deixe sentir o que sinto sem me envergonhar.
Nua está minha alma em falência ao meu estado atual.
Meus pensamentos sujos que me faz penetrar a podridão do sempre.
Devia quantos mais matar?
Não. Não. Não.
Me entende?
Me deixe cantar!
Me entende?
Olhei para o vazio a noite toda até que o sol chegou e preencheu a solidão da lua.
Mas eu não tenho sol.
Eu não tenho primaveras.
Eu não tenho verões.
Eu mal tenho o outono e sobrevivo ao inverno eterno.
Me cortei com uma faca de cozinha cega.
Me cortei até que meu sangue preto virasse rio e me levasse a navegar entre os barcos sem rumo.
Estou sem rumo.
Meu caminho se foi e me deixou no nada.
Eu vim de um canto escuro qualquer, sozinho, ora sentava, ora andava. Minhas pernas já não me obedecem.
Obedecem minha alma pelada, meio rasgada, meio apagada.
E percebe que ela não obedece?
Não percebe que o que era para ser o melhor de mim é o meu pior?
Não devo lamentar se eu não tenho dívidas.
Mas ah eu as tenho! E se as tenho.
Você nunca segurou a minha mão, nunca.
Sempre foi embora mais cedo.
Sempre.
E eu, homem morto em vida contínua não vou lamentar.
Não vou.
Hoje é terça.
Hoje já é terça!

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