Amores para todas horas, além da morte.

Eu me lembro de está de fones. Cai no chão pelo baque forte.
– Marcelo – ela gritou e correu até mim. Tinha tantas lágrimas nos olhos que parecia que do rosto dela chovia. Eu apenas enxergava as lágrimas. Mas estavam aí antes da dor chegar.
Ela caiu junto de mim. Gritava qualquer coisa, mas eu não escutava. Escutei as sirenes, os paramédicos chegaram.
– Tem muito sangue, é uma hemorragia. Vai precisar de transfusão, qual tipo sanguíneo?- Disse um homem alto e moreno.
Ela chorava. Dizia coisas que eu não entendia, minha cabeça doía e só pensava na dor que eu tinha no peito.
Tomei banho? Está tão quente, tão molhado. Ou é frio?
Fui colocado num carro cheio de bugigangas, ao menos estava deitado, cheio de fios no corpo e uma máscara no rosto.
– Justo comigo, com você Marcelo – ela chorava. Parecia está falando de outra coisa, com outra pessoa que não eu.
Nesse momento eu já não estava vendo nada, tudo escuro, tudo preto.
Nesse momento eu morri.
Acordei numa cama grande, fria, vazia. Não, o calor do meu corpo esquentava o suficiente, mas o frio estava em qualquer lugar do quarto. Minhas coisas jogadas, meu computador.
Estiquei o braço e peguei um travesseiro com um certo cheiro.
Levei um tiro, tiraram o projétil, mas os estilhaços ficaram. Ainda dói.
Ainda dói.

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